Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
UBS BB elevou o preço-alvo dos papéis da estatal e projeta dividend yield, o retorno dos dividendos, de 10% a 14% até 2027; entenda o que isso significa para você

Imagine uma empresa que fatura menos do que poderia na área mais visível ao consumidor — os postos de gasolina — mas que, ainda assim, ganha dinheiro suficiente para prometer aos seus acionistas um dos maiores retornos em dividendos do mundo. É basicamente esse o retrato que o UBS BB traçou da Petrobras (PETR4).
O banco suíço subiu o preço-alvo de PETR3 e PETR4 de R$ 60 para R$ 62 por ação, e o dos ADRs, as ações da estatal negociadas em Nova York, de US$ 22,00 para US$ 23,00.
Considerando os valores de fechamento na B3 e na Nyse na véspera do relatório, os novos valores representam potenciais de valorização relevante, de 28,3% e 21,5%, respectivamente, — sem contar os dividendos.
A recomendação segue sendo compra para as ações da estatal.
Dividendos: entre mais generosas do mundo
Esse é talvez o ponto mais interessante do relatório para quem investe pensando em renda passiva: o UBS BB projeta um dividend yield (retorno de dividendos) líquido de 10% a 11% para 2026, subindo para 13% a 14% em 2027 — mesmo depois da forte alta das ações da companhia neste ano (+70%).
Segundo o banco, esse nível está entre os mais elevados do setor de óleo e gás no mundo. Em números absolutos, o UBS BB espera dividendo por ação de R$ 5,07 em 2026 e R$ 6,60 em 2027.
Leia Também
Para efeito de comparação, olhando a tabela de projeções do banco, o dividend yield sobe de forma consistente até 2030, quando pode chegar a 15,3%.
| Dividend yield (líquido) | 2026 | 2027 | 2028 | 2029 | 2030 |
|---|---|---|---|---|---|
| 10,5% | 13,7% | 13,0% | 14,5% | 15,3% |
Leia também:
- Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
- Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
A tese em duas camadas
O UBS BB resume a tese de investimento da Petrobras em duas camadas, da dinâmica macro à execução micro.
Na prática, isso significa que, pelo lado macro, o petróleo Brent, usado como referência no mercado internacional, ajuda.
O banco projeta Brent a US$ 85 e US$ 80 por barril no terceiro e quarto trimestres deste ano, respectivamente, e US$ 75 a partir de 2027. Nesta quarta-feira (23), o Brent voltou a ser cotado acima de US$ 100 o barril por conta dos conflitos envolvendo o Irã.
Como é exportadora líquida — cerca de 40% da produção vai para o exterior —, a Petrobras se beneficia diretamente de um petróleo mais caro lá fora, sem sofrer tanto com os conflitos no Oriente Médio que atrapalharam outros players.
Pelo lado micro, a produção tem surpreendido positivamente. A estatal bateu recorde em agosto, produzindo 2,89 milhões de barris por dia, e o UBS BB elevou a estimativa de produção para 2,73 milhões de barris por dia em 2026 — bem acima da própria meta da empresa, de 2,50 milhões.
O ponto fraco da Petrobras
Desde o início do conflito no Oriente Médio, o petróleo disparou, flertando com os US$ 120 o barril, mas o Brasil segurou os preços na bomba com subsídios e cortes de impostos — o país está entre os 20 de 130 nações com menor repasse desde então.
O problema é que essa política de preços represados faz a Petrobras perder terreno frente aos concorrentes globais.
No segundo trimestre deste ano, a companhia foi a única entre os pares analisados pelo UBS BB a registrar queda trimestral na geração de caixa por barril refinado (Ebitda/bbl) — uma retração de 14%, enquanto rivais como Shell, BP e Repsol cresciam entre 25% e 150% na mesma métrica.
Segundo os cálculos do banco, se a Petrobras tivesse capturado integralmente os preços internacionais no segundo trimestre, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do downstream (refino e distribuição) teria ficado entre US$ 5,5 bilhões e US$ 6,5 bilhões, ante os US$ 3,5 bilhões efetivamente reportados.
Essa diferença que teria adicionado entre 0,5 e 0,7 ponto percentual ao dividend yield do trimestre.
Ainda assim, o UBS BB pondera: o ganho da produção e da exportação de petróleo mais do que compensa essa perda no refino, o que sustenta a visão positiva geral do banco.
O que pode travar essa conta
O capex (investimentos) é o principal risco à tese, segundo o UBS BB. A estimativa do banco para os investimentos da companhia está cerca de 10% acima do guidance oficial — US$ 18,6 bilhões em 2026 e US$ 19,6 bilhões em 2027 —, refletindo a disposição da diretoria de aproveitar o caixa extraordinário gerado pela alta da produção e dos preços.
O relatório lista mais de dez frentes que podem pressionar ainda mais os investimentos a partir de 2027 — da recapitalização da Braskem a projetos internacionais no México, Venezuela, Bolívia e África, passando por expansão do refino, uma possível recompra da refinaria Mataripe, volta à distribuição de combustíveis, biorrefino, etanol, fertilizantes e até terras raras.
O UBS BB destaca que a alocação de capital da Petrobras é justamente a grande dúvida dos investidores às vésperas das eleições presidenciais, com primeiro turno em 4 de outubro.
UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA