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SD ENTREVISTA

Inter tem lucro recorde de R$ 421 milhões no 2T26 com estratégia da qual outros bancos fogem; CFO explica por quê

Em entrevista ao Seu Dinheiro, Santiago Stel diz por que o banco decidiu correr mais risco e por que acredita que a estratégia ainda é mal compreendida pelo mercado

O vice-presidente e diretor financeiro (CFO) do Banco Inter, Santiago Stel, à frente de uma parede cinza com logo do banco.
O vice-presidente e diretor financeiro (CFO) do Banco Inter, Santiago Stel. - Imagem: Divulgação

O Banco Inter voltou ao mercado com uma mensagem clara no segundo trimestre de 2026 (2T26): o crescimento segue acelerado — e a alta da inadimplência que assustou investidores no trimestre passado continua fazendo parte da estratégia. 

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Entre abril e junho, o lucro líquido do Inter chegou a R$ 421 milhões, alta de 33,6% sobre o mesmo período do ano passado e de 6,7% na base trimestral. Trata-se do 13º trimestre consecutivo de crescimento dos lucros.   

No mesmo período, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado avançou para 16,3%, 2,4 pontos percentuais acima do registrado um ano antes e 0,8 ponto acima do primeiro trimestre. O valor também é acima do custo de capital da instituição financeira.  

“Foi mais um trimestre de consistência", afirmou o vice-presidente e diretor financeiro (CFO), Santiago Stel, em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro. 

Os demais indicadores reforçaram esse discurso. A carteira de crédito cresceu 29% em 12 meses; a margem financeira rompeu, pela primeira vez, a barreira dos dois dígitos, chegando a 10,1%; o índice de eficiência caiu para 42,1%, a receita líquida avançou 31,7% no trimestre, a R$ 2,63 bilhões; e o número de clientes avançou 15,1%, para 45,3 milhões de usuários. 

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Os números chegam em um momento decisivo para o Inter. No primeiro trimestre, nem mesmo um lucro recorde foi suficiente para evitar um forte tombo das ações do banco em Nova York.  

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À época, o mercado passou a questionar se o avanço da inadimplência seria o primeiro sinal de desgaste de uma estratégia baseada na expansão acelerada da carteira de crédito. 

Agora, a administração tenta virar essa narrativa. Segundo Stel, o aumento da inadimplência não reflete uma piora na qualidade da carteira, mas uma decisão deliberada para ampliar a rentabilidade do banco. 

"O negócio nunca esteve em melhor momento do que hoje", diz o CFO.

A primeira reação dos investidores ao balanço do 2T26 parece positiva. As ações do Inter chegaram a saltar mais de 3% no after market em Wall Street na esteira do resultado.

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A nova obsessão do Inter: chegar à "Regra dos 50" 

Se empresas de tecnologia costumam perseguir a chamada "Regra dos 40" — combinação entre crescimento de receita e margem operacional —, o Inter resolveu estabelecer uma meta ainda mais ambiciosa. 

Internamente, a administração passou a mirar a chamada Rule of 50, um indicador que combina expansão acelerada das receitas com eficiência operacional crescente. A meta é que esses dois indicadores, somados, precisam chegar a 50% até 2029.

Segundo Stel, atingir esse patamar é ainda mais difícil para um banco do que para uma empresa de software. Afinal, instituições financeiras precisam consumir capital para crescer, carregar risco de crédito e conviver com exigências regulatórias muito mais pesadas. 

Ainda assim, o executivo acredita que o banco está caminhando nessa direção. Segundo ele, a melhora no índice de eficiência mostra justamente essa capacidade de gerar mais resultado sem expandir custos na mesma velocidade. 

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"O negócio começa a produzir uma dinâmica de compounding", afirma, se referindo à capacidade de reinvestir os lucros com retornos elevados, fazendo com que a geração de valor dos acionistas se multiplique ao longo do tempo. 

