Petrobras (PETR4) aumenta diesel após mais de um ano sem reajuste; preço da gasolina segue inalterado
Aumento será de R$ 0,38 por litro nas refinarias, enquanto governo aposta em desoneração e subsídio para suavizar efeito nas bombas

A escalada do petróleo no mercado internacional começou a chegar às refinarias brasileiras. A Petrobras (PETR4) anunciou que vai aumentar o preço do diesel em R$ 0,38 por litro para as distribuidoras a partir deste sábado (14) — o primeiro reajuste para cima em mais de um ano, após meses de defasagem em relação às cotações globais.
Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o impacto estimado no diesel B — combustível efetivamente vendido nos postos — será de R$ 0,32 por litro.
Com o reajuste, o preço médio do diesel A vendido pela companhia às distribuidoras passará a R$ 3,65 por litro. Já a participação da Petrobras no preço final do diesel B comercializado nos postos será, em média, de R$ 3,10 por litro.
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O mercado chegou a reagir positivamente ao anúncio, o que levou a uma redução momentânea das perdas nas ações da estatal. O alívio, porém, durou pouco, e os papéis voltaram a recuar com mais força ao longo do pregão.
Por volta das 12h40 (de Brasília), as ações preferenciais da PETR4 caíam 0,96%, a R$ 44,57, enquanto os papéis ordinários da PETR3 recuavam 0,30%, cotados a R$ 49,50.
O último ajuste feito pela companhia foi uma redução de preços em 6 de maio de 2025, enquanto o último aumento ocorreu em 1º de fevereiro do mesmo ano.
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Mesmo com a alta anunciada agora, a Petrobras afirma que, desde dezembro de 2022, o preço do diesel A vendido às distribuidoras acumula queda de R$ 0,84 por litro, o equivalente a uma redução de 29,6% considerando a inflação do período.
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Defasagem de preços pressionava reajuste
O movimento ocorre em um momento de forte descompasso entre os preços domésticos e as cotações internacionais do combustível.
Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a diferença entre o preço do diesel nas refinarias da Petrobras e o valor praticado no exterior chegou a 72%.
Pelas estimativas da entidade, para alinhar os preços internos ao mercado internacional, o diesel precisaria subir R$ 2,34 por litro nas refinarias.
A gasolina também aparece com defasagem relevante. De acordo com a Abicom, o preço doméstico está 43% abaixo da paridade internacional, o que equivaleria a uma alta de cerca de R$ 1,10 por litro.
Esse cenário acabou reduzindo o interesse de importadores privados em trazer o combustível ao país. Hoje, a Petrobras responde por cerca de 70% do abastecimento nacional de diesel, enquanto o restante costuma ser suprido por importações.
Com a retração dessas compras externas e a alta da demanda, a estatal passou a adotar nesta semana um sistema de “cota-dia” para venda de diesel às distribuidoras, limitando o volume diário comercializado.
Governo tenta segurar impacto nas bombas
Para reduzir os efeitos da alta do petróleo sobre o preço final ao consumidor, o governo federal anunciou na quinta-feira (12) uma desoneração temporária de tributos.
A medida zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel.
Segundo o governo, o objetivo é conter o impacto da disparada da commodity no bolso dos consumidores, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que tem pressionado os preços globais do petróleo e levantado preocupações sobre o abastecimento internacional.
Com isso, o impacto do reajuste anunciado pela Petrobras tende a ser parcialmente amortecido nas bombas.
Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (13), a presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a alta do diesel deve ter impacto praticamente residual para o consumidor final.
Segundo a executiva, a combinação entre o reajuste nas refinarias e a medida provisória do governo federal fará com que o preço final suba cerca de R$ 0,06 por litro.
“O governo desonera 32 centavos por litro e a Petrobras aumenta 38 centavos. No final das contas, o aumento do diesel para a sociedade é de cerca de 6 centavos. Quando esse combustível ainda passa pela mistura com biodiesel, esse impacto é menor ainda”, afirmou Chambriard.
Petrobras deve aderir a programa de subsídio
Além da desoneração tributária, a Petrobras informou que seu Conselho de Administração aprovou a adesão ao programa de subvenção econômica à comercialização de óleo diesel, criado pela Medida Provisória nº 1.340, publicada em 12 de março.
O programa prevê o pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias.
A efetiva adesão da estatal ainda depende da publicação e análise de instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que definirá o preço de referência necessário para operacionalizar o subsídio.
Segundo a companhia, considerando o reajuste anunciado e o potencial benefício do programa, o efeito combinado para a Petrobras pode chegar a R$ 0,70 por litro, enquanto parte do impacto para o consumidor tende a ser compensada pelas medidas adotadas pelo governo.
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