Gerdau (GGBR4) já entregou tudo o que tinha para dar? Itaú BBA tira selo de compra — mas revela trunfo fora das contas
Após alta de quase 30% em seis meses, banco avalia que o valuation ficou mais justo — mas um catalisador pode mexer com a ação

Depois de uma corrida de quase 30% na bolsa brasileira em seis meses, o mercado começou a questionar até onde vai o fôlego das ações da Gerdau (GGBR4).
O Itaú BBA decidiu tirar o “selo de compra” da siderúrgica e rebaixou a recomendação para market perform (equivalente à neutra), mantendo o preço-alvo de R$ 24 para o fim de 2026.
Segundo os analistas, o principal gatilho para a revisão foi valuation. Depois da forte valorização recente, o espaço para novas altas ficou mais equilibrado diante dos riscos de execução e das incertezas macroeconômicas.
Além disso, o fluxo de caixa livre (FCF) projetado para os próximos anos é considerado “decente”, mas não suficiente para sustentar uma recomendação mais construtiva neste momento.
O banco estima um yield de FCF ao redor de 6% em 2026 — o melhor entre as siderúrgicas da América Latina —, mas avalia que essa vantagem já está refletida nos preços.
O ponto de preocupação com a Gerdau (GGBR4)
Para o Itaú BBA, o Brasil segue como principal ponto de preocupação para a Gerdau (GGBR4).
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A rentabilidade continua pressionada por concorrência acirrada de produtos importados e aumento de capacidade por dois concorrentes locais, avaliou o banco.
Os resultados do quarto trimestre de 2025 e o guidance (projeção) para o primeiro trimestre de 2026 reforçaram a fraqueza do ambiente, com compressão de margens diante de volumes e mix mais fracos e custos mais elevados, disse o banco.
Mesmo com eventuais reajustes pontuais de preços, o Itaú BBA avalia que o cenário no curto prazo é mais de desgaste do que de recuperação.
O suporte para os resultados
O Itaú BBA estima que a economia de cerca de R$ 400 milhões com o avanço do projeto Miguel Burnier, a partir do segundo semestre de 2026, deve sustentar a margem Ebitda da divisão brasileira próxima de 10% no ano.
Segundo o banco, a América do Norte continua sendo o principal suporte dos resultados. A combinação de sazonalidade favorável e preços mais altos do aço deve elevar os spreads no primeiro trimestre de 2026, com margens Ebitda acima de 23% na região.
O melhor desempenho nos Estados Unidos compensou a revisão para baixo no Brasil e manteve estável a projeção de Ebitda consolidado.
O Itaú BBA aponta, porém, que há incertezas na revisão do USMCA, que podem pressionar preços do aço nos EUA, e uma parada de 40 a 50 dias na unidade de Midlothian no segundo semestre de 2026 para concluir a primeira fase da expansão.
Um catalisador para as ações GGBR4
O Itaú BBA avalia que uma eventual listagem das operações da Gerdau nos Estados Unidos seria o catalisador mais claro para destravar valor.
Pelos cálculos do banco, o múltiplo implícito de valor de firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) das operações norte-americanas da companhia está entre 4,0 vezes e 4,5 vezes, cerca de 50% a 55% abaixo da média de empresas americanas como Nucor e Steel Dynamics.
Segundo os analistas, a listagem poderia ampliar a base de investidores e reduzir esse desconto.
Outra possível fonte de geração de valor seria a venda de ativos florestais não essenciais, disse o BBA.
A companhia possui cerca de 220 mil hectares de terras, principalmente em Minas Gerais. Na estimativa do banco, a venda de 50 mil hectares produtivos poderia levantar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão — montante que ainda não está nas contas dos analistas.
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