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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

SURPRESA OU DÉJÀ-VU?

Itaú (ITUB4) sem surpresas? Performance do 4T25 pode ser “bola cantada” — mas investidor deveria estar de olho em outro anúncio

O banco deve apresentar mais um desempenho sólido, reforçando a fama de instituição que não surpreende — e mesmo assim lidera

Camille Lima
Camille Lima
4 de fevereiro de 2026
7:17 - atualizado às 18:26
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4).
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4). - Imagem: Divulgação

Normalmente, uma boa história exige conflito, tensão, reviravolta. Mas, quando o assunto é o Itaú Unibanco (ITUB4), as manchetes vêm de outro lugar — onde quase nada sai do script.  

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A cada trimestre, o maior banco privado do país reaparece como aquele personagem que não precisa de plot twist para chamar atenção: apresenta lucros robustos, inadimplência sob controle, ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) elevado. E repete. E repete. 

Enquanto outros grandes players do setor financeiro alternam fases de euforia com ajustes doloridos, o Itaú parece viver em um compasso próprio. Firme, estável, sereno. Quase previsível por definição. 

Essa previsibilidade, longe de despertar tédio entre os investidores, acabou se tornando a “assinatura premium” do banco. No Itaú, a surpresa costuma ser uma convidada rara e, quando aparece, geralmente é discreta... e para cima. 

Agora, com a divulgação dos números do quarto trimestre de 2025 marcada para a noite desta quarta-feira (4), a expectativa do mercado soa quase como um déjà-vu.   

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A aposta dos analistas é que o Itaú deve entregar mais um balanço forte, limpo, sem sobressaltos — exatamente como tem feito, trimestre após trimestre, ano após ano. 

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O que esperar do balanço do Itaú (ITUB4) no 4T25? 

Para quem investe, o verdadeiro carisma do Itaú não reside em promessas mirabolantes, mas na constância de sua entrega.  

Segundo os analistas, é essa característica que sustenta o "tripé de ouro" da instituição: previsibilidade, solidez e um ROE sempre acima dos 20%. 

O consenso de mercado é que o Itaú divulgará um lucro líquido recorrente de R$ 12,2 bilhões, o que representaria um crescimento de 15,6% em relação a um ano antes, de acordo com a Bloomberg

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Já o ROE deve alcançar 24,2%, segundo a média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro, ampliando a distância em relação aos níveis de rentabilidade dos demais grandes bancos. 

O 4T25 do Itaú reserva alguma surpresa? A aposta dos analistas 

A percepção dos analistas é unânime: o Itaú deve encerrar o ano de 2025 mantendo o tom de solidez, crescimento de crédito e uma qualidade de ativos que se destaca da média. 

O JP Morgan resume o banco como “sólido como uma rocha” — e prevê um trimestre sem grandes surpresas, fiel ao estilo da casa.  

Por sua vez, o BB Investimentos (BB-BI) destaca que o Itaú mantém um crescimento orgânico moderado, mas suficiente para garantir rentabilidade superior aos pares, impulsionado por disciplina estratégica e digitalização crescente. 

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“A inadimplência controlada, mesmo em um ambiente seletivo, reforça sua vantagem competitiva. Além disso, a diversificação de receitas — seguros, serviços, gestão de fundos — cria um colchão contra volatilidades”, avaliam os analistas. 

A XP Investimentos também projeta um trimestre robusto, ainda que influenciado pela sazonalidade típica do fim de ano, com a carteira de crédito mantendo um ritmo firme de expansão em diferentes linhas. 

Na visão do Bank of America (BofA), um dos pontos altos deve ser a margem financeira com clientes, crescendo acima da própria carteira de crédito. A performance deve ser impulsionada por um mix de produtos mais favorável, pela reprecificação e pelo ambiente de juros mais elevados durante o trimestre. 

Por outro lado, os investidores devem acompanhar uma normalização na margem de mercado, que não deve repetir os ganhos extraordinários de tesouraria vistos no trimestre anterior.  

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O Goldman Sachs complementa essa visão, alertando que a margem financeira total pode crescer mais devagar que a carteira, devido aos resultados mais discretos em capital de giro após o pagamento de dividendos em dezembro. 

Quanto à qualidade de ativos, o JP Morgan reforça que o cenário permanece saudável. Ainda assim, a expectativa é que as provisões cresçam em termos nominais, caminhando para o centro do guidance anual, entre R$ 34,5 bilhões e R$ 38,5 bilhões. 

Já o Safra prevê dois motores para o trimestre: a carteira de pequenas e médias empresas (PMEs) — impulsionada por linhas garantidas pelo governo — e a resiliência das operações na América Latina. 

De olho no guidance para 2026 

Embora os números do 4T25 devam confirmar o sucesso do ano que passou, o "filé mignon" da divulgação desta quarta-feira está no futuro.  

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Na visão da XP, para além do balanço do Itaú no quarto trimestre, o grande foco dos investidores deve migrar rapidamente para o guidance de 2026.  

A aposta dos analistas é que as atenções estarão voltadas para duas linhas fundamentais que ditarão o ritmo da ação ITUB4 neste ano: 

  • O crescimento da carteira de crédito; e 
  • As despesas gerais e administrativas. 

O mercado também aguarda uma sinalização sobre o quanto a crise no Banco Master irá custar ao Itaú, dado que os grandes bancos deverão ajudar a recompor o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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