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Em entrevista ao Seu Dinheiro, a empresária contou que organizar o Summit Mulheres nas Profissões foi um dos momentos de maior fragilidade que viveu nos últimos anos

Enquanto a presença feminina em cargos de liderança ainda avança em ritmo lento, Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, acredita que será difícil reduzir essa desigualdade sem medidas mais diretas.
Para a empresária, as cotas têm um papel importante nesse processo e devem ser encaradas como uma solução temporária para corrigir um desequilíbrio histórico dentro das empresas.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, durante a primeira edição do Summit Mulheres nas Profissões, em São Paulo, Trajano também defendeu o fim da diferença salarial entre homens e mulheres e afirmou que empresas lideradas por mulheres precisam ser mais respeitadas pelo mercado.
"Vou falar uma coisa polêmica, mas eu sou a favor de cota. Cota é um processo transitório para acertar uma desigualdade", afirmou.
Segundo ela, combater a desigualdade exige tanto políticas públicas quanto mudanças na postura das empresas. Entre as prioridades está acabar com a disparidade salarial, já que mulheres chegam a receber até 20% menos do que homens exercendo funções equivalentes.
Ao falar sobre a meta de alcançar 50% de mulheres em cargos de liderança até 2030, defendida pela organização do evento, Trajano destacou que essa discussão vai além da pauta social.
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Segundo a empresária, quase 60% da renda familiar hoje está nas mãos das mulheres, que também concentram boa parte das decisões de compra em diferentes setores, inclusive no mercado automobilístico. "Não adianta não ter diretoria [feminina]", afirmou.
Na visão dela, as empresas começam a perceber essa mudança. Como exemplo, citou que até candidatos à Presidência têm buscado mulheres para ocupar o cargo de vice-presidente como forma de ampliar a representatividade.
"As mulheres também precisam mudar a postura para acharem que estão prontas [para esses cargos de liderança]."
Acostumada a liderar empresas e projetos de grande porte, Trajano contou que organizar o Summit Mulheres nas Profissões foi um dos maiores desafios recentes da sua trajetória.
Esta é a primeira edição do evento, realizada entre os dias 4 e 5 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. A expectativa é encerrar o encontro com cerca de 20 mil participantes, mais de 100 palestrantes e 10 painéis.
"As pessoas sempre costumam me perguntar quais são as minhas maiores dificuldades, e eu tenho sempre. Mas a gente vai aprendendo a lidar com elas", afirma.
"Eu nunca tinha organizado um evento assim, e tinha diversas coisas em jogo, como o grupo Mulheres do Brasil e o Magalu. Perdi noites de sono acompanhando o número de inscritos, que primeiro estagnou em 3 mil, depois em 5 mil. Então, de repente, estourou."
Segundo a empresária, o projeto foi desenvolvido em apenas três meses e meio, apesar de, normalmente, um evento desse porte exigir cerca de um ano de planejamento. A estrutura reúne oito palcos e foi organizada em um momento considerado desfavorável pelo mercado.
Ela afirmou que a principal lição desse processo foi entender que assumir a própria fragilidade não é sinal de fraqueza. Pelo contrário.
Para a empresária, quando um líder admite suas vulnerabilidades — algo que, na opinião dela, os homens também deveriam fazer —, cria espaço para receber ajuda e fortalecer sua rede de apoio. "Eu não me senti sozinha nenhuma vez", afirmou Trajano.
Inclusive, a empresária já planeja mais edições dos eventos, mas não tem previsão de data.
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