Inadimplência continua incomodando no 2T26 — mas Inter diz que ela faz parte do plano 

O ponto mais sensível do balanço continua sendo exatamente o mesmo que assustou investidores no trimestre passado: a qualidade da carteira de crédito.

Desta vez, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu de 5,1% no 1T26 para os atuais 5,3%. Os atrasos de curto prazo, de 15 a 90 dias, também subiram de 4,6% para 4,8% até o fim de junho.

Apesar do aumento, o diretor financeiro considera esse movimento saudável. Segundo Stel, o banco aumentou deliberadamente a participação de produtos mais rentáveis, como cartões de crédito e consignado privado. 

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Essas modalidades naturalmente carregam um risco maior do que outras linhas com garantia, mas também entregam margens significativamente superiores. 

"Não estamos buscando o menor nível de inadimplência possível, porque, se fizéssemos isso, praticamente não concederíamos crédito. O nosso objetivo é gerar um lucro líquido cada vez maior." 

O executivo argumenta que olhar apenas para a inadimplência produz uma fotografia incompleta da operação. 

Isso porque, segundo ele, a carteira do Inter continua bastante diferente da média do mercado. Hoje, cerca de 70% das operações possuem algum tipo de garantia, enquanto apenas 30% são operações sem colateral. 

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"Temos uma resiliência muito maior do que a média do mercado porque operamos com uma carteira estruturalmente muito mais colateralizada", diz o executivo. 

Em termos práticos, o banco aceita conviver com uma inadimplência um pouco maior porque acredita que o ganho de margem mais do que compensa esse custo de risco adicional, hoje em 5,9%. 

"Foi uma decisão. Sabíamos que nosso custo de risco subiria, mas também que a margem financeira aumentaria o suficiente para sobrepagar essa despesa adicional." 

O "Davi" que quer roubar mercado de cinco "Golias" 

Na visão de Stel, o Inter ainda é pequeno demais para se preocupar em defender posição. Pelo contrário: o executivo enxerga justamente o tamanho reduzido como uma vantagem competitiva. 

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Hoje, segundo ele, aproximadamente 83% da carteira colateralizada de pessoa física continua concentrada nos cinco grandes bancos. 

"Há muito mercado para roubar", afirma. 

A estratégia passa por crescer justamente nas modalidades em que o banco acredita possuir vantagens estruturais. 

Além da elevada participação de crédito com garantias, o Inter opera com excesso de liquidez, clientes pouco alavancados e produtos — como o consignado privado — em que o pagamento ocorre antes de praticamente todas as demais dívidas do cliente. 

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Mesmo assim, o banco opta por crescer hoje cerca de 30% ao ano na carteira de crédito. Segundo Stel, seria possível acelerar esse ritmo para algo próximo de 80%. 

Mas isso comprometeria exatamente aquilo que hoje a administração considera sua prioridade: manter crescimento e rentabilidade caminhando juntos. 

Brasil parece mais pessimista do que os números, diz CFO 

Apesar da Selic elevada e das incertezas eleitorais que já começam a entrar no radar do mercado, Stel acredita que parte do pessimismo em relação ao Brasil é exagerada. 

"Talvez, por eu não ser brasileiro, eu enxergue um excesso de negatividade por aqui", afirma. 

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Na avaliação do executivo, o país chega aos próximos meses com fundamentos melhores do que a percepção predominante dos investidores. 

Ele cita inflação relativamente controlada — a nível de "país de primeiro mundo", nas palavras do executivo —, déficit primário próximo de zero e um ambiente macroeconômico mais sólido do que costuma aparecer nas discussões do mercado. 

Isso não significa ignorar os riscos. Stel reconhece que juros menores ajudariam tanto o consumo quanto a expansão do crédito. 

Mas, segundo ele, essa não é uma variável que o banco consegue resolver. "Nós controlamos o que controlamos." 

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Depois da forte reação negativa ao balanço anterior, o executivo diz que a prioridade absoluta no Inter continua sendo a execução. Resta ver se o mercado comprará a tese. 

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