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Banco aponta spreads baixos, queima de caixa acelerando e avalia que Petrobras dificilmente fará aporte para evitar impacto na política de dividendos

Depois de uma recente arrancada na bolsa, a maré virou para a Braskem (BRKM5). O Citi decidiu apertar o freio e rebaixou a recomendação da ação de neutra/alto risco para venda/alto risco, mantendo o preço-alvo em R$ 8
O mercado reagiu mal: as ações da petroquímica figuram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta quarta-feira (18). Por volta das 17h35 (horário de Brasília), BRKM5 caía 2,15%, a R$ 9,57.
Segundo o banco, a mudança de recomendação vem após a recente alta dos papéis — mais de 15% no último mês —, combinada com a expectativa de resultados fracos e incertezas sobre a estrutura de capital da companhia.
Entre os pontos de atenção citados estão um eventual aumento de capital, uma possível renegociação de dívida e até um pedido de recuperação extrajudicial.
Além disso, o Citi não vê melhora nos spreads petroquímicos no curto e médio prazo — ou seja, a diferença entre o custo para produzir e o preço de venda dos produtos deve continuar apertada. Isso significa margens pressionadas e menos espaço para a empresa melhorar seus resultados nos próximos trimestres.
De acordo com o banco, os fundamentos globais da indústria petroquímica continuaram fracos em janeiro e no início de fevereiro de 2026, com ampla oferta nas principais cadeias produtivas.
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“No entanto, ao longo do período, aparentemente os produtores conseguiram elevar seus preços de forma mais gradual, refletindo principalmente preocupações com a oferta nos Estados Unidos relacionadas às tempestades de inverno”, afirmou o Citi.
O Citi atualizou o modelo para a Braskem incorporando as novas estimativas macroeconômicas e dados de spreads petroquímicos.
Com isso, a expectativa é que a Braskem apresente um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), indicador usado pelo mercado para medir a geração de caixa operacional, fraco no quarto trimestre de 2025 e ao longo de 2026.
A projeção reflete, principalmente, spreads mais baixos, além das incertezas sobre o cenário econômico global e do ambiente de forte concorrência na indústria petroquímica.
A Braskem irá divulgar o balanço referente ao quarto trimestre de 2025 no dia 26 de março.
Enquanto isso, a companhia pode continuar em trajetória de queima de caixa, elevando os riscos para sua estrutura de capital nos próximos períodos, vê o Citi.
“Destacamos que o potencial aumento dos benefícios do Reiq [Regime Especial da Indústria Química, que garante alguns benefícios fiscais] deve ajudar a empresa, embora possa não alterar o cenário de queima de caixa. Esperamos um efeito positivo de US$ 0,2 bilhão no Ebitda estimado para 2026 relacionado ao possível aumento do benefício do Reiq, já incorporado às nossas projeções”, dizem os analistas.
Na visão do banco, a Braskem ainda possui posição de caixa robusta, mas há uma aceleração na queima de caixa das operações recorrentes, indicando que a preocupação dos investidores com uma possível injeção de capital ou desconto na dívida deve aumentar no curto prazo.
Em relação a uma eventual solução para a estrutura de capital da Braskem, o Citi avalia que é pouco provável que a Petrobras (PETR4) faça um aporte na petroquímica.
Segundo o banco, caso aumente sua participação na empresa, a estatal teria de consolidar os números da Braskem em seu balanço. Isso elevaria a dívida bruta da Petrobras para acima de US$ 75 bilhões — patamar que funciona como limite para a manutenção da atual política de dividendos, que prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre (FCF).
“Enquanto isso, acreditamos que a empresa e seus acionistas estão avançando nas avaliações para apresentar um plano de reestruturação de capital nos próximos períodos”, dizem os analistas.
*Com informações do Money Times
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