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INÍCIO DE CARREIRA

Onde estão os jovens no mercado de trabalho: 84% se concentram em empregos de baixa qualificação e salário

Jovens empregados voltaram ao nível pré-pandemia, mas a maioria trabalha em funções generalistas e vulneráveis à substituição por inteligência artificial, diz estudo

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Currículo de emprego - Imagem: skynesher/iStock

O Brasil hoje tem 13,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos que trabalham, um patamar que supera o nível pré-pandemia. Porém, apesar de as pessoas em início de carreira estarem voltando para a empregabilidade, dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que a maioria está em posições de baixa qualificação e salário.

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O estudo Diagnóstico da Juventude Brasileira, divulgado nesta quarta-feira (25) pelo MTE com dados do 1ª trimestre deste ano, mostra que 84% dos jovens que trabalham atuam em empregos generalistas, que são funções que não exigem nenhuma formação específica, seja técnica ou superior.

O percentual representa 11,6 milhões de jovens.

As principais profissões estão concentradas em funções do comércio e serviços básicos:

  1. Balconistas e vendedores, com 1,24 milhão de jovens;
  2. Escriturários e assistentes administrativos, com 1,07 milhão;
  3. Auxiliares de construção, com 394 mil;
  4. Recepcionistas, com 391 mil; e
  5. Caixas, com 367 mil de pessoas com idade entre 14 e 24 anos.

Segundo o levantamento, 59% dos jovens estão concentrados em apenas 20 profissões.  

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“O emprego jovem se concentra em poucas funções de comércio e serviços, de baixa especialização e salário próximo ao mínimo. É a raiz da baixa permanência nos empregos e da dificuldade de ascensão”, diz a Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), do MTE.

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Portanto, o estudo indica que somente um em cada sete jovens que trabalham estão em função que exige formação técnica ou superior. Os principais cursos entre os 2,15 milhões de jovens são relacionados às áreas de direito, tecnologia, mídia e enfermagem, segundo o Ministério.

A maioria recebe salários baixos

A predominância dos empregos generalistas se reflete diretamente na renda.

O estudo do MTE mostra que a maior parte dos jovens recebe salários baixos.

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Para se ter ideia, 7,8 milhões ganham até 1,5 salário-mínimo, enquanto 2,7 milhões recebem até R$ 1.621.

A pesquisa defende que o caminho para elevar esses valores é aumentar a parcela de pessoas em posições mais qualificadas. Isso também vale, segundo o MTE, para que os jovens fiquem menos vulneráveis à substituição por ferramentas de inteligência artificial.

Outra consequência das posições generalistas é o tempo de permanência nos empregos.

Mais da metade dos jovens troca de trabalho em menos de um ano. “Baixa qualificação, salário baixo e jornada longa explicam o ciclo de entra-e-sai que impede as pessoas de construírem uma trajetória profissional”, explica o estudo.

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País tem 2,47 milhões de aprendizes e estagiários

Dentre os 13,9 milhões de jovens que trabalham, 708 mil são jovens aprendizes. Eles estão principalmente nos cargos de auxiliar de escritório, assistente administrativo, repositor de mercadorias e vendedor.

“96% dos aprendizes atuam em funções generalistas. Levar mais aprendizes para cargos técnicos e tecnológicos é a fronteira para avançar.”

Já os estagiários somam 1,77 milhão, com funções semelhantes às dos aprendizes. Além de auxiliar de escritório e assistente administrativo, os estagiários estão em cargos de auxiliares de desenvolvimento infantil, dirigente de servidor público federal e auxiliar de contabilidade.

A maioria se concentra em funções administrativas, enquanto a enfermagem é o curso que se destaca por concentrar estágios ligados à formação do estudante.

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Na visão da Secretaria, os desafios para os jovens no início da carreira ainda incluem a necessidade de "aumentar a aprendizagem e o estágio como ponte para o mercado qualificado, ampliar a parcela de jovens em funções de maior densidade tecnológica, além de um maior letramento digital e acesso à inteligência artificial".

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