O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Advogados, programadores, jornalistas: cada vez mais profissionais temem virar os ascensoristas e datilógrafos do século 21 com o avanço da IA

Na semana passada, estive em um evento de jornalismo sobre inteligência artificial com a Júlia Wiltgen, minha colega desde o início do Seu Dinheiro. O clima ali não era de inovação ou entusiasmo, mas de puro medo.
Entre um painel e outro, a pergunta que pairava no ar era simples e brutal: nossos empregos ainda existirão amanhã?
Essa inquietação está longe de ser exclusividade dos jornalistas. Advogados, programadores, analistas, assistentes: cada vez mais profissionais temem virar os ascensoristas e datilógrafos do século 21.
E não é difícil entender por quê.
Ao mesmo tempo em que assusta, a IA fascina. Ela promete ganhos de produtividade impensáveis até pouco tempo atrás e abre horizontes que vão muito além do mercado de trabalho. A dúvida é se estamos diante de uma nova era de prosperidade — ou de uma seleção entre quem vai se adaptar e quem vai ficar para trás.
Quem busca pistas sobre essa transformação precisa ouvir Ruy Alves. Na última edição do podcast Touros e Ursos, o sócio e gestor da Kinea deu uma aula sobre por que o avanço da inteligência artificial parece tão avassalador.
Leia Também
Logo de cara, ele desmonta a ideia de “mágica”. Assim como o fogo depende da combinação certa de madeira, oxigênio e temperatura, a IA também exige três elementos básicos: dados, capacidade de processamento e energia elétrica.
A partir daí, porém, a evolução da tecnologia ganha contornos que nem os especialistas conseguem mapear com precisão. O fato é que, à medida que a inteligência artificial passa a processar mais informação por mais tempo, ela começa a alterar de forma profunda a maneira como o ser humano trabalha.
E é aí que entra uma das expressões mais fortes usadas por Ruy Alves: estamos criando “escravos digitais”. Sistemas capazes de operar 24 horas por dia, sete dias por semana, executando tarefas repetitivas sem pausa para descanso, café ou dúvida existencial.
Isso muda tudo.
De repente, um profissional deixa de trabalhar sozinho. Passa a operar com um batalhão invisível. Um exército de agentes capazes de executar tarefas repetitivas em velocidade brutal.
É assim que nasce a nova elite.
Para esse grupo, a produtividade pode multiplicar por 10, por 100. Mas o preço será alto: a barreira de entrada sobe. Muito. E várias tarefas antes tratadas como “intelectuais” passam a correr risco real de automação.
É o caso do advogado que pesquisa jurisprudência, do assistente que organiza planilhas, do profissional que resume relatórios, consolida dados em planilhas e prepara apresentações. Em outras palavras: justamente a base pela qual muita gente começa a carreira.
Durante anos, vendemos a ideia de que avanços tecnológicos nos fariam trabalhar menos. Na prática, isso nunca aconteceu. E, segundo Ruy Alves, a IA também não deve mudar esse roteiro.
A razão é menos tecnológica do que humana.
Seguimos movidos por competição, status, ambição e necessidade de relevância social. Se a máquina permitir produzir mais, a tendência não é descansar. É correr mais rápido.
Isso ajuda a explicar por que a inteligência artificial não deve simplesmente eliminar o trabalho, mas redistribuir poder, renda e prestígio. O diploma, que historicamente sempre foi um investimento com retorno garantido, perde parte de sua força como selo automático de valor.
Ter formação continuará importando. Só que isso já não basta.
No mundo da IA, o diferencial tende a migrar para outro lugar: a capacidade de resolver problemas reais, formular boas perguntas, tomar decisões melhores e fazer a máquina trabalhar a seu favor. A nova elite não será formada apenas pelos mais educados, mas pelos mais conectados.
Esse rearranjo também ajuda a entender o comportamento do mercado financeiro. Na dúvida sobre o tamanho da transformação, a lógica é simples: se não pode vencê-los, invista neles.
Nesse movimento, os “vendedores de pás” — como Nvidia e TSMC — já atingiram valores trilionários. O problema é que os “garimpeiros”, como OpenAI e Anthropic, ainda geram uma receita muito menor do que o entusiasmo sugere. Hoje, esse mercado movimenta algo em torno de US$ 80 bilhões.
Sim, a conta não fecha. E quando a conta não fecha, alguém fica pelo caminho.
As apostas de Ruy Alves estão no ecossistema do Claude, da Anthropic. Mas a mensagem mais importante talvez seja outra: haverá muito dinheiro, muita euforia e também muitos excessos antes que os vencedores reais dessa revolução fiquem claros.
Segundo Ruy, somos uma espécie de “bolsa antitech” por definição. Tendemos a ganhar quando o mundo se desorganiza e volta os olhos para commodities -- e ficar para trás quando a integração tecnológica acelera.
Nem mesmo vantagens naturais, como menor dependência de energia e alimentos, devem colocar o país em posição de destaque na corrida da IA. Isso ajuda, mas não transforma uma economia por si só.
No fim, a pergunta do título continua de pé: seu diploma ainda vale algo?
Vale, sim. Mas vale menos do que valia como passaporte automático para a estabilidade. Na era da inteligência artificial, o verdadeiro diferencial não está apenas no que você estudou, mas no quanto consegue ampliar sua capacidade com a máquina.
O risco não é só a IA tirar empregos. É ela criar uma nova elite — e deixar de fora quem insistir em competir sozinho. “Lobo sozinho morre de fome”, diz o gestor da Kinea.
FAÇA O QUE EU DIGO...
NOS BASTIDORES
AS MAIS VALIOSAS
CARGO SURPRESA
PILOTO AUTOMÁTICO
CURRÍCULO ATUALIZADO?
COMPLEXO DE DEUS
INÍCIO DE CARREIRA
CARÁTER PEDAGÓGICO
CV EM MÃOS
ADEUS, HOME OFFICE
CONTRATAÇÃO DE ROBÔS
PRIMEIRO EMPREGO
UM COCHILO VAI BEM
CURRÍCULO EM MÃOS
PRIMEIRO EMPREGO
O PODER DA EXPERIÊNCIA
EMPREGOS VERDES