Ação da Braskem (BRKM5) afunda 12% no Ibovespa após petroquímica pedir cinco anos de fôlego — mas credores não compram a ideia
Petroquímica busca proteção judicial, quer mais prazo e juros menores; mercado reage ao impasse sobre quem vai pagar a conta da reestruturação

As ações da Braskem (BRKM5) despontaram nesta manhã como as maiores quedas do Ibovespa — e com folga. Por volta das 11h45, os papéis tombavam 12,60%, a R$ 6,66, enquanto a segunda maior baixa do índice ficava bem atrás. Em um mês, a derrocada da petroquímica na bolsa já supera os 45%.
A venda em massa veio depois de a petroquímica abrir os detalhes do Projeto Catalyst, seu plano de recuperação extrajudicial para reorganizar uma dívida que supera os US$ 3 bilhões em vencimentos entre julho deste ano e dezembro de 2027.
A proposta é ambiciosa: a Braskem quer um prazo maior para pagar seus credores, redução nos juros e a opção de deixar de desembolsar os encargos em dinheiro até dezembro de 2028.
O mercado, porém, parece ter enxergado menos uma solução pronta e mais o tamanho do impasse que a companhia terá de atravessar para chegar a ela.
O grupo de credores classificou o plano como “totalmente insatisfatório” e chamou a proposta de reduzir os juros de “inaudita” em uma reestruturação corporativa.
A Braskem, por sua vez, considerou inaceitável a contraproposta dos investidores, que prevê remuneração maior, restrições ao uso de caixa e uma contribuição dos acionistas para dividir o custo do ajuste.
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Mais cedo, a petroquímica já havia informado que acionou a Justiça para tentar proteger o caixa em meio a conversas com os credores financeiros.
Por meio de uma Tutela de Urgência Cautelar e de um processo de mediação, a companhia busca evitar execuções e bloqueios de recursos enquanto tenta construir uma solução consensual para sua estrutura de capital.
O plano de recuperação extrajudicial que pressiona a Braskem (BRKM5) hoje
A forte reação de BRKM5 reflete, em grande medida, a incerteza em relação às reestruturações de dívidas da Braskem.
A petroquímica apresentou aos credores uma proposta para reorganizar o passivo sem cortar o valor principal das dívidas — o chamado haircut — e sem converter créditos em ações.
Em troca, pede um alívio relevante no fluxo de caixa em um período que considera decisivo para atravessar o ciclo adverso da indústria petroquímica global.
O pacote se apoia em três pilares:
- Extensão de cinco anos para todos os vencimentos financeiros;
- Redução de 2 pontos percentuais nas taxas de juros dos instrumentos de dívida;
- Possibilidade de pagamento de 100% dos juros em PIK (Payment-in-Kind) até dezembro de 2028.
O mecanismo de PIK permitiria que a Braskem deixasse de pagar juros em dinheiro no curto prazo. Os encargos seriam incorporados ao saldo devedor e quitados mais adiante, preservando caixa agora — mas ampliando a dívida que precisará ser paga no futuro.
É essa combinação que ajuda a explicar a reação dos investidores. O plano preserva o principal da dívida, mas pede aos credores mais prazo, menor remuneração e a aceitação de juros acumulados durante os próximos anos.
A Braskem argumenta que a proposta é necessária para preservar valor, manter a operação e criar uma ponte até uma recuperação mais consistente da geração de caixa.
Os credores, porém, entendem que o desenho transfere uma parcela relevante demais do custo do ajuste para quem financiou a companhia.
O cronômetro da dívida da Braskem
A pressão sobre a Braskem não vem apenas do tamanho da dívida, mas do calendário.
Entre julho de 2026 e dezembro de 2027, a Braskem estima ter de lidar com US$ 3,68 bilhões em serviço de dívida. A companhia descreve o cenário de manutenção da estrutura atual — chamado de Status Quo — como insustentável.
Sem uma renegociação, as projeções indicam que o caixa livre poderia ficar negativo em US$ 821 milhões em dezembro de 2026. Ao fim de 2027, o déficit poderia alcançar US$ 1,98 bilhão.
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