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SURPRESA OU DÉJÀ-VU?

Itaú (ITUB4) sem surpresas? Performance do 4T25 pode ser “bola cantada” — mas investidor deveria estar de olho em outro anúncio

O banco deve apresentar mais um desempenho sólido, reforçando a fama de instituição que não surpreende — e mesmo assim lidera

Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4).
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4). - Imagem: Divulgação

Normalmente, uma boa história exige conflito, tensão, reviravolta. Mas, quando o assunto é o Itaú Unibanco (ITUB4), as manchetes vêm de outro lugar — onde quase nada sai do script.  

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A cada trimestre, o maior banco privado do país reaparece como aquele personagem que não precisa de plot twist para chamar atenção: apresenta lucros robustos, inadimplência sob controle, ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) elevado. E repete. E repete. 

Enquanto outros grandes players do setor financeiro alternam fases de euforia com ajustes doloridos, o Itaú parece viver em um compasso próprio. Firme, estável, sereno. Quase previsível por definição. 

Essa previsibilidade, longe de despertar tédio entre os investidores, acabou se tornando a “assinatura premium” do banco. No Itaú, a surpresa costuma ser uma convidada rara e, quando aparece, geralmente é discreta... e para cima. 

Agora, com a divulgação dos números do quarto trimestre de 2025 marcada para a noite desta quarta-feira (4), a expectativa do mercado soa quase como um déjà-vu.   

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A aposta dos analistas é que o Itaú deve entregar mais um balanço forte, limpo, sem sobressaltos — exatamente como tem feito, trimestre após trimestre, ano após ano. 

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O que esperar do balanço do Itaú (ITUB4) no 4T25? 

Para quem investe, o verdadeiro carisma do Itaú não reside em promessas mirabolantes, mas na constância de sua entrega.  

Segundo os analistas, é essa característica que sustenta o "tripé de ouro" da instituição: previsibilidade, solidez e um ROE sempre acima dos 20%. 

O consenso de mercado é que o Itaú divulgará um lucro líquido recorrente de R$ 12,2 bilhões, o que representaria um crescimento de 15,6% em relação a um ano antes, de acordo com a Bloomberg. 

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Já o ROE deve alcançar 24,2%, segundo a média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro, ampliando a distância em relação aos níveis de rentabilidade dos demais grandes bancos. 

O 4T25 do Itaú reserva alguma surpresa? A aposta dos analistas 

A percepção dos analistas é unânime: o Itaú deve encerrar o ano de 2025 mantendo o tom de solidez, crescimento de crédito e uma qualidade de ativos que se destaca da média. 

O JP Morgan resume o banco como “sólido como uma rocha” — e prevê um trimestre sem grandes surpresas, fiel ao estilo da casa.  

Por sua vez, o BB Investimentos (BB-BI) destaca que o Itaú mantém um crescimento orgânico moderado, mas suficiente para garantir rentabilidade superior aos pares, impulsionado por disciplina estratégica e digitalização crescente. 

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“A inadimplência controlada, mesmo em um ambiente seletivo, reforça sua vantagem competitiva. Além disso, a diversificação de receitas — seguros, serviços, gestão de fundos — cria um colchão contra volatilidades”, avaliam os analistas. 

A XP Investimentos também projeta um trimestre robusto, ainda que influenciado pela sazonalidade típica do fim de ano, com a carteira de crédito mantendo um ritmo firme de expansão em diferentes linhas. 

Na visão do Bank of America (BofA), um dos pontos altos deve ser a margem financeira com clientes, crescendo acima da própria carteira de crédito. A performance deve ser impulsionada por um mix de produtos mais favorável, pela reprecificação e pelo ambiente de juros mais elevados durante o trimestre. 

Por outro lado, os investidores devem acompanhar uma normalização na margem de mercado, que não deve repetir os ganhos extraordinários de tesouraria vistos no trimestre anterior.  

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O Goldman Sachs complementa essa visão, alertando que a margem financeira total pode crescer mais devagar que a carteira, devido aos resultados mais discretos em capital de giro após o pagamento de dividendos em dezembro. 

Quanto à qualidade de ativos, o JP Morgan reforça que o cenário permanece saudável. Ainda assim, a expectativa é que as provisões cresçam em termos nominais, caminhando para o centro do guidance anual, entre R$ 34,5 bilhões e R$ 38,5 bilhões. 

Já o Safra prevê dois motores para o trimestre: a carteira de pequenas e médias empresas (PMEs) — impulsionada por linhas garantidas pelo governo — e a resiliência das operações na América Latina. 

De olho no guidance para 2026 

Embora os números do 4T25 devam confirmar o sucesso do ano que passou, o "filé mignon" da divulgação desta quarta-feira está no futuro.  

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Na visão da XP, para além do balanço do Itaú no quarto trimestre, o grande foco dos investidores deve migrar rapidamente para o guidance de 2026.  

A aposta dos analistas é que as atenções estarão voltadas para duas linhas fundamentais que ditarão o ritmo da ação ITUB4 neste ano: 

  • O crescimento da carteira de crédito; e 
  • As despesas gerais e administrativas. 

O mercado também aguarda uma sinalização sobre o quanto a crise no Banco Master irá custar ao Itaú, dado que os grandes bancos deverão ajudar a recompor o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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