JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
JBS fecha capital no Brasil e J&F busca registro na CVM; veja o impacto para debêntures, BDRs JBSS32 e o acesso do investidor à renda fixa

A J&F e sua subsidiária, a JBS, anunciaram duas mudanças ontem (22) envolvendo seus registros na CVM, a Comissão de Valores Mobiliários.
Enquanto a holding J&F pediu um registro de companhia aberta, a JBS vai se tornar uma empresa de capital fechado no Brasil.
Entenda o que esses anúncios significam para quem investe em ações e em debêntures das companhias.
O que muda para o investidor de JBS
O pedido da JBS foi para cancelar o seu registro como emissora de valores mobiliários categoria A. Ela irá fechar seu capital por aqui e deixará de poder emitir ações.
A JBS já não tem ações negociadas na B3, a bolsa de valores brasileira, desde junho do ano passado. Ela é acessível aos investidores por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), recibos de ações estrangeiras negociados por aqui, sob o código JBSS32.
Suas ações deixaram a bolsa brasileira depois que a companhia passou a ser listada em Nova York, na Nyse, pelo código JBS.
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Então, para o investidor das ações estrangeiras ou das BDRs, nada muda.
Aliás, a sua transformação também passa pela mudança de estrutura acionária: a JBS S.A. passou a ser controlada pela JBS N.V., com sede nos EUA e nos Países Baixos.
A principal mudança é para os debenturistas da JBS. Como a empresa passará a ser fechada, esses papéis terão regras mais rigorosas: a negociação será permitida apenas entre investidores profissionais, com patrimônio superior a R$ 10 milhões ou certificações específicas.
Essas novas regras serão formalmente incluídas na Escritura de Emissão por meio de um aditivo.
- Leia também: BDRs de Nubank, XP, Inter e JBS podem ganhar espaço no Ibovespa; entenda por que isso importa
O plano na JBS para conquistar os gringos
Desde sua listagem em Nova York, a gigante de proteínas busca se tornar cada vez mais relevante para o investidor estrangeiro.
Com aquisições e mudanças de governança, ela pode ampliar sua vocação para índices mais abrangentes do mercado acionário dos EUA, justamente um dos pontos centrais da estratégia da companhia.
A JBS passou recentemente a integrar os índices Russell 1000 e Russell 3000, de small caps. O próximo degrau para a empresa é ser incluída no índice S&P MidCap 400 (S&P 400), um intermediário antes de buscar um lugar no cobiçado S&P 500, que inclui as empresas mais capitalizadas do mercado norte-americano.
O que muda para a J&F
Já a J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, busca um registro de companhia aberta para ampliar seu acesso ao mercado de dívida.
A companhia entrou com um pedido de registro para companhia aberta na categoria B na Comissão de Valores Imobiliários (CVM). O pedido, aberto no último dia 14, está em análise, segundo o site da CVM.
Isso não significa que a holding terá ações negociadas na bolsa de valores. A categoria B é voltada para empresas interessadas em captar recursos via dívida corporativa, como debêntures.
Ainda não é possível investir na J&F para o investidor comum pessoa física.
A emissão de debêntures que a holding fez em 2024, de R$ 1 bilhão, foi voltada apenas para investidores profissionais, e ela não tem emissões em aberto ou em desenvolvimento.
Essa mudança faz parte de seu plano para deixar de ser apenas uma holding de investimentos e se tornar um dos maiores conglomerados do mundo.
A holding controla empresas como a gigante multinacional de proteínas JBS, a Âmbar Energia, a Eldorado Brasil Celulose e a Flora, de higiene e cosméticos.
A primeira mudança foi em seu nome: ela deixou de se chamar J&F Investimentos para ser a nova J&F S.A..
E ela já nasce gigante, om operações em mais de 20 países e cerca de 297 mil colaboradores, dos quais 180 mil estão no Brasil.
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