Gerdau (GGBR4) tem resultados estáveis, mas ações caem no Ibovespa — operação no Brasil está com margens “em crise”
Enquanto a operação nos EUA se manteve forte e resiliente, o lado brasileiro foi "notavelmente fraco", avaliam os analistas do BTG Pactual

A Gerdau (GGBR4) reportou números ligeiramente estáveis no quarto trimestre de 2025, um pouco abaixo das expectativas dos analistas. No entanto, as ações da maior produtora de aço do Brasil estão entre as maiores quedas do Ibovespa hoje (24). O que explica esse movimento?
Por volta das 12h, as ações GGBR4 estão em baixa de 3,70%, enquanto os papéis da Metalúrgica Gerdau GOAU4 caem 3,70%.
O problema foi a disparidade entre os resultados dos Estados Unidos e do Brasil, algo que já vem ocorrendo há alguns trimestres. "Vimos novamente um desempenho misto entre as diferentes regiões", diz o BB Investimentos.
Enquanto a operação nos EUA se manteve forte e resiliente, o lado brasileiro foi "notavelmente fraco", avaliam os analistas do BTG Pactual.
Força da Gerdau vem dos EUA
"Operacionalmente, os Estados Unidos foram novamente um destaque positivo do trimestre, com as margens de EBITDA chegando a 21,1%, acima da nossa projeção de 20,8%", escrevem os especialistas do BTG.
O país seguiu se beneficiando da demanda aquecida por aço, em parte sustentado pela maior competitividade da matéria-prima local, já que o produto importado permanece sujeito a uma tarifa de importação de 50% desde junho do ano passado.
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Hoje, mais de 70% da rentabilidade da empresa vem da sua operação norte-americana, o que pode até ser uma vantagem competitiva em relação aos pares brasileiros. Nos EUA, o Ebitda foi de R$ 1,8 bilhão, alta de 2%, com margem de 21%.
"Continuamos vendo a Gerdau como uma siderúrgica de primeira linha na América Latina. Sua exposição aos Estados Unidos tem se mostrado um importante fator de diversificação, e esperamos que esse negócio permaneça resiliente, com margens sustentadas acima de 20%, diz o BTG Pactual.
E essa vantagem deve se manter nos próximos trimestres. "Olhando para o 1T26, acreditamos que a América do Norte continuará ditando o ritmo, com preços mais altos sustentando novos aumentos nos spreads metálicos", de acordo com relatório do Itaú BBA.
Brasil fraco, com margens em crise
Já as margens no Brasil foram de 7% no trimestre, bastante abaixo dos 18,5% do mesmo período do ano anterior, um patamar de "crise", diz o BTG. De acordo com o Itaú, é a menor margem dos últimos 10 anos.
O Ebtida despencou para R$ 509 milhões, queda de 33% em relação ao trimestre anterior e 65% em relação ao mesmo período do ano passado.
Parte dessa queda veio de uma redução nos embarques, da maior competição com a matéria-prima importada e dos custos maiores de manutenção, que devem ser menores no primeiro trimestre deste ano. O último trimestre do ano também é mais fraco sazonalmente.
Além disso, a empresa anunciou um impairment de seus ativos brasileiros, ou seja, uma reavaliação do seu patrimônio, de R$ 2 bilhões. Essa mudança não tem efeito no caixa da empresa, mas é um indicativo que o mercado continua desafiador.
As operações na América do Sul tiveram Ebitda de R$ 174 milhões, queda de 26% no trimestre e de 23% no ano, com margens de 11,7%.
Como foram os resultados da Gerdau
A Gerdau registrou lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), resultado praticamente estável em relação ao mesmo período de 2024, quando havia somado R$ 666 milhões — leve alta de 0,5%.
No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado totalizou R$ 3,38 bilhões, queda de 21,1% frente aos R$ 4,29 bilhões registrados em 2024.
As vendas de aço atingiram 2,86 milhões de toneladas no 4T25, avanço de 5,2% na comparação anual. No ano, o volume vendido cresceu 5,9%, para 11,63 milhões de toneladas.
O fluxo de caixa livre aumentou 13%, principalmente por eventos extraordinários.
A receita líquida somou R$ 17,0 bilhões no trimestre, alta de 0,9% em relação ao 4T24. Em 2025, a receita alcançou R$ 69,9 bilhões, crescimento de 4,2% ante 2024.
O que fazer com a ação agora?
Após uma trajetória consistente de alta, que levou as ações às máximas históricas em janeiro/26, os papéis GGBR4 passaram por uma correção em fevereiro, na contramão do Ibovespa, diz o BB Investimentos.
O banco tem recomendação de compra para GGBR4, com preço-alvo de R$ 22,00. O Itaú BBA também tem recomendação e compra, mas alvo de R$ 24.
Já a recomendação do BTG é neutra, com preço-alvo de R$ 21,64.
Com Money Times
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