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O BTG Pactual vê fundos ainda subalocados no papel, retorno esperado mais modesto e poucas razões para aumentar a aposta no curto prazo
Os investidores seguem com o pé no freio quando o assunto é Petrobras (PETR4). O apetite para aumentar a exposição às ações da estatal continua limitado, segundo avaliação do BTG Pactual após conversas com gestores e outros participantes do mercado.
Na leitura dos analistas, muitos fundos ainda estão subalocados — ou simplesmente fora do papel — e, sem catalisadores mais claros ou uma mudança na estrutura de capital, essa postura mais cautelosa tende a continuar.
O banco aponta que a maioria dos investidores trabalha hoje com a expectativa de um dividend yield entre 7% e 8% em 2026 — ou seja, um retorno nessa faixa apenas com o pagamento de dividendos em relação ao preço da ação.
Já o FCFE yield, que mede quanto de caixa livre a empresa deve gerar para o acionista depois de investimentos e despesas financeiras, é visto em um nível um pouco menor.
Nas conversas mais recentes, o foco tem sido os dividendos do quarto trimestre de 2025, o desempenho operacional da produção e temas como etanol e Braskem (BRKM5).
Ainda assim, as ações da Petrobras seguem entre as principais portas de entrada para o investidor estrangeiro se expor ao Brasil, em meio à rotação global de carteiras.
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Segundo o BTG, esse movimento tem muito mais a ver com uma mudança de percepção sobre os mercados em geral do que com alguma revisão específica sobre o Brasil ou sobre a própria estatal.
No ano até agora, PETR4 já acumula alta de cerca de 21%.
No início de janeiro, o próprio BTG rebaixou a recomendação da Petrobras para “neutra” e fixou preço-alvo de US$ 15 para os ADRs, recibos negociados no exterior que representam as ações da companhia na bolsa de Nova York.
A decisão levou em conta a baixa visibilidade macro-política, a flexibilidade financeira limitada e um valuation considerado justo.
Os analistas da instituição disseram ver uma discrepância entre a política de dividendos e a geração efetiva de caixa, o que deve, segundo eles, levar a aumento da alavancagem em 2026 e 2027.
O BTG destacou à época que a execução operacional segue sólida, com a produção projetada para 2,7 milhões de barris por dia até 2028, impulsionada pela entrada de novos FPSOs — plataformas flutuantes usadas para produzir, armazenar e transferir petróleo no mar.
Para o banco, a estatal opera sob uma estratégia de longo prazo considerada crível e alinhada aos acionistas minoritários, e que a pressão atual sobre o caixa é consequência natural de um ciclo intensivo de capital no offshore, não de deterioração estratégica.
Na semana passada o Bradesco BBI também cortou a recomendação de "compra" para "neutra" para o papel da estatal, ao considerar o preço estimado de longo prazo para o barril de petróleo Brent de US$ 65.
Segundo o banco, embora a Petrobras possa surpreender em termos de produção, a agenda de fusões e aquisições da empresa deve continuar trazendo riscos.
No relatório, os analistas apontaram que a relação entre risco e retorno da Petrobras é menos atrativa do que costumava ser.
“Atualmente, vemos o dividend yield da empresa para 2026 em 6,5%, abaixo da média das empresas do setor nos Estados Unidos (7%) e abaixo dos 8% estimados pelo Bradesco BBI para a Vale (VALE3), por exemplo. Esse rendimento tornou-se excessivamente apertado, em nossa visão”, acrescentaram.
*Com informações do Money Times
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