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Petroquímica busca proteção contra execuções enquanto tenta negociar uma reestruturação; entenda o que está em jogo para credores e acionistas.

A Braskem (BRKM5) foi à Justiça para tentar impedir que a pressão dos credores financeiros avance antes que a companhia consiga costurar uma solução para sua dívida.
A petroquímica anunciou nesta quinta-feira (25) o início de uma mediação com credores e o pedido de uma Tutela de Urgência Cautelar (PTU) à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
Com as medidas, a empresa busca criar uma espécie de período de proteção para negociar sua estrutura de capital sem o risco imediato de execuções, bloqueios de recursos ou uma corrida de credores.
O movimento, contudo, não equivale a um pedido de recuperação judicial. Tampouco abrange toda a operação da Braskem. Segundo a Braskem, a medida tem alcance restrito às obrigações financeiras.
Em fato relevante, a companhia afirmou que a mediação busca preservar “um ambiente estável para a continuidade das negociações” com seus credores, em busca de uma solução “consensual, estruturante e ordenada” para a estrutura de capital.
O pedido da Braskem é direcionado aos credores financeiros. A companhia tenta evitar que bancos e detentores de títulos iniciem ou acelerem medidas de cobrança enquanto as conversas sobre a dívida seguem em curso.
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A lógica é preservar caixa e previsibilidade operacional durante a negociação. Sem uma proteção temporária, uma reestruturação pode ficar mais difícil de ser conduzida caso diferentes credores passem a cobrar individualmente seus créditos ou busquem bloquear ativos da empresa.
A companhia fez questão de delimitar o alcance da medida. Segundo a Braskem, a mediação e a tutela cautelar não abrangem obrigações com fornecedores, clientes e demais stakeholders.
“A Mediação e o PTU possuem escopo limitado […] e não abrange quaisquer obrigações da companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente”, informou a empresa.
A própria Braskem reconhece que uma eventual reorganização financeira precisará levar em conta as condições da indústria petroquímica global.
O setor atravessa um período de excesso de oferta, margens comprimidas e demanda volátil em diferentes mercados.
Para uma companhia que depende da geração de caixa de operações cíclicas, esse ambiente de spreads petroquímicos reduz a margem de manobra justamente quando a dívida exige atenção redobrada.
Além do cenário industrial, a Braskem segue convivendo com os impactos do desastre geológico em Maceió. O episódio, que veio à tona entre 2018 e 2019, continua sendo uma das principais fontes de incerteza no balanço e na percepção de risco da empresa.
Até agora, a petroquímica provisionou cerca de R$ 20 bilhões para cobrir os efeitos relacionados ao caso. O valor inclui medidas de compensação, realocação de moradores, ações ambientais e disputas judiciais que ainda se desdobram em diferentes frentes.
A preocupação do mercado não se resume ao ambiente operacional. Ela também passa pelo calendário financeiro da companhia.
Ao fim do primeiro trimestre de 2026, a Braskem tinha cerca de US$ 1,06 bilhão em caixa. Ao mesmo tempo, enfrentava aproximadamente US$ 1,46 bilhão em obrigações com vencimento ainda neste ano.
Nas últimas semanas, notícias de que a empresa estaria avaliando alternativas para reorganizar seu passivo financeiro e buscando apoio de credores para uma possível reestruturação extrajudicial aumentaram a atenção sobre BRKM5.
A subsidiária mexicana Braskem Idesa, por sua vez, já conduz separadamente negociações ligadas a um processo de entrada em recuperação judicial nos Estados Unidos, por meio do Chapter 11.
Segundo o Valor Econômico, uma das alternativas analisadas pela companhia envolveria o adiamento de aproximadamente US$ 150 milhões em pagamentos de juros de bonds com vencimentos a partir de julho.
As informações elevaram as preocupações sobre uma eventual reestruturação financeira e ajudaram a pressionar as ações. Apenas em junho, BRKM5 acumula perdas próximas de 27%.
Em resposta a questionamentos do mercado, a Braskem informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que trabalha desde setembro de 2025 com assessores financeiros e jurídicos especializados para avaliar alternativas de otimização de sua estrutura de capital.
As discussões incluem desde reprogramações de obrigações financeiras até mecanismos de proteção contra credores.
O pedido de proteção ocorre cerca de dois meses depois de a Novonor, antiga Odebrecht, deixar o controle da Braskem. A mudança abriu espaço para a entrada da IG4 e para uma nova dinâmica de governança ao lado da Petrobras (PETR4).
A troca de comando foi vista pelo mercado como o encerramento de um ciclo importante na história da companhia. Mas não eliminou os desafios que se acumulavam no balanço.
A nova gestão assume uma empresa que precisa administrar, ao mesmo tempo, os efeitos de Maceió, uma conjuntura difícil para a petroquímica global e uma estrutura financeira que exige renegociação.
O conselho de administração autorizou, inclusive, a adoção de medidas protetivas no exterior caso o cenário piore.
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