Petrobras (PETR4) no controle: CEO Magda Chambriard deve comandar conselho da Braskem (BRKM5) em novo acordo, diz jornal
Petrobras e IG4 dividirão igualmente o poder de decisão na Braskem, segundo apurou o Valor Econômico; transação pode ser consumada ainda em fevereiro

A longa — e complicada — história da Braskem (BRKM5) ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (23): a presidente da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, deve assumir a presidência do conselho da petroquímica. O movimento faz parte do acordo de acionistas com a IG4, conforme revelou o Valor Econômico.
O tratado desenha um cenário de cocontrole, no qual Petrobras e IG4 dividirão igualmente o poder de decisão. Segundo a publicação, o conselho terá 10 membros — quatro da Petrobras, quatro da IG4 e dois independentes.
Neste primeiro ciclo, informou o jornal, a Petrobras indica o presidente do conselho e a IG4 indica o CEO, o CFO e a vice-presidência do colegiado.
A expectativa é de que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) julgue a transferência da ações da Braskem que eram da antiga Odebrecht ainda em fevereiro, abrindo caminho para que a transação seja consumada, ainda de acordo com o Valor.
Mudanças na Braskem vão além da Petrobras
Em dezembro, a Novonor (ex-Odebrecht) assinou um acordo de exclusividade com a empresa de investimentos IG4 Capital para vender sua participação na petroquímica.
A IG4 representa os bancos credores da Braskem — Itaú, Bradesco, Santander, BB e BNDES –, que têm ações BRKM5 como garantia de empréstimos feitos à empresa.
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A gigante da engenharia e construção se comprometeu a transferir a participação na Braskem para um fundo da IG4, que passará a deter 50,111% do capital votante e 34,323% do capital total da petroquímica.
A Novonor detém atualmente 50,1% das ações com direito a voto da Braskem e 38,3% do total de ações, enquanto a Petrobras possui 47% das ações votantes e 36,1% do total de papeis.
Após a conclusão da operação, a Novonor permanecerá com 4% da Braskem.
A IG4 acrescentou em outro comunicado que a operação envolve cerca de R$ 20 bilhões em dívida e não causará mudanças operacionais imediatas na Braskem.
Relembre a crise na Braskem
Não é de hoje que a crise na Braskem vem chamando a atenção dos investidores. A situação é multifacetada e envolve diversos fatores, entre eles:
- Endividamento pesado (cerca de US$ 8,5 bilhões em 2025);
- A tragédia ambiental em Maceió (afundamento do solo por mineração de sal-gema, gerando passivos bilionários);
- Baixa demanda no setor petroquímico;
- Cenário macroeconômico adverso, com juros altos.
Todo esse cenário resultou em queda acentuada de suas ações e títulos, risco de recuperação judicial e impacto negativo no mercado de crédito corporativo. Com isso, os esforços da Braskem foram voltados à reestruturação em curso, à resolução do passivo de Maceió e à melhora da estrutura de capital.
A empresa vem sendo dilacerada na bolsa de valores diante de um ceticismo cada vez maior entre os investidores e com o risco de recuperação judicial no radar. Em um ano a baixa do papel é de quase 40%.
*Com informações do Valor Econômico e Money Times
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