Não é o home office: pais querem outro tipo de flexibilidade no trabalho
Quase 58% dos profissionais com filhos priorizam autonomia sobre a própria jornada, segundo pesquisa do Infojobs

Quando o assunto é equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, o home office costuma dominar as discussões. Mas, para quem tem filhos, o que pesa mais na rotina não é necessariamente trabalhar de casa. Uma pesquisa da empresa de soluções de tecnologia para RH Infojobs mostra que o benefício mais desejado pelos pais brasileiros é a possibilidade de ter horário flexível.
A medida foi apontada por 57,66% dos profissionais com filhos como a que mais faria diferença no dia a dia — uma vantagem bastante superior às demais opções avaliadas.
O resultado deixa o trabalho remoto bem atrás, escolhido por 16,38% dos entrevistados. Em seguida aparecem o auxílio-creche, citado por 13,83%, o apoio psicológico (8,72%) e a licença parental ampliada, lembrada por apenas 3,40%.
Os números mostram que a principal demanda dos pais não é mudar o lugar onde trabalham, mas ter liberdade para organizar a própria jornada, já que compromissos como levar ou buscar os filhos na escola, acompanhar consultas médicas, participar de reuniões escolares ou lidar com imprevistos fazem parte da rotina de muitas famílias.
E, em boa parte dos casos, essas tarefas não exigem home office, mas sim uma agenda menos engessada.
Horário com flexibilidade: o diferencial está na autonomia
A preferência pela flexibilidade aparece novamente quando os profissionais são questionados sobre qual modelo de trabalho facilita mais sua participação na rotina dos filhos.
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O formato mais citado foi o trabalho presencial com horário flexível, escolhido por 27,02% dos entrevistados. O percentual supera tanto o modelo híbrido, mencionado por 14,68%, quanto o home office integral, apontado por 12,98%.
Para Fabio Maeda, diretor de Growth & Experience da Redarbor Brasil, dona do Infojobs, oferecer essa autonomia também pode fazer diferença na capacidade das empresas de atrair e manter profissionais.
"Flexibilidade deixou de ser apenas uma questão de conveniência. Ela influencia permanência, engajamento e disposição para aceitar uma oportunidade de trabalho”, afirma. “Quando uma empresa exige rigidez em atividades que poderiam ser organizadas com mais autonomia, ela corre o risco de perder talentos não pela função ou pela remuneração, mas por uma rotina incompatível com a vida real."
Pais se preocupam mais com falta de tempo do que com aumento da renda
O levantamento também investigou quais são as maiores preocupações dos profissionais com filhos atualmente.
O principal desafio continua sendo o custo para criar os filhos: 32,55% citaram as despesas com educação e alimentação como a maior preocupação.
Logo atrás aparece um ponto que reforça os resultados da pesquisa: 25,53% disseram que a maior dificuldade hoje é a falta de tempo de qualidade com os filhos.
A preocupação supera até mesmo o desejo de aumentar a renda, mencionado por 24,26% dos entrevistados.
Os dados sugerem que, para muitos profissionais, encontrar tempo para acompanhar a vida dos filhos se tornou uma necessidade tão importante quanto a remuneração.
O que as empresas podem aprender com esse cenário
Na visão de Maeda, os resultados mostram que políticas voltadas à parentalidade precisam ser mais amplas do que simplesmente oferecer benefícios específicos — e também considerar as particularidades de cada realidade.
"Uma política de flexibilidade bem estruturada não significa ausência de cobrança ou redução de produtividade. Significa definir entregas, responsabilidades e limites com clareza, permitindo que o profissional tenha mais controle sobre como cumpre sua jornada", explica.
Essa mudança, segundo o levantamento, depende de regras claras, lideranças preparadas e de uma cultura que valorize resultados, em vez da presença física como principal indicador de desempenho.
“O profissional não está pedindo menos responsabilidade. Ele está pedindo condições mais realistas para cumprir suas responsabilidades no trabalho e em casa", diz Maeda.
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