O que vale mais que conhecimento técnico para liderar na saúde, segundo diretor do Grupo Fleury
Enquanto para trabalhar como médico, enfermeiro ou terapeuta o conhecimento técnico é indispensável, outras características dão destaque para quem está nos cargos de gestão

Trabalhar na área da saúde costuma remeter ao atendimento médico e terapêutico, à atuação prática na enfermaria ou mesmo com pesquisa. No entanto, assim como em qualquer outro setor, existe a possibilidade de assumir posições de liderança e cargos de gestão, seja em grandes conglomerados de saúde ou empreendimentos próprios.
É praticamente intuitivo imaginar que, para ser um líder de áreas ligadas à saúde, é preciso ter alguma formação técnica no ramo, como os cursos de Medicina, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia, Enfermaria e outras graduações semelhantes.
Porém, Edgar Gil Rizzatti, Presidente da Unidade de Negócios do Grupo Fleury, tem uma opinião contrária a essa visão: “a necessidade do conhecimento técnico para ser um bom líder em saúde é uma falácia”.
Em evento promovido pelo LinkedIn nesta quarta-feira (17), o executivo explicou que o que define um bom líder em diferentes segmentos da saúde está muito menos ligado ao domínio técnico e muito mais a outras características necessárias para a gestão de pessoas.

Na visão de Rizzatti, mesmo pessoas com formações administrativas e que nunca trabalharam de forma prática com saúde podem ter cargos de liderança na área, contanto que tenham outras habilidades para se destacar e interesse em aprender sobre os temas.
“Se o profissional está em uma posição de liderança, consequentemente não vai executar o trabalho diretamente, mas sabe o que é preciso ser feito no dia a dia e como influenciar a equipe para entregar as demandas em hospitais”, defende.
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Ser um bom profissional técnico não exclui desafios de gestão
No caso dos profissionais técnicos da saúde, os cargos de liderança costumam refletir um processo de ruptura, segundo o diretor do Fleury.
Para quem já atua como médico, enfermeiro ou outros cargos do setor, pode ser um desafio sair da linha de frente para assumir a gestão de equipes.
Essa transição envolve uma mudança de visão, diz Rizzati. O primeiro choque é abrir mão da execução direta. “O profissional deixa de fazer as coisas com as próprias mãos e passa a fazer por meio de outras pessoas. Isso pode ser um processo difícil”, explica.
A dificuldade pode surgir se o gestor tiver resistência em aceitar diferentes formas de realizar trabalho, sugeridas pela equipe. “Só a própria pessoa vai fazer algo exatamente do jeito que ela quer.”
Até por isso ele também acredita que pessoas com formações administrativas devem ter uma boa execução nesses cargos de alto nível, mesmo sem conhecimento prévio da saúde.
Quais são as características de um líder em saúde
Com o conhecimento técnico em segundo plano, as características que ganham destaque para liderar na saúde são a capacidade de engajar o time, uma boa comunicação, saber sobre gestão de pessoas, ter um pensamento estratégico e adaptabilidade, por exemplo.
Em relação ao engajamento do time, ele menciona ser necessário saber alinhar expectativas com a equipe, construir soluções em conjunto com os subordinados e deve haver o objetivo de fazer os funcionários performarem bem como um todo.
Além disso, a comunicação deve estar no centro de toda a atuação, ainda que seja uma lacuna para muitos profissionais da área.
“Comunicação é fundamental para qualquer posição de liderança. E, ao mesmo tempo, é uma das habilidades mais subestimadas”, diz.
Para Rizzatti, não basta ter uma boa ideia ou ser um bom profissional técnico se, ao se tornar gestor, não consegue explicar, argumentar e fazer com que as pessoas caminhem na mesma direção.
Essa mesma visão se conecta com o domínio da gestão de pessoas. O executivo do Fleury explica que a principal responsabilidade de um líder é desenvolver a equipe e criar condições para que os profissionais se destaquem.
Nesse contexto, as habilidades comportamentais ganham protagonismo. Enquanto para atuar na linha de frente da saúde é necessário ter um alto conhecimento técnico, quem deve chamar a atenção na liderança são aqueles que sabem ouvir e intermediar situações, têm uma boa capacidade de relação, são adaptáveis e estão abertos a aprender.
Ensino superior ainda não entrega esse conhecimento
Apesar de muitos profissionais da área da saúde ingressarem nas carreiras de liderança, Rizzatti destaca que ainda há um atraso nos cursos de ensino superior sobre o tema.
As faculdades tradicionais costumam entregar o conhecimento técnico para os estudantes, mas a possibilidade de trabalhar nos bastidores tende a ficar de fora das grades curriculares na saúde.
Para quem quer atuar na área, o executivo recomenda, além da vivência, fazer mentorias e cursos online sobre gestão.
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