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RESULTADOS FINANCEIROS

Raízen (RAIZ4) registra prejuízo líquido de R$ 7,334 bilhões em meio à recuperação extrajudicial; veja os números da companhia

Empresa encerra a safra 2025/2026 após um ano de prejuízos, aumento da dívida e um amplo plano de reestruturação para renegociar mais de R$ 64 bilhões

Raízen - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/iStock

Os resultados do quarto trimestre da safra 2025/2026 (4T26) da Raízen (RAIZ4), divulgados na noite desta segunda-feira (29), chegam em um momento decisivo para a companhia.

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Maior produtora global de açúcar e etanol de cana, a empresa vem enfrentando um processo deterioração financeira que culminou em um pedido de recuperação extrajudicial e em uma ampla reestruturação dos negócios.

O balanço encerra um ano-safra marcado por forte pressão operacional e financeira. “Encerramos a safra 2025'26 em um dos ambientes mais desafiadores dos últimos anos para a Raízen, marcado por condições climáticas adversas, volatilidade de commodities, juros elevados e os impactos do mercado ilegal de combustíveis”, afirmou a companhia.

Os resultados da Raízen

A Raízen reportou prejuízo líquido de R$ 7,334 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/2026 (4T26), alta de 192% em relação ao prejuízo de R$ 2,513 bilhões registrado no mesmo período da safra anterior (4T25). Na comparação com o terceiro trimestre da safra (3T26), o prejuízo caiu 53,1%.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou positivo em R$ 507,8 bilhões, queda de 71,5% em relação ao 4T25, mas revertendo o resultado negativo do trimestre anterior.

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A receita líquida somou R$ 51,329 bilhões no período, queda de 11,1% na comparação anual e de 15% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

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A dívida líquida passou de R$ 34,264 bilhões no 4T25 para R$ 58,229 bilhões no 4T26 e subiu 5,3% em relação ao terceiro trimestre da safra.

Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, caiu de 5,3 vezes no último trimestre para 5,2 vezes no 4T26

Como a Raízen chegou à recuperação extrajudicial?

Criada em 2011 como uma joint venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell, a Raízen cresceu apoiada em uma forte estratégia de aquisições e expansão dos negócios.

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A companhia estreou na bolsa em 2021 em um dos maiores IPOs da história do mercado brasileiro, levantando R$ 6,9 bilhões e alcançando valor de mercado de R$ 76 bilhões. Hoje, esse valor gira em torno de R$ 638,7 milhões.

Além de ampliar sua atuação em açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, a empresa investiu em frentes fora de seu negócio principal, como o etanol de segunda geração e a rede de mercados de proximidade Oxxo, em parceria com a mexicana Femsa.

A partir da safra 2024/2025, porém, a operação começou a enfrentar uma combinação de fatores adversos. Secas, queimadas e excesso de chuvas reduziram a moagem, a produtividade e a qualidade da cana-de-açúcar, provocando um impacto estimado de 30% no Ebitda.

Ao mesmo tempo, o ambiente de juros elevados aumentou as despesas financeiras da companhia. Com isso, a Raízen passou a registrar sucessivos fluxos de caixa negativos, chegando a consumir quase R$ 2 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026.

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A reestruturação da companhia

No fim de 2024, o Grupo Cosan promoveu mudanças na alta administração que culminaram na chegada de Nelson Gomes ao comando da Raízen. Ex-presidente da holding, ele assumiu a empresa com a missão de acelerar o processo de desalavancagem.

"Percebemos, ao longo dos últimos meses, uma clara necessidade de ajuste de rota no portfólio da Raízen e da maneira como a companhia vem conduzindo seus negócios", afirmou o executivo à época.

Desde então, a empresa intensificou a venda de ativos, reduziu investimentos e buscou reforçar sua posição de caixa.

Nos últimos 12 meses, levantou cerca de R$ 5 bilhões com desinvestimentos, encerrou sua participação na joint venture Grupo Nós — responsável pela operação da rede Oxxo no Brasil — e vendeu seus ativos na Argentina por US$ 1,42 bilhão.

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Apesar dos esforços, a pressão sobre a estrutura de capital persistiu, levando a companhia a buscar uma renegociação mais ampla com seus credores.

O plano de recuperação

Em março, a Raízen entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 64,7 bilhões em dívidas.

O plano prevê uma injeção de capital de até R$ 4 bilhões por parte dos acionistas de referência, mudanças na composição do conselho de administração e da diretoria, descontos para credores, emissão de novas ações e outras medidas voltadas à reorganização financeira.

Entre as principais iniciativas está a divisão da empresa em duas unidades independentes: Raízen Energia e Raízen Combustíveis. A segregação deve ser concluída até 31 de dezembro de 2027.

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A companhia também pretende seguir com a venda de ativos considerados não estratégicos nos segmentos de energia, açúcar e etanol, além de buscar um potencial investidor para a divisão de combustíveis.

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