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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

“ELEFANTE BRANCO” SAI DE CENA

Adeus, e-commerce: Sequoia (SEQL3) ‘joga a toalha’ no varejo digital e vende operação ao Mercado Livre (MELI34)

Após anos de pressão no caixa, empresa se desfaz de ativo-chave e aposta em modelo mais leve; entenda o que muda na estratégia

Camille Lima
Camille Lima
22 de abril de 2026
9:12 - atualizado às 9:14
Veículo da Sequoia Logística (SEQL3)
Veículo da Sequoia Logística (SEQL3) - Imagem: Reprodução/Facebook

Depois de anos tentando ganhar escala no e-commerce — e pagando o preço por isso — a Sequoia Logística (SEQL3) decidiu sair de cena justamente onde mais apanhava. Na reta final de sua reestruturação, a companhia anunciou nesta quarta-feira (22) a venda de ativos logísticos para o Mercado Livre (MELI34), deixando para trás um dos segmentos mais competitivos do setor. 

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A transação envolve a cessão integral do contrato de locação do centro de distribuição de São Bernardo do Campo (SP) para a Ebazar.com.br Ltda, empresa do grupo Mercado Livre, além da venda do principal ativo da operação de e-commerce da companhia: o Mega Sorter Damon

Na prática, a Sequoia está fechando um ciclo. O que surgiu como aposta natural durante o boom do comércio digital na pandemia — quando a demanda por entregas parecia ilimitada — acabou se transformando em um negócio de margens apertadas, alto consumo de capital e crescente pressão competitiva.  

Com juros mais altos, competição mais intensa e a verticalização logística dos grandes marketplaces, o jogo mudou — e rápido. 

O peso de um gigante ocioso 

Se havia um símbolo dessa aposta, era o Mega Sorter, que se tornou o grande “elefante branco” da Sequoia no e-commerce.  

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Incorporado após a fusão com a Move3, em 2024, a esteira de logística representava ambição de escala: capacidade para processar até 34 mil pacotes por hora e posicionamento para atender grandes players do varejo online. 

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Mas, sem volume suficiente, a equação não fechou. Na prática, o ativo passou a operar com mais de 50% de ociosidade, segundo informações do Neofeed.

O que deveria ser uma alavanca de produtividade virou um ponto de pressão sobre caixa e operação. 

A própria Sequoia reconhece que o segmento de triagem de grandes volumes “vinha drenando recursos financeiros e esforços comerciais, operacionais e administrativos”. 

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“A verticalização da logística pelos marketplaces que atuam no Brasil tornou o segmento de logística para e-commerce menos atrativo, devido à alta concorrência, às margens apertadas, bem como pela forte demanda por capital de giro”, disse a empresa.  

Além disso, há um descompasso estrutural: os custos das operações são pagos de 30 a 60 dias antes do recebimento pelos serviços prestados — um detalhe que, em escala, pesa.  

Sem a densidade de volumes necessária nos marketplaces, o Mega Sorter se tornou um ativo “deficitário quando operado sem grande escala, como vinha acontecendo”, segundo a empresa. 

De problema na Sequoia a ativo estratégico no Mercado Livre 

Se para a Sequoia o ativo virou um entrave, para o Mercado Livre ele se encaixa como extensão natural da estratégia da varejista argentina no Brasil. 

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A gigante do e-commerce tem acelerado a verticalização de sua logística no Brasil, movimento que ganhou força com o anúncio recente de um investimento recorde de R$ 57 bilhões no país para 2026.  

Entre as prioridades, está justamente a expansão da infraestrutura, com mais centros de distribuição, tecnologia e capacidade operacional. 

Nesse contexto, o Mega Sorter deixa de ser um problema de escala e passa a ser um ativo aderente à operação do Meli.  

Com volumes robustos e controle sobre a cadeia logística, o Mercado Livre consegue extrair eficiência onde outros não conseguem, além de reforçar sua capacidade de controlar prazos, custos e qualidade de entrega. 

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A mudança de estratégia na Sequoia 

Para a Sequoia, a venda vai além da geração de caixa. Ela representa uma mudança clara de posicionamento. 

Ao sair do B2C de grandes volumes, a companhia abandona um modelo intensivo em capital e altamente competitivo para focar em operações mais previsíveis — e mais rentáveis. 

A palavra-chave agora é “asset light”. Menos ativos pesados, mais eficiência operacional. 

Os principais pilares dessa nova fase são os segmentos de logística de cartões bancários e maquininhas de pagamento e do segmento B2B (carga fechada), segmentos em que a empresa já possui histórico operacional e de geração positiva de caixa — exatamente o oposto da dinâmica enfrentada na logística para e-commerce

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“A conclusão da venda e da desmobilização desse segmento é a etapa final do processo de reestruturação iniciado no final de 2023, permitindo a companhia focar no crescimento das operações rentáveis nas quais somos referências no mercado”, afirmou a companhia. 

Vale destacar que a conclusão da transação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Outras frentes da reestruturação da Sequoia 

Mais cedo nesta semana, a Sequoia também avançou em outra frente do seu processo de reestruturação financeira. 

A companhia conseguiu um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) que reduziu sua dívida tributária em 84%, cortando o passivo de R$ 631,7 milhões para R$ 112,7 milhões. 

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O impacto foi imediato no mercado: as ações SEQL3 chegaram a disparar até 42% em um único pregão. Ainda assim, o ponto de partida é baixo. Após perder mais de 99% do valor desde o pico, o papel segue negociado como penny stock, como são conhecidas as ações abaixo de R$ 1. 

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