Inteligência artificial não é o suficiente para se destacar no LinkedIn: o que é valorizado nos bastidores?
Habilidades em IA têm crescido entre os perfis do LinkedIn e são valorizadas pelas empresas, mas conteúdos rasos feitos por robôs devem ser prejudicados na rede social

Tornou-se missão quase impossível falar sobre o mercado de trabalho e as tendências de carreira sem passar pelo tema de inteligência artificial. Com os avanços tecnológicos, a IA se tornou um dos tópicos centrais para os trabalhadores, segundo a rede social profissional LinkedIn.
Dados da plataforma divulgados em evento a jornalistas e produtores de conteúdo nesta quarta-feira (10) mostram que, só nos últimos três anos, a proporção de usuários no Brasil com habilidades em inteligência artificial cresceu cerca de 155 vezes.
Em 10 anos, especificamente sobre a área de engenharia de IA, houve um aumento de 61 vezes.
Ana Plihal, diretora da área de talent solutions do LinkedIn, percebe o Brasil como um país bastante receptivo ao uso de inteligência artificial. A pesquisa realizada pela rede social aponta que 83% dos brasileiros já admitem usar a tecnologia no trabalho.
“Enquanto vários países ainda têm uma reação de dúvida, receio ou até negação, o brasileiro já se lançou. É até uma característica cultural ligada à curiosidade e criatividade que tem levado as pessoas a aprenderem o que é esse ‘bicho novo’”, explicou.
O estudo também mostra que, em um ano, as empresas aumentaram o uso de IA na operação em 74%.
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Se por um lado os executivos da rede social defendem que a inteligência artificial é um tema que ainda deve ser explorado, por outro, alertam sobre o uso desenfreado das ferramentas.
Dentro da própria plataforma, por exemplo, já estão em desenvolvimento iniciativas para apagar conteúdos feitos puramente por inteligência artificial. Portanto, para se destacar no mercado de trabalho e nos posts de LinkedIn, os executivos defendem que é preciso entregar mais.
Mudança na busca por funcionários
Durante o evento de comemoração de 100 milhões de usuários do LinkedIn no Brasil, a empresa reforçou que uma das consequências do aumento da inteligência artificial tem sido uma mudança na busca por funcionários.
O LinkedIn é conhecido, principalmente, por ser uma plataforma de conexões corporativas e busca por vagas. Dentro da rede social, é possível, por exemplo, se candidatar para empregos e participar de processos seletivos.
Assim como outros sites de recrutamento, o LinkedIn afirma usar IA principalmente na etapa de triagem dos candidatos. Plihal explica que, com a tecnologia, houve um movimento de maior valorização das habilidades dentro dos perfis.
“A inteligência artificial impulsionou essa mudança na mentalidade de procurar por uma determinada faculdade ou empresas anteriores e passou a destacar mais as habilidades e competências necessárias”, disse.
Além disso, para ela, os critérios de seleção se tornam mais justos por serem padronizados com as ferramentas de inteligência artificial.
O lado B da IA nos conteúdos
Independentemente da carreira, todo mundo conhece o LinkedIn por ser a rede social dos “textões” corporativos. As publicações são variadas, mas é comum encontrar conteúdos sobre promoções no trabalho, eventos, lições de carreira e outros temas relacionados à vida profissional.
Assim como em outras redes sociais, a plataforma percebeu um aumento de conteúdos criados com inteligência artificial pelos usuários.
Embora não seja uma prática vista com maus olhos pelo LinkedIn, Rafael Kato, diretor da área editorial da rede social, e Analía Cervini, diretora de comunicação corporativa, reforçam que deve haver um filtro de publicações genéricas feitas por IA.
“É um processo que estamos trabalhando agora por conta da quantidade de postagens repetitivas de IA e pessoas que estavam plagiando conteúdos de outros”, explica Cervini.
Os estudos ainda estão sendo realizados pela rede social e o LinkedIn tem treinado uma ferramenta para identificar publicações rasas que possivelmente foram feitas por robôs. O objetivo é apagar posts que não agreguem conteúdo para os usuários.
Dentre as características que devem ficar no radar dessa ferramenta são o uso excessivo de emojis, frases e construções textuais que são popularmente atribuídas à IA, diz Kato.
Existem algumas pistas para se destacar
Milton Beck, diretor geral do LinkedIn na América Latina, reforça que a rede social possui uma quantidade de usuários equivalente a 92% da população economicamente ativa do Brasil.
Portanto, há uma preocupação entre os profissionais de como se destacar no LinkedIn.
Os executivos da plataforma afirmam que não há uma fórmula pronta, mas ressaltam a importância de ter um perfil completo com foto, habilidades, descrição, histórico profissional e acadêmico, além da criação de conteúdos autênticos.
Como dica, Kato explicou que o algoritmo do LinkedIn costuma fazer um match no feed entre pessoas que são referência em determinado assunto e outras que costumam consumir o tema.
Assim, uma das formas de aparecer mais na rede social é entregar um conteúdo de qualidade sobre algum tema de domínio.
Em relação à periodicidade, Cervini defende que há um mito sobre ser necessário publicar todos os dias no LinkedIn. Na visão da diretora, é importante manter uma recorrência, mas não é isso que manda no desempenho do perfil. “Deve ser no ritmo do usuário, até uma vez por mês funciona”, afirmou.
O ponto chave, segundo os executivos, é a autenticidade e originalidade das publicações.
No Brasil, os conteúdos com imagem e vídeos são os mais valorizados com engajamento, mas a recomendação é manter multiformatos: texto, imagem, vídeo e artigo, por exemplo.
“Não é preciso fazer uma superprodução. As pessoas ainda produzem conteúdo muito rígido para o LinkedIn, há a dificuldade da espontaneidade. Mas já percebemos em testes que posts com pequenos erros geram até mais engajamento por serem autênticos”, comentou Ana Moisés, diretora da área de marketing solutions.
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