O bilhão da virada: Log (LOGG3) anuncia negócio histórico e JP Morgan ainda vê potencial de 21% de alta para as ações
LOGG3 foi promovida para “compra” com preço-alvo em R$ 34; banco cita o início do ciclo de cortes na taxa básica como um dos principais gatilhos para o papel

Depois de divulgar os resultados do quarto trimestre, a Log CP (LOGG3) ganhou um empurrãozinho do JP Morgan. O banco elevou a recomendação das ações de neutra para overweight (equivalente a compra), e ainda aumentou o preço-alvo para dezembro de 2026 de R$ 28 para R$ 34 por papel — o que representa um potencial de valorização de cerca de 21%.
As ações da empresa de galpões logísticos fecharam o pregão desta sexta-feira (13) em alta de 6,95% no Ibovespa, cotadas a R$ 28,17. No ano, LOGG3 acumula alta de 15,21%.
Segundo o JP Morgan, a virada de chave vem da combinação entre cenário econômico e fundamentos da empresa. De um lado, entra no radar o início do ciclo de queda da Selic, com o banco projetando que a taxa básica encerre 2026 em 11,5% e 2027 em 9%, contra os atuais 15%.
De outro, pesa a execução da estratégia da companhia, que anunciou um memorando de entendimento para vender 12 ativos por R$ 1,05 bilhão — valor que já supera o antigo plano anual de desinvestimentos, estimado em cerca de R$ 900 milhões.
“O objetivo dessa transação para a Log é destravar o potencial de geração de valor e garantir investimentos em novos projetos”, afirmou o diretor financeiro da Log, Rafael Saliba, após a divulgação dos resultados do 4T25.
“Ao mesmo tempo, a operação permite realocar capital, saindo um pouco de ativos já prontos para investir mais em desenvolvimento, onde os retornos são maiores”, completou.
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Arrumando a casa
Para o JP Morgan, o movimento reforça a capacidade da empresa de financiar o crescimento e, ao mesmo tempo, reduzir o peso da dívida.
A equipe do banco estima que, com esse pacote de vendas, a Log deve encerrar 2026 com alavancagem de 2,0 vezes a dívida líquida sobre o Ebitida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), contra 2,9 vezes no fim de 2025.
Há ainda o efeito direto dos juros no caixa. Pelos cálculos do banco, cada corte de 0,5 ponto percentual na Selic adiciona cerca de R$ 5 milhões ao FFO (Funds From Operations) — indicador de geração de caixa operacional — projetado para 2027, o que representa um ganho de aproximadamente 4% no cenário-base.
Mesmo negociando a preços mais esticados do que empresas de shopping centers, o JP Morgan avalia que o prêmio é justificável diante do crescimento esperado da área de galpões para aluguel e da estratégia de reciclagem de ativos, que tem garantido margens relevantes nas vendas.
Resultados da Log no 4T25
A melhora na recomendação veio um dia depois de a empresa divulgar os números do quarto trimestre de 2025. A Log registrou lucro líquido de R$ 78,7 milhões, queda de 21,4% na comparação anual, pressionada em parte pelo nível ainda elevado dos juros.
A receita líquida somou R$ 65,2 milhões, alta de 16,6% em um ano, mas abaixo do que o mercado esperava. Analistas projetavam, em média, R$ 67,4 milhões, segundo dados da LSEG.
No fechamento de 2025, a Log teve lucro de R$ 363,5 milhões, avanço de 5,6%, com lucro por ação de R$ 4,06, alta de 2,8%. O resultado ficou dentro do intervalo previsto pela própria companhia, que ia de R$ 350 milhões a R$ 450 milhões.
“Com a Selic mais alta, acabamos tendo despesas maiores”, disse Saliba. “Com a perspectiva de queda dos juros, já vemos melhora na liquidez dos nossos ativos e até nos preços. Nosso portfólio permite trabalhar com uma expectativa de retorno muito favorável nos novos projetos”, afirmou.
A companhia também confirmou o acordo de R$ 1,05 bilhão para a venda de 12 ativos operacionais, que somam 340,2 mil metros quadrados de área locável. Quando concluída, será a maior venda de ativos da história da Log.
*Com informações da Reuters
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