Depois do IPO, vale investir? BB Investimentos inicia cobertura de PicPay com recomendação de compra e potencial de alta de 32%
Enquanto algumas empresas no estágio de abertura de capital ainda estão queimando caixa para crescer, essa não é a história do PicPay, diz o BB Investimentos, e ROE pode chegar ao nível do de grandes bancos nos próximos anos

Quase um mês depois da abertura de capital na Nasdaq, a ação do PicPay (PICS) está em queda de 14%. Em fevereiro até agora, a queda é de 6,61%. Mesmo assim, há uma oportunidade para ganhar até 32% até o fim do ano, diz o BB Investimentos, que iniciou a cobertura da ação com recomendação de compra.
Criado em 2012 e comprado em 2015 pela holding J&F, dos irmãos Batista, o PicPay hoje conta com 66 milhões de usuários cadastrados e se posiciona como o 2º maior banco digital do país em número de clientes. Está atrás apenas do Nubank nesse critério, que também tem as ações negociadas lá fora.
Enquanto algumas empresas no estágio de abertura de capital ainda estão queimando caixa para crescer, essa não é a história do PicPay, diz o BB Investimentos.
A instituição apurou lucro líquido de R$ 313,8 milhões nos primeiros nove meses de 2025, com uma receita bruta total de R$ 7,26 bilhões nos 9M25 e ROE de 17,4% nos últimos 12 meses.
Essa rentabilidade, pouco abaixo dos 20% a 30% dos grandes bancos, "comprova que consegue entregar rentabilidade elevada mesmo cobrando menos tarifas — graças ao modelo leve", diz o relatório, assinado pelo analista Rafael Reis.
O preço-alvo para o banco é de US$ 20,40, 32% de potencial valorização relativo ao preço do último fechamento.
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Por enquanto, a companhia ainda não tem BDR, recibos de ações negociados no mercado brasileiro. Ou seja, está disponível para negociação apenas nos EUA, sob o código PICS.
Como o PicPay vai usar o dinheiro do IPO
O banco, assim como outros, já tinha planos de abrir o capital em 2021, mas acabou adiando os projetos pela falta de condições favoráveis nos últimos anos.
A oferta de ações na Nasdaq rendeu R$ 500 milhões ao PicPay, que serão usados para reforçar o capital e a expansão de crédito e investir em novas oportunidades de crescimento. Além disso, estima-se que R$ 620 milhões serão usados para concluir a compra da Kovr, uma insurtech (fintech de seguros) que irá fortalecer a prateleira com ofertas de seguros.
Concentração bancária
Entre os fatores que podem impulsionar o PicPay, está a concentração bancária. Ainda que o Brasil seja um dos maiores mercados financeiros do mundo, ainda há uma grande concentração de lucro entre os cinco maiores bancos.
"O PicPay nos parece bem posicionado para essa disrupção: sua estrutura de custos é muito menor que a dos bancos legados, o que lhe permite oferecer serviços a custos bem menores, atraindo milhões de clientes", diz o BB em relatório.
A adoção digital, o uso do Pix e outras inovações tecnológicas também beneficiam o nativo digital.
No entanto, mudanças de regras tanto para produtos digitais quanto regulamentações mais macro podem afetar significativamente o modelo de negócios não só do PicPay mas também de outras instituições.
Além disso, o PicPay não é a única fintech forte no mercado, e mesmo os grandes bancos vêm aprimorando seus apps e ecossistemas. Isso melhora a experiência do consumidor, mas aumenta a concorrência.
- Leia também: PicPay (PICS) desaba 18% desde o IPO: cilada ou oportunidade de compra? Citi dá o veredito
Novos produtos, novos riscos
O PicPay ainda tem uma receita média por cliente baixa em relação a outras instituições, de R$ 65 por trimestre versus R$ 120 a R$ 150 dos mais consolidados.
Com a adição de novos produtos, essa receita tende a subir. Mais da metade dos clientes ainda não usa crédito do banco, com baixa contratação de produtos de maior margem, como seguros.
"O PicPay pode praticamente dobrar receitas apenas aprofundando o relacionamento com a base existente, o que consideramos altamente factível diante das tendências atuais."
No entanto, a expansão de crédito sempre carrega o mesmo risco: inadimplência. Embora 50% da carteira hoje seja em créditos com garantia, cenários macroeconômicos mais adversos também podem afetar esse histórico. Além disso, a empresa atua em subsegmentos de maior risco, como jovens sem histórico de crédito, público desbancarizado.
Além da inadimplência, cresceria também o custo de crédito, ou seja, as despesas com provisões para calotes. Essa conta cresceu substancialmente em 2024, embora tenha se mantido relativamente estável nos últimos trimestres.
E os indicadores de custo de crédito e inadimplência, justamente por ser uma carteira em expansão, ainda não estão estabilizados. "Pelo fato de o protagonismo do crédito ser algo relativamente novo, este item está sujeito à grande volatilidade e sensibilidade", diz o relatório.
A expectativa é que a carteira cresça 103% em 2025 ante o ano anterior e 40% em 2026, decrescendo 5% nos anos seguintes, até chegar a um crescimento de 20% em 2030 e uma carteira de quase R$ 80 bilhões.
E quais são as perspectivas de crescimento do lucro e ROE do PicPay?
Após o ponto de equilíbrio em 2023, o lucro está positivo, mas sem crescimento sequencial. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido, principal métrica para mensuração da rentabilidade de um banco ou fintech) “também não parece evoluir, apesar de já se encontrar em patamar sólido”, diz o relatório.
Mesmo assim, a análise assume que a empresa seguirá crescendo acima do setor bancário tradicional, mas em ritmo decrescente conforme sua escala aumenta
O lucro líquido, estimado para R$ 455 milhões em 2025, deve chegar em R$ 3,61 bilhões em 2030, estima o BB Investimentos, com ROAE de 26,4%.
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