A gigante Raízen (RAIZ4) quer ser menor: empresa reduzirá investimentos, mas ainda queima caixa e triplicou o prejuízo
Raízen enfrenta desafios com prejuízo triplicado e corte de investimentos. Agora, foca na simplificação e venda de ativos para recuperar eficiência e captar oportunidades

A Raízen (RAIZ4), gigante de açúcar, etanol e distribuição de biocombustíveis, quer ser menor. Por enquanto, ainda amarga o seu tamanho e de suas dívidas, ao queimar caixa e registrar um prejuízo três vezes maior no último trimestre.
"Estamos construindo uma companhia mais simples, mais focada no core e mais disciplinada na alocação de capital", afirmou o CEO Nelson Gomes, em teleconferência com os investidores.
"Estou convicto de que essa combinação, a nossa transformação operacional com a transformação da nossa estrutura de capital, vai nos permitir atravessar esse ciclo atual e, ao mesmo tempo, construir uma companhia mais eficiente, competitiva e preparada para capturar as oportunidades que virão no futuro e voltar a gerar valor sustentável ao longo do tempo", declarou.
Depois de divulgar os resultados ontem (29) depois do fechamento do mercado, as ações amanheceram em alta. Por volta das 11h10, a valorização era de 2,5%, e os papéis estavam sendo negociados a R$ 0,40.
Os cortes na Raízen
A companhia, em recuperação extrajudicial, reduziu custos e despesas em aproximadamente R$ 1 bilhão, além de cortar os investimentos previstos (capex) em R$ 3,3 bilhões no ano. Ela prevê cortar pelo menos mais R$ 1 bilhão em capex no próximo ano.
Também vendeu ou desativou usinas de açúcar e etanol. Gomes destacou que a Raízen já vendeu ou desmobilizou quase 20 milhões de toneladas de capacidade de moagem na última safra e afirmou que esse processo continuará de forma disciplinada.
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A empresa também já vendeu R$ 12 bilhões em ativos. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões já entraram no caixa da empresa e os R$ 7 bilhões restantes, que virão da venda dos ativos na Argentina, devem chegar até o fim do atual ano-safra.
A Raízen também disse que deve continuar com os desinvestimentos para aumentar sua eficiência, e que busca o tamanho ideal da sua divisão de açúcar e etanol. Os próximos dois a três anos, no entanto, devem continuar desafiadores com os preços baixos das commodities.
O custo das incertezas na companhia
Parte relevante do prejuízo também veio de um impairment de R$ 22,5 bilhões. Sem efeito no caixa da companhia, essa é uma baixa contábil no patrimônio da empresa. Ou seja, a Raízen fez testes para saber quanto valem seus ativos no caso de algumas vendas.
Desse total, R$ 12,5 bilhões foram reconhecidos por causa do contexto de incerteza significativa quanto à continuidade operacional, e R$ 10 bilhões adicionais, relacionados a perspectiva de não realização de determinados ativos.
As incertezas em relação à empresa também levaram o Citi a colocar a recomendação da Raízen em revisão. Segundo os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, a deterioração do balanço levou a Raízen a protocolar em junho um plano de reestruturação extrajudicial, que passa a ser o principal tema para a tese. "A performance operacional agora é secundária", afirma o banco.
Com a recuperação extrajudicial de cerca de R$ 64,7 bilhões em dívidas, ela espera que seu plano seja aprovado na Justiça até setembro. Ela já tem a concordância de mais de 80% dos seus credores.
Como foram os resultados da Raízen
A Raízen praticamente triplicou o seu prejuízo no último trimestre. A companhia afirmou que sofreu com condições climáticas adversas, redução da safra de cana-de-açúcar, volatilidade de commodities e juros elevados.
Ela perdeu R$ 7,33 bilhões no quarto trimestre do ano-safra de 2025 e 2026. Já no ano completo, as perdas foram de R$ 27,14 bilhões, ante prejuízo de R$ 4,18 bilhões no ano anterior.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou positivo em R$ 507,8 bilhões, queda de 71,5% em relação ao 4T25, mas revertendo o resultado negativo do trimestre anterior.
A receita líquida somou R$ 51,33 bilhões no período, queda de 11,1% na comparação anual e de 15% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
A dívida líquida passou de R$ 34,26 bilhões no 4T25 para R$ 58,23 bilhões no 4T26 e subiu 5,3% em relação ao terceiro trimestre da safra. Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, caiu de 5,3 vezes no último trimestre para 5,2 vezes no 4T26.
No último trimestre, a empresa reportou queda no volume produzido e comercializado tanto de cana-de-açúcar quanto de etanol.
Na divisão de energia e açúcar (ESB), a moagem caiu 10% em um ano, para 70,5 milhões de toneladas, com produtividade agrícola recuando 5% por clima adverso. No trimestre, o volume de vendas de açúcar subiu 20%, mas o preço médio caiu 15%.
Já o volume de etanol vendido caiu 23%, enquanto o preço médio do etanol subiu 5%. A geração de bioenergia recuou 18%.
Queima de caixa
A empresa viu quase R$ 9 bilhões desaparecerem de seu caixa no último ano. Hoje com um caixa líquido de R$ 13,63 bilhões, há um ano essa posição era de R$ 22,87 bilhões.
O fluxo de caixa operacional foi de R$ 3,7 bilhões, recuo de 61% em um ano.
Mesmo assim, o CFO Lorival Luz afirma que a posição de caixa atual da empresa não preocupa. "Com o plano de RE em andamento, afastando a possibilidade de uma recuperação judicial, as conversas voltam às condições normais com os fornecedores", declarou na conversa com os analistas.
Ele afirma que o caixa está 50% acima do mínimo necessário para que a companhia consiga funcionar com tranquilidade.
Com Broadcast
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