A busca pelo ‘novo Messi’ revela um erro comum na sucessão de carreiras dentro das empresas
Enquanto já existem discussões se Mbappé ou Haaland serão as próximas estrelas do futebol, especialista diz que substituição de bons profissionais é um erro em diferentes carreiras

Um tema comum nas mesas de bar quando o assunto é futebol é o palpite de quem será a próxima grande lenda: quem deve ser o novo Pelé, Zidane ou, no caso do gigante atual, Lionel Messi. O atacante argentino compete em sua última Copa do Mundo com 38 anos e, por enquanto, acumula um recorde de 18 gols no mundial.
Com a aposentadoria de Messi cada vez mais próxima de se tornar realidade, existem as discussões de quem deve substituir o jogador no topo dos holofotes.
Alguns dos nomes apontados são o francês Kylian Mbappé e o norueguês Erling Haaland, por exemplo.
Porém, para o colunista Christopher Cason, especialista em esportes da revista norte-americana Inc.com, pensar na substituição de Messi é uma falácia e acende um alerta para a sucessão de carreira nas empresas.
Mesmo com todo o universo esportivo já discutindo sobre os últimos anos de carreira do jogador, o desempenho nesta Copa continua a surpreender.
“Isso remete a um erro que as empresas cometem constantemente quando se trata de planejamento de sucessão. É fácil focar em identificar quem será o próximo, negligenciando o valor que já está presente”, defende Cason.
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O especialista explica que é natural e saudável que as companhias planejem o desenvolvimento de novos líderes. Um erro comum, porém, é pensar nesse planejamento por meio da substituição de quem já está no posto com mais experiência.
“Mbappé e Haaland são o futuro do futebol mundial, e não há razão para acreditar que eles não definirão a próxima década do esporte. No entanto, a presença deles não diminui a de Messi.”
E para Cason, esse mesmo caso se aplica a empresas de diferentes setores. Quando um profissional passa a ganhar destaque, os líderes começam um planejamento para desenvolver a pessoa para cargos mais seniores e de prestígio.
No entanto, o problema, segundo o especialista, é quando as companhias ignoram quem já ocupa a cadeira e ainda entrega resultados de excelência.
Muito além de uma passagem de bastão
A sucessão de carreira costuma ser vista como um líder, ou alguém mais sênior, passando o bastão para o próximo da hierarquia. Porém, Cason explica que o processo não é fluido e é preciso que as companhias criem uma sobreposição de papéis.
“Cargos mais seniores envolvem experiência adquirida, conhecimento institucional e bom senso. Esses atributos levam anos para serem desenvolvidos e não podem ser simplesmente transferidos de uma pessoa para outra”, diz.
O especialista faz um paralelo desse processo com o que foi realizado pela Seleção Argentina.
O país continuou desenvolvendo jovens talentos enquanto dependia de Messi no futebol. Ou seja, houve um ambiente de contribuição.
Isso fez com que os jogadores mais novos ganhassem experiência a partir da referência do gigante que também atua no Inter Miami. Já Messi se beneficia da energia dos jovens ao redor, segundo Cason.
“As empresas podem se beneficiar da mesma abordagem. O valor de líderes veteranos muitas vezes vai além das métricas de desempenho. Eles reconhecem padrões que passam despercebidos por outros, possuem visão aguçada sobre a lógica por trás de decisões importantes e sabem navegar em meio à incerteza.”
Portanto, o especialista defende que substituir profissionais com esse perfil não é tão simples.
O foco deve ser uma transição contínua
Para Cason, as sucessões de cargos nas empresas são necessárias. No entanto, o mais importante é pensar a transição de forma contínua.
No geral, o que o especialista recomenda para não cair na cilada da sucessão é:
- Focar no aprendizado e transição, e não em substituição;
- Valorizar os seniores que ainda entregam alta performance;
- Veteranos devem ser reposicionados na empresa; e
- As novas gerações não precisam apagar as anteriores.
Na visão do colunista, “muitas empresas se concentram em identificar as próximas estrelas sem aproveitar quem já ocupa esse lugar. O futuro do futebol pertencerá a Mbappé e Haaland, assim como o de muitas empresas pertence à próxima geração, mas a Copa tem servido como um lembrete do valor de quem é experiente”.
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