J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
JF pede registro de companhia aberta na CVM para ampliar acesso a dívida, reforçar governança e acelerar a transformação em conglomerado global

A J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, busca um registro de companhia aberta para ampliar seu acesso ao mercado de dívida. Essa mudança faz parte de seu plano para deixar de ser apenas uma holding de investimentos e se tornar um dos maiores conglomerados do mundo.
A companhia entrou com um pedido de registro para companhia aberta na categoria B na Comissão de Valores Imobiliários (CVM). O pedido, aberto no último dia 14, está em análise, segundo o site da CVM.
A holding controla empresas como a gigante multinacional de proteínas JBS, a Âmbar Energia, a Eldorado Brasil Celulose e a Flora, de higiene e cosméticos.
Isso não significa que a holding terá ações negociadas na bolsa de valores. A categoria é voltada para empresas interessadas em captar recursos via dívida corporativa, como debêntures.
Para a companhia dos irmãos Batista, é um passo relevante de governança. O registro na CVM a obriga a cumprir uma série de obrigações, como a divulgação trimestral de resultados e o formulário de referência, com detalhes sobre riscos para a companhia.
A companhia já emite dívida no Brasil: em 2024, por exemplo, captou R$ 1 bilhão em debêntures com investidores profissionais.
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Os planos para fortalecer a J&F
Fortalecer a empresa no acesso ao mercado de capitais já fazia parte dos objetivos. Em fevereiro, a J&F divulgou seu plano de reestruturação para deixar de ser apenas uma holding de investimentos para se tornar um dos maiores conglomerados industriais do mundo.
A primeira mudança foi em seu nome: ela deixou de se chamar J&F Investimentos para ser a nova J&F S.A..
E ela já nasce gigante, om operações em mais de 20 países e cerca de 297 mil colaboradores, dos quais 180 mil estão no Brasil.
- LEIA TAMBÉM: Novo CEO, novas preocupações: o desafio de Wesley Batista Filho na liderança global da JBS (JBSS32)
No primeiro trimestre do ano, a J&F divulgou uma receita líquida consolidada de R$ 119,6 bilhões, expansão de 1,8% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. O Ebitda ajustado consolidado totalizou R$ 7,8 bilhões.
Outra mudança inclui a incorporação dos negócios 100% controlados, a começar pela Âmbar Energia. Com exceção da JBS, todas as demais companhias totalmente controladas devem ser incorporadas pela holding.
Assim, ela passa a controlar operações e a ter diversas fontes de receitas, organizada em cinco unidades de negócio: Energia (Âmbar), Higiene e Cosméticos (Flora), Celulose (Eldorado Brasil), Mineração (Lhg Mining), e Alimentos (JBS).
O objetivo é mitigar riscos de cada negócio separadamente, com diversas fontes de receita, e melhorar as condições oferecidas ao captar recursos.
Na ocasião, a empresa também fortaleceu sua governança com um novo conselho de administração e um conselho fiscal com três membros independentes.
“Estamos criando uma empresa mais forte e com maior potencial de criação de valor, ao mesmo tempo em que mantemos os times de cada negócio focados no desempenho operacional”, afirmou Aguinaldo Filho, presidente da J&F S.A., em comunicado de fevereiro.
Ainda que cada operação de negócio funcione de maneira separada, a ideia é fazer a gestão financeira de forma centralizada.
Isso permite uma melhor alocação de capital entre todos os segmentos em que atua, diz a empresa.
Aquisições da J&F
A companhia também está avançando por outras avenidas. Em março, a holding comprou 90% da Logás, empresa que atua na logística e distribuição multimodal de gás, que leva o combustível para locais sem acesso a gasodutos.
No início deste ano, a fintech PicPay abriu capital na Nasdaq. com oferta de US$ 500 milhões.
Já há pouco menos de um ano, a J&F comprou a participação da Eletrobras (ELET3) na Eletronuclear por R$ 535 milhões e estreou no setor de energia nuclear.
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