WEG (WEGE3) e Engie (EGIE3) se juntam em um contrato bilionário; entenda o que está em jogo
A WEG foi a escolhida para fornecer equipamentos para a expansão de uma usina hidrelétrica da Engie localizada entre São Paulo e Minas Gerais

Após a Engie (EGIE3) garantir as condições para investir R$ 1,2 bilhão na expansão da Usina Hidrelétrica Jaguara com um leilão em março, a elétrica definiu quem ficará responsável pelos equipamentos do projeto: a WEG (WEGE3).
O anúncio animou os investidores das duas ações logo após a publicação. Na abertura do pregão desta segunda-feira (27), a ação WEGE3 chegou a saltar 4,28%, mas arrefeceu para uma queda tímida de 0,22% às 12h52. No mesmo horário, o papel EGIE3 subia 1,40%.
A parceria inclui duas unidades geradoras da fabricante de motores elétricos, transformadores e geradores que serão usadas no projeto de expansão da Usina Jaguara.
A usina, localizada no Rio Grande, que funciona como uma divisa natural entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, tem capacidade instalada de 424 megawatts (MW) e tem quatro unidades geradoras.
Com a compra dos equipamentos da WEG, a capacidade instalada será ampliada em 232 MW. Ou seja, deve chegar a um total de 656 megawatts.
O projeto prevê um investimento total de R$ 1,2 bilhão e o início da operação das novas turbinas está previsto para 2030.
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Mas esse investimento da Engie para ampliar a Usina Jaguara não é exatamente uma novidade.
Em março deste ano, após vencer o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), com uma receita anual estimada e R$ 270,4 milhões por 15 anos, a elétrica já havia anunciado o projeto de ampliação da Usina Jaguara.
Na época, o que ainda não havia era a informação de quem seria o fornecedor das duas unidades geradoras adicionais, que surgiu com o comunicado da WEG nesta segunda.
Cenário mais positivo para a WEG?
O que chamou a atenção nessa história foi a reação da ação da fornecedora logo após a abertura do mercado. Embora tenha perdido os ganhos com o passar das horas, a alta de mais de 4% do papel da WEG colocou o papel entre as principais valorizações do Ibovespa nesta segunda.
Mas para o analista Ruy Hungria, da Empiricus Research, a primeira reação do mercado foi exagerada. Para ele, um contrato de R$ 1,2 bilhão para uma empresa com valor de mercado R$ 200 bilhões não justifica uma valorização expressiva em um dia.
Ainda assim, Hungria enxerga as ações da WEG com bons olhos, principalmente após os resultados do 2º trimestre de 2026.
“Gostei do que vi, especialmente depois de um primeiro trimestre difícil, de todas as barreiras impostas pelas tarifas de Trump e do dólar mais baixo. O mercado esperava uma margem Ebitda de 21%, e mesmo nesse contexto adverso ela entregou margem de 21,8%, com sinais de que o pior ficou para trás”, afirmou em coluna publicada recentemente no Seu Dinheiro.
Ele mantém a WEG entre as ações favoritas da bolsa e espera uma aceleração dos resultados em 2027 — tanto por uma base de comparação mais fraca quanto pelo aumento de capacidade de produção e venda de transformadores.
Nesta segunda, a WEG também recebeu dupla recomendação de compra, com uma revisão das estimativas do Bradesco BBI e JP Morgan.
Após o resultado trimestral, os dois bancos elevaram a recomendação de neutra para compra. O preço-alvo, no caso do BBI, é de R$ 60 — um potencial de valorização de até 30,5% até o último fechamento (24) —, e para o JP Morgan é de R$ 56, com espaço para alta de até 21,8%.
No segundo trimestre, a WEG (WEGE3) reportou lucro líquido de R$ 1,55 bilhão, um recuo de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior e avanço de 7% sobre o último trimestre.
A receita operacional líquida da WEG recuou 0,6% no ano, para R$ 10,14 bilhões no segundo trimestre de 2026. Na comparação trimestral, no entanto, houve avanço de 7,1%.
Mesmo assim, o mercado esperava uma queda maior. Os números vieram 1,5% acima do Citi e 3% acima das estimativas do BTG. Mais que um resultado acima das expectativas, foi um número "limpo", diz o BTG: não houve receitas não-recorrentes, como no primeiro trimestre, ou ajuda de grandes projetos de longo prazo.
Já a Engie deve divulgar os números trimestrais no dia 5 de agosto.
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