Dona de Jeep e Fiat em apuros: Stellantis despenca na bolsa após suspender dividendos e fechar 2025 no prejuízo
Para 2026, a gigante automobilística busca um aumento na receita líquida e na margem ajustada de lucro operacional; UBS diz se a ação ainda vale a pena

A dona das marcas Jeep e Fiat está na rota da reestruturação, e não vem sendo uma estrada fácil. A Stellantis divulgou nesta sexta-feira (6) que as mudanças realizadas no último ano resultaram em custos de 22,2 bilhões de euros (R$ 137,3 bilhões). Os investidores reagiram ao anúncio colocando pressão nas ações, que caíam 24,58%, a US$ 7,20, na bolsa de Nova York, por volta das 15h15 (horário de Brasília).
E as notícias ruins não pararam aí: para preservar o balanço patrimonial, a fabricante de automóveis também anunciou a suspensão dos dividendos para 2026 e antecipou um prejuízo líquido para 2025.
A Stellantis está programada para publicar seus resultados completos de 2025 em 26 de fevereiro.
"As cobranças anunciadas hoje refletem em grande parte o custo de superestimar o ritmo da transição energética que nos afastou das necessidades, meios e desejos reais de muitos compradores de carros", disse Antonio Filosa, atual CEO da Stellantis, em um comunicado.
"Eles também refletem o impacto da execução operacional precária anterior, cujos efeitos estão sendo progressivamente abordados por nossa nova equipe”, completou.
Após o anúncio, analistas do UBS avaliaram que, considerando a "magnitude do desastre" e a orientação branda para 2026, a reação negativa no preço das ações era esperada.
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Porém, eles entendem que a “limpeza decisiva" da nova administração e os sólidos fundamentos do mercado regional deixam a ação atraente.
O que vem pelo caminho da empresa agora?
Apesar de estar recalculando a rota, a empresa afirmou que continuará na vanguarda do desenvolvimento de veículos elétricos.
Porém, segundo o CEO, a jornada no setor elétrico da Stellantis seguirá "um ritmo governado pela demanda, e não pelo comando".
Além disso, para 2026, a gigante automobilística busca um aumento na receita líquida e na margem ajustada de lucro operacional.
A empresa também informou que, considerando o prejuízo líquido em 2025, planeja levantar até 5 bilhões de euros emitindo títulos híbridos.
O anúncio veio junto com a notícia de que a Stellantis vai se desfazer de sua participação na NextStar Energy, uma joint venture com a LG Energy Solution que construiu e operou uma fábrica de baterias no Canadá.
De acordo com o que foi informado ao mercado, a LG Energy Solution assumirá os 49% da participação da Stellantis. A joint venture fazia parte da estratégia mais ampla no setor de veículos elétricos da montadora.
Agora, a empresa está prestes a apresentar uma estratégia atualizada de longo prazo, que será divulgada em maio. Filosa já adiantou que 2026 será o "ano da execução" para a companhia.
As dores de cabeça da Stellantis
Em 2022, o ex-CEO Carlos Tavares estabeleceu a meta de que 100% das vendas na Europa e 50% das vendas nos EUA fossem veículos elétricos a bateria até o final da década.
Porém, ao final de 2024, Tavares deixou o cargo. Segundo documento divulgado ao mercado, a decisão foi tomada por conta de “diferentes visões” entre o conselho de diretores e o executivo sobre o futuro da fabricante.
Desde então, a empresa decidiu reduzir a marcha do seu projeto de carros elétricos. Isso porque, em meio à popularidade dos automóveis chineses na Europa e a queda nas vendas nos EUA, a Stellantis vem registrando resultados decepcionantes há vários anos.
Já em 2025, a montadora passou por uma série de mudanças, entrando na rota da reestruturação. Entre as alterações, a empresa realizou o "maior investimento na história da Stellantis nos EUA", que totalizou US$ 13 bilhões em quatro anos.
Além disso, lançou 10 novos produtos, cancelou produtos que não poderiam gerar lucro em escala e reestruturou as capacidades globais de manufatura e gestão de qualidade.
Sob a campanha de investimentos dos EUA, a Stellantis afirmou que adicionará cinco mil empregos à sua força de trabalho norte-americana.
Porém, isso pode não ser o suficiente para a Stellantis sair da estrada esburacada. Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, avalia que, embora a empresa tenha feito uma "aposta mal calculada" em veículos elétricos, o argumento de que compradores não querem esses produtos não está colando muito.
"O sucesso de empresas como a BYD sugere que há muitas pessoas dispostas a dar esse salto. Isso levanta a questão de saber se a frustração da Stellantis com as vendas de veículos elétricos está ligada a problemas de mercado ou se os motoristas simplesmente não gostam dos veículos deles", ponderou.
*Com informações da CNBC
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