Novo revés para Vorcaro: Justiça dos EUA reconhece liquidação do Banco Master. O que acontece agora?
Decisão de tribunal da Flórida obriga credores e tribunais americanos a respeitarem o processo brasileiro

A liquidação do Banco Master acaba de atravessar a fronteira e ganhar um selo decisivo de validade internacional. A Justiça dos Estados Unidos reconheceu a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025.
Com isso, o que até aqui era um processo conduzido sob a jurisdição brasileira passa a ter força plena também em solo norte-americano.
Em outras palavras, a decisão determina que ativos ligados ao banco e às empresas do grupo fiquem “travados” nos Estados Unidos, sob controle exclusivo do liquidante nomeado no Brasil.
Leia também:
- O que acontece com os CDBs do Banco Master se a liquidação extrajudicial for revertida?
- Caso Master: avalanche de críticas ao Banco Central entra na mira da PF e levanta suspeita de pressão coordenada
- A quem cabe reverter (ou não) a liquidação do Banco Master? Saiba quem manda no destino da instituição agora
Justiça dos EUA valida liquidação do Master
O reconhecimento veio da Corte de Falências do Distrito Sul da Flórida.
Em decisão assinada pelo juiz Scott M. Grossman, o magistrado enquadrou a liquidação do Master como um foreign main proceeding, nos termos do Chapter 15 da legislação norte-americana.
Leia Também
Ao fazer esse enquadramento, a Justiça dos EUA determina que tribunais e credores americanos devem respeitar integralmente a liquidação conduzida no Brasil, evitando corridas judiciais paralelas e decisões conflitantes entre jurisdições.
Trata-se, na prática, de uma validação internacional do caminho escolhido pelo Banco Central do Brasil para encerrar as atividades do banco.
O que muda para o Banco Master: ativos “travados” nos EUA
Com o reconhecimento, fica automaticamente suspensa qualquer tentativa de execução, transferência ou venda de ativos do Banco Master e de empresas do grupo em território americano.
Também passa a ser vedada qualquer forma de venda desses bens fora do controle do liquidante.
Além disso, nenhuma ação judicial contra a EFB Regimes Especiais de Empresas — nomeada pelo Banco Central como liquidante do Master — poderá ser proposta nos Estados Unidos sem autorização prévia da Corte da Flórida.
O alcance da decisão vai além do Banco Master em si. Ela também abrange outras empresas do grupo ligadas ao controlador Daniel Vorcaro, como o LetsBank, o Banco Master de Investimentos e a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores.
O reconhecimento ainda autoriza o liquidante a examinar testemunhas, colher provas e requisitar informações sobre ativos, direitos, obrigações e passivos dessas companhias nos Estados Unidos.
Os ativos do Banco Master nos EUA
Ainda não há informações oficiais sobre o volume ou a natureza exata dos ativos do Banco Master em território norte-americano.
Reportagens da imprensa especializada nos EUA, porém, indicam que Vorcaro teria adquirido uma mansão em Miami por US$ 85,2 milhões em janeiro de 2025, além de uma segunda propriedade na mesma região, comprada no mês seguinte por US$ 6,9 milhões.
Com a decisão da Justiça americana, qualquer movimentação desses bens — caso sejam vinculados ao grupo — passa agora a depender da avaliação do liquidante e da própria Corte.
Quem pediu o reconhecimento internacional da liquidação
O pedido de reconhecimento internacional foi apresentado pela própria EFB, que atua como representante do processo brasileiro no exterior.
O objetivo foi garantir, desde cedo, que a liquidação tivesse eficácia fora do Brasil e evitar decisões contraditórias em outras jurisdições.
Ao validar o pedido, o juiz reconheceu a legitimidade da EFB para conduzir o processo em território americano, concedendo amplos poderes para administrar, preservar, investigar e apurar ativos do grupo.
Segundo Grossman, o processo brasileiro cumpre todos os requisitos para ser considerado um processo estrangeiro principal: o centro principal de interesses da instituição está no Brasil, e a liquidação foi instaurada por uma autoridade regulatória competente.
“O processo de liquidação brasileiro terá plena força e efeito, sendo vinculante e executável nos Estados Unidos contra todas as pessoas físicas e jurídicas”, afirmou o juiz.
