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O último recurso: Oncoclínicas (ONCO3) pede recuperação extrajudicial e tenta se salvar de dívida de R$ 5,1 bilhões

Após meses de deterioração financeira, negociações frustradas e mudança na governança, companhia inicia processo para renegociar a dívida com os credores

Fachada da Oncoclínicas (ONCO3).
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3). - Imagem: Divulgação

A Oncoclínicas (ONCO3) informou, na manhã desta terça-feira (14), que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial (RE) como parte do processo de reestruturação de sua dívida financeira, estimada em aproximadamente R$ 5,1 bilhões.

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Em fato relevante, a empresa informou que já conta com a adesão de credores detentores de aproximadamente 37% dos créditos abrangidos pelo plano, percentual suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial.

No entanto, esse apoio ainda não basta para que o plano seja homologado pela Justiça. Pela legislação, a Oncoclínicas terá 90 dias para obter a adesão de credores que representem mais de 50% do valor total dos créditos sujeitos à recuperação.

Atingido esse quórum e homologado o plano, as novas condições de pagamento passam a valer para 100% dos credores abrangidos, inclusive aqueles que votarem contra ou não aderirem ao acordo.

O que prevê o plano

De acordo com a Oncoclínicas, o plano de recuperação poderá incluir uma série de medidas, entre elas:

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  • Capitalização da empresa pelos acionistas;
  • Conversão de parte da dívida em ações;
  • Substituição de parte dos débitos por novas dívidas;
  • Alongamento do cronograma de amortização das obrigações financeiras.

Operação segue normalmente e rescisão de contratos

A companhia afirmou que a recuperação extrajudicial não abrangerá as obrigações operacionais correntes com clientes, fornecedores e demais parceiros, que continuarão sendo pagas normalmente.

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Como parte das medidas de reestruturação, a Oncoclínicas informou que rescindiu dois contratos de locação built-to-suit por meio de subsidiárias.

O primeiro envolve um imóvel localizado na Avenida Angélica, em São Paulo, que tem multa por rescisão estimada em R$ 76 milhões e foi incluída entre os créditos abrangidos pela recuperação extrajudicial.

O segundo refere-se a um projeto de hospital em Goiânia (GO). Nesse caso, a multa ainda está sendo apurada e permanece incerta e ilíquida.

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A Oncoclínicas informou ainda que o pedido de RE foi aprovado por unanimidade pelo seu conselho de administração e será submetido posteriormente à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária, que será convocada.

O histórico da crise da Oncoclínicas

A Oncoclínicas enfrenta problemas financeiros decorrentes de uma expansão malsucedida. Em meio à investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.

Nascida em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio.

No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

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Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

Nos últimos anos, o mercado passou a questionar a velocidade de consumo de caixa, a estrutura de capital e algumas decisões estratégicas adotadas pela empresa. 

entrada de sócios controversos, como o Banco Master, o aumento da alavancagem e as mudanças recentes no alto escalão contribuíram para deteriorar a percepção de risco em torno da companhia. 

Na tentativa de evitar um processo de reestruturação mais profundo, a Oncoclínicas chegou a negociar uma operação com a Fleury (FLRY3) e a Porto (PSSA3) para a criação de uma nova companhia.

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O mercado enxergava o negócio como a principal alternativa para reequilibrar a estrutura financeira da companhia, que receberia que receberia um investimento de cerca de R$ 500 milhões da dupla com quem estava negociando. As negociações, no entanto, fracassaram.

Para evitar um colapso, a empresa obteve um financiamento emergencial com a Lumina Capital e a MAK Capital. Como condição, houve uma mudança profunda na liderança: o fundador Bruno Ferrari deixou seu assento no conselho de administração e o executivo Marcelo Gasparino renunciou à presidência do colegiado, abrindo espaço para novos membros indicados pelos credores.

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