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Pacote do governo prevê desoneração de R$ 15,9 bilhões no diesel e imposto de 12% sobre exportações de petróleo; analistas veem impacto relevante para exportadoras

O governo decidiu agir rapidamente para evitar que a disparada do petróleo — atualmente na casa de US$ 102 por barril — provoque impactos ainda maiores sobre a economia. Para isso, a equipe econômica anunciou a redução do imposto federal sobre o diesel, em uma medida com impacto estimado em R$ 15,9 bilhões, segundo cálculos da XP.
Na prática, a decisão elimina os dois únicos impostos federais atualmente cobrados sobre o combustível, o que representa uma redução de R$ 0,32 por litro.
Além disso, foi criada uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores de diesel, valor que deverá ser repassado ao consumidor final. Somadas, as duas iniciativas têm potencial para gerar um alívio de até R$ 0,64 por litro nas bombas.
Segundo o Bradesco BBI, a medida afeta diretamente duas exportadoras listadas na bolsa: Prio (PRIO3) e Brava Energia (BRAV3).
As duas companhias vinham sendo apontadas como as mais bem posicionadas para capturar a alta do petróleo, justamente por conta do salto recente da commodity.
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Mesmo assim, o mercado já reagiu: em cinco sessões, as ações da Prio acumulam queda de 4,37%, enquanto os papéis da Brava recuam 9%.
Nas estimativas do BBI, considerando um cenário de Brent a US$ 80 por barril e vigência da medida por dez meses, os cálculos preliminares apontam redução de aproximadamente 15% no Ebitda — indicador que mede o resultado operacional — de Prio e Brava.
Para a Petrobras (PETR4), por outro lado, o efeito tende a ser positivo. Segundo o BBI, o balanço entre o subsídio ao diesel e a nova taxação permanece favorável para a estatal até níveis de petróleo próximos de US$ 150 por barril.
Mais cedo, a companhia anunciou um aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel.
Ainda assim, o banco alerta que a medida amplia a incerteza regulatória no setor e pode pressionar os valuations no longo prazo, sobretudo entre empresas independentes.
Do outro lado da balança, o governo pretende elevar em 12% os tributos sobre a exportação de petróleo bruto, que até então era isenta.
Em comentário, o Bradesco BBI afirma que a decisão reacende o debate sobre previsibilidade regulatória, especialmente após a experiência de 2023, quando uma medida semelhante foi questionada judicialmente e posteriormente considerada ilegal em segunda instância.
No segmento de distribuição, a avaliação do Bradesco BBI é de que o impacto tende a ser positivo.
Apesar de eventuais perdas iniciais com estoques, o desconto entre os preços domésticos e a paridade de importação permanece elevado, o que sustenta o diferencial competitivo das distribuidoras com maior exposição ao suprimento da Petrobras.
“Com a exigência de regularidade fiscal para acesso ao subsídio, o ambiente segue mais favorável às companhias de maior porte e governança consolidada”, afirma o banco.
*Com informações do Money Times
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