Um novo revés para Daniel Vorcaro
O reconhecimento internacional representa mais um revés para Daniel Vorcaro, que tentou barrar a homologação da liquidação na Justiça norte-americana.
O fundador do Master argumentou que movimentos recentes no Tribunal de Contas da União (TCU) poderiam abrir caminho para uma eventual reversão da liquidação decretada pelo BC, o que tornaria prematuro o reconhecimento fora do Brasil.
Contudo, o juiz rejeitou o argumento. Segundo ele, questionamentos administrativos ou institucionais em curso no Brasil não afastam, neste momento, a validade regulatória nem a vigência do processo de liquidação.
*Com informações do Money Times.
DE OLHO NAS DÍVIDAS
Adeus, CSN Cimentos? Novo CEO da CSN (CSNA3) prepara venda de ativos bilionários, diz jornal
6 de setembro de 2026 - 12:55PODCAST TOUROS E URSOS
Por que tantas empresas estão quebrando no Brasil?
6 de setembro de 2026 - 11:15AGENTES DE IA
O próximo concorrente de Visa e Mastercard pode não ser um banco, mas uma inteligência artificial
5 de setembro de 2026 - 14:55BENEFÍCIOS
A próxima batalha dos bancos é pelo mercado de vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA)
5 de setembro de 2026 - 13:22PERDEU O ENTUSIASMO
Intelbras (INTB3): ação ainda pode subir 22%, mas JP Morgan já não recomenda compra; confira os motivos
4 de setembro de 2026 - 17:42GORDURA NO CAPITAL?
Méliuz (CASH3) diz que tem capital demais e quer ‘cortar’ R$ 160 milhões da própria conta; entenda
4 de setembro de 2026 - 16:37Conteúdo BTG Pactual
Em busca do próximo milionário: A maior competição de trading do país encerra as inscrições em 6 de setembro; veja como se inscrever
4 de setembro de 2026 - 16:00TOUROS E URSOS #286
Casas Bahia, Habib’s e mais: por que tantas empresas no Brasil estão quebrando?
4 de setembro de 2026 - 15:33MUDANÇAS EM BRASÍLIA
IRB (IRBR3): essa mudança de lei pode colocar mais de 20% de valorização no bolso de quem tem a ação; entenda
4 de setembro de 2026 - 11:02NOVA PROVA DE FOGO?
Sabesp (SBSP3) decepcionou no 2T26, mas ação ainda pode subir 40%; XP revela o que falta para destravar a alta
4 de setembro de 2026 - 10:30EXPANSÃO INTERNACIONAL
Revolut bate à porta de Wall Street: fintech recebe aval para virar banco nos EUA até 2027
3 de setembro de 2026 - 16:24DA ÁGUA PARA O VINHO
Duplo twist carpado: BofA dá ‘duplo upgrade’ em Magazine Luiza (MGLU3) após disparada da ação e acordo com Mercado Livre
3 de setembro de 2026 - 15:25MAIS UMA LIQUIDAÇÃO
Adeus, Trustee: BC liquida distribuidora ligada ao caso Banco Master; Banvox também entra na lista
3 de setembro de 2026 - 12:42SD ENTREVISTA
Wiz Co (WIZC3) quer transformar a carta de consórcio em passaporte para um mercado de R$ 500 bilhões
3 de setembro de 2026 - 12:33LIDERANÇA DE DÉCADAS
Após 24 anos, Steinbruch deixa cargo de CEO da CSN (CSNA3) e outro peso-pesado assume; ação dispara no Ibovespa
3 de setembro de 2026 - 9:08CEDO PARA COMEMORAR?
Banco do Brasil (BBAS3): por que nem a melhora do agro convence a XP a investir na ação?
2 de setembro de 2026 - 15:08BOM PRA CACHORRO
Petz Cobasi (AUAU3) mostra os dentes — veja por que Itaú BBA vê potencial de alta de 32% para a ação
2 de setembro de 2026 - 13:20DOIS 'TIMES' PARA AS ELEIÇÕES
Lula x Flávio Bolsonaro: Citi revela as ações favoritas de bancos se Lula vencer — e onde aposta se Flávio levar
2 de setembro de 2026 - 11:22HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
O divórcio saiu: Azzas 2154 (AZZA3) será dividida entre Arezzo&Co e Soma — e Farm fica em ‘guarda compartilhada’
2 de setembro de 2026 - 10:19PARCERIA ESTRATÉGICA