Ação do Itaú (ITUB4) sobe após balanço do 2T26; analistas ligam o alerta para o próximo teste do banco
Lucro, ROE e crédito continuam fortes, mas o guidance menor para tarifas acendeu uma discussão sobre os próximos trimestres

O Itaú Unibanco (ITUB4) voltou a entregar um balanço difícil de contestar no segundo trimestre de 2026 (2T26). Lucro em linha com o esperado, rentabilidade entre as maiores do setor, crédito crescendo e qualidade dos ativos praticamente intacta.
Ainda assim, o trimestre deixou um recado importante: o desafio do banco já não é provar sua eficiência operacional, mas encontrar novas avenidas de crescimento em um ambiente econômico bem menos favorável do que o dos últimos anos.
Em termos de resultado, o lucro líquido recorrente somou R$ 12,407 bilhões, praticamente em linha com o consenso da Bloomberg, de R$ 12,427 bilhões. Enquanto isso, o retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) atingiu 24,3%, também levemente acima das expectativas do mercado.
As ações responderam bem ao resultado. Por volta das 11h45, os papéis ITUB4 avançavam 2,45%, negociados a R$ 43,13. No acumulado de 2026, a valorização já se aproxima de 9%.
Balanço do 2T26 confirma força do Itaú, mas acende alerta sobre futuro
Para os analistas, os números mostram que a operação do Itaú (ITUB4) continua rodando em alta velocidade. Veja os principais indicadores do 2T26:
| Indicador | Resultado 2T26 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 12,407 bilhões | R$ 12,427 bilhões | +7,8% | +1% |
| ROAE | 24,3% | 24,2% | +1 p.p. | -0,5 p.p |
| Margem financeira | R$ 33,4 bilhões | — | +5,2% | +3,6% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,52 trilhão | — | +9,6% | +2,7% |
A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,52 trilhão, crescimento de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado, puxada principalmente por linhas consideradas mais resilientes, como crédito imobiliário, consignado e grandes empresas.
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Na frente de risco, o banco continuou a entregar estabilidade. A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo, enquanto o custo do crédito seguiu em 2,7%.
Segundo o mercado, isso reforça a percepção de que o Itaú continua crescendo sem abrir mão da disciplina na concessão de crédito.
Outro indicador que chamou atenção foi o índice de capital principal (CET1), que avançou para 12,3%.
A cifra fortalece a leitura dos analistas de que o banco continua acumulando capital suficiente para sustentar crescimento, distribuir dividendos e manter flexibilidade para eventuais recompras de ações.
De olho nas receitas de tarifas e serviços
Mas o trimestre também trouxe um recado importante: o crescimento continua sólido, porém algumas engrenagens já começam a girar em ritmo menos intenso.
O principal exemplo apareceu justamente nas receitas de prestação de serviços e seguros. Essa linha cresceu apenas 0,4% na comparação trimestral e levou a administração a revisar para baixo o guidance (estimativa) para 2026.
A projeção de expansão, antes entre 5% e 9%, passou para uma faixa de 2% a 5%.
Segundo o Itaú, a revisão reflete um ambiente menos favorável para o mercado de capitais, menor atividade dos clientes e decisões comerciais do próprio banco, que vem reduzindo tarifas em diversas linhas para fortalecer o relacionamento de longo prazo com a base de clientes.
Para os analistas, porém, esse passa a ser justamente um dos principais temas de discussão daqui para frente.
O que os analistas enxergam para o Itaú (ITUB4)
Mesmo com leituras diferentes sobre alguns pontos do balanço, os analistas continuam vendo o Itaú como o banco mais bem posicionado do setor.
A XP Investimentos manteve recomendação de compra para ITUB4 e segue tratando o Itaú como sua principal escolha entre os bancos brasileiros.
Na visão da corretora, o segundo trimestre reforça uma tese que vem se repetindo há vários anos: crescimento consistente, qualidade dos ativos e capacidade de gerar capital mesmo em um ambiente macroeconômico mais difícil.
"O Itaú continua demonstrando excelente disciplina de risco e segue como um dos bancos mais bem posicionados do Brasil sob a perspectiva de qualidade de ativos", escreveram os analistas.
A XP também destaca o crescimento da carteira concentrado em segmentos de menor risco e o excedente de aproximadamente R$ 12,7 bilhões em capital, que oferece espaço adicional para remuneração dos acionistas.
Mesmo reconhecendo o aumento da inadimplência entre pequenas e médias empresas (PMEs) e o crescimento da carteira renegociada, a corretora afirma que ainda não vê esses movimentos como motivo de preocupação.
Um ano de transição, mas sem perder a liderança
No BTG Pactual, a leitura foi um pouco mais cautelosa. O banco classificou o resultado como "relativamente sem inspiração", descrevendo 2026 como um ano de transição para o Itaú.
Na avaliação dos analistas, o banco continua entregando um balanço extremamente sólido, mas o ritmo de crescimento começa a desacelerar. O lucro antes dos impostos (EBT) avançou 5% na comparação anual — o menor crescimento dos últimos três anos.
Além disso, as receitas de tarifas continuam pressionadas e a margem financeira com clientes veio um pouco abaixo do esperado.
Ainda assim, o BTG considera que a principal fortaleza permanece intacta.
"A qualidade dos ativos permanece firmemente sob controle", escreveram os analistas, acrescentando que o Itaú deve continuar apresentando a melhor qualidade de carteira entre os grandes bancos brasileiros.
Para o BTG, mesmo sem grandes catalisadores de curto prazo, a vantagem competitiva do Itaú continua aumentando. "Seguimos vendo o Itaú como o banco incumbente mais bem posicionado do Brasil."
O que dizer do 2T26 do Itaú? Há argumentos para otimistas e pessimistas
O JP Morgan avalia que o balanço do Itaú deste trimestre oferece "argumentos para todos".
Os investidores mais otimistas encontram um banco que continua expandindo crédito, conquistando clientes e mantendo rentabilidade elevada.
Já os mais cautelosos podem apontar o aumento na formação de nova inadimplência, o crescimento da carteira renegociada e a revisão para baixo do guidance de receitas como sinais de que o cenário começa a exigir mais atenção.
Mesmo assim, o JP Morgan afirma que continua enxergando o Itaú como a instituição mais preparada para atravessar um ambiente macroeconômico mais complexo.
Próximo desafio do Itaú (ITUB4) entra no radar
O Citi também classificou o trimestre como mais um resultado sólido. Na visão da instituição, rentabilidade, capital e controle de despesas continuam entre os melhores da indústria.
Mas o foco do mercado começa a migrar. Se, nos últimos anos, a principal discussão era qualidade dos ativos, agora o debate passa a ser a capacidade do banco de acelerar novamente o crescimento das receitas.
Para o Citi, a revisão do guidance de tarifas reforça justamente essa percepção. Embora a mudança tenha impacto limitado nas estimativas de lucro, ela evidencia que o crescimento combinado entre margem financeira, receitas de serviços e seguros passou a operar em um ritmo de apenas um dígito médio na comparação anual.
Para os analistas, o ambiente macroeconômico mais desafiador esperado para os próximos 18 meses deve manter esse tema no centro das atenções.
Daqui para frente, o Citi avalia que o principal desafio do Itaú será continuar expandindo receitas sem abrir mão da disciplina de custos — e acompanhar de perto a evolução dos indicadores de crédito, especialmente entre PMEs, caso os juros permaneçam elevados por mais tempo.
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