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O banco prevê um preço-alvo de US$ 237, com um potencial de valorização de aproximadamente 20% em relação às cotações atuais
O BTG Pactual (BPAC11) atualizou sua tese em relação à Nvidia (NVDA), destacando uma relação risco-retorno atrativa para a queridinha do ramo de inteligência artificial (IA). Em um relatório publicado no último domingo (19), o banco prevê um preço-alvo de US$ 237, com um potencial de valorização de aproximadamente 20% em relação às cotações atuais, de cerca de US$ 200.
“Isso corresponde a um múltiplo implícito de saída de 21 vezes o lucro estimado para o ano fiscal de 2028, com encerramento em 31 de janeiro de 2028”, escreve o analista Vitor Melo, do BTG Pactual.
“Consideramos esse nível razoável para uma empresa com o perfil de crescimento, geração de caixa e posicionamento estratégico da Nvidia dentro da infraestrutura de IA”.
Para além da alta demanda atual dos investidores, que se reflete em um crescimento de 15 vezes na receita de data centers da Nvidia desde 2023, de acordo com números recentes da Our World in Data, saltando do patamar de US$ 4 bilhões por trimestre para US$ 62 bilhões até o fim de 2025, o BTG entende que há uma nova fronteira a ser explorada pela empresa.
Estamos falando da chamada inferência, “a próxima etapa da expansão da IA”, segundo os analistas. A inferência é a fase de execução ou aplicação de um modelo de IA que já foi treinado. Em termos práticos, é quando o modelo treinado para de “aprender” e começa a “trabalhar” efetivamente.
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A expectativa é que o mercado de inferência cresça a uma taxa composta anual (CAGR) de 44% entre 2024 e 2032, superando o mercado de treinamento de IA em volume até 2029.
“À medida que a adoção da IA se torna mais presente em empresas, projetos soberanos e aplicações do mundo real, a demanda tende a se ampliar, e não a se concentrar. Embora essa mudança possa alterar a distribuição dos gastos entre chips, redes e sistemas, acreditamos que a Nvidia continua sendo a empresa mais exposta à parte mais complexa, sensível à performance e economicamente valiosa dessa curva de demanda”, diz o analista do BTG.
Por fim, vale ressaltar que o BTG Pactual identifica diversos riscos para a tese de investimento da NVIDIA, categorizando-os principalmente em frentes competitivas, geopolíticas, operacionais e de mercado.
São cinco pontos principais que o investidor tem que ficar de olho.
O primeiro deles é a adoção de chips próprios (ASICs, na terminologia técnica) pelos chamados “Big 5”. Isso porque grandes empresas de tecnologia têm desenvolvido tecnologias próprias como alternativa para reduzir a dependência da Nvidia, como é o caso do Google (com seus TPUs), da Amazon (com o Trainium), da Meta (MTIA), da Microsoft (Maia) e da OpenAI (Titan).
Esses chips são otimizados para cargas de trabalho específicas e podem reduzir a dependência das GPUs da Nvidia, especialmente no mercado de inferência.
Outro ponto importante é a canibalização por softwares de eficiência da própria Nvidia, que podem tornar os chips existentes tão eficientes (melhoria de até 40x em certas tarefas) que poderiam, teoricamente, canibalizar a demanda por novos hardwares no curto prazo. Além disso, avanços em modelos esparsos podem reduzir a carga computacional necessária, impactando a demanda bruta.
Além disso, a infraestrutura e a energia voltadas a data centers podem não acompanhar o ritmo de crescimento do setor, o que pode eventualmente se tornar um gargalo para o setor.
Do mesmo modo, a linha de produção da Nvidia é altamente concentrada em poucos parceiros: TSMC para a produção de wafers e SK Hynix, Micron e Samsung para chips de memória HBM. Qualquer choque de rendimento (yield) ou necessidade de troca forçada de fornecedor poderia comprometer o cronograma de lançamentos e as margens da empresa.
Por fim, os controles de exportação dos Estados Unidos continuam sendo uma restrição relevante para as oportunidades da Nvidia na China.
O BTG destaca que o cenário é incerto e, devido às regras atuais, a empresa pode não conseguir entregar produtos competitivos para o mercado de data centers chinês, o que levou o banco a excluir receitas da China de seu modelo financeiro até que haja maior visibilidade regulatória.
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