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Estudo encomendado pela plataforma de estágios CIEE diz o que as empresas devem fazer para engajar os profissionais em início de carreira

A geração Z é frequentemente tópico polêmico quando o assunto é mercado de trabalho. Com novas prioridades em comparação à época dos pais e até outras possibilidades de carreira fora do tradicional, os mais jovens costumam gerar burburinhos nos corredores dos escritórios e na internet. No entanto, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) defende que as idades mais novas não são tão diferentes assim das anteriores profissionalmente.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva a pedido do CIEE, plataforma de estágios e programas de jovem aprendiz, tinha como objetivo entender quais eram os principais pontos buscados por jovens na hora de procurar por um emprego.
O estudo, divulgado nesta quarta-feira (3), abrange jovens de 14 a 24 anos em todo o Brasil. Essa idade é praticamente toda representada pela geração Z, que são os nascidos entre 1997 e 2009, e parte pela Alpha, a partir de 2010.
Na visão de 79% do grupo que está entrando no mercado de trabalho agora, a remuneração — considerando salário e benefícios — é um ponto importante na escolha de um emprego, mas não é o principal fator para decidir a empresa ideal para trabalhar.
Para a maioria dos participantes do estudo, a característica mais decisiva sobre uma vaga de emprego é a oportunidade de crescimento.
A pesquisa foi realizada com pessoas de idades que, muitas vezes, estão dividindo o tempo profissional com uma faculdade, curso técnico e até o ensino médio. São jovens nos anos iniciais da carreira e que, segundo o estudo, priorizam os planos para crescer na profissão.
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Os dados indicam que 98% sonham em trabalhar em empresas que valorizam o desenvolvimento profissional.
Esse número também se relaciona com outra estatística da pesquisa sobre os motivos para escolher uma empresa para trabalhar.
Para 54% dos mais novos, a oportunidade de crescimento é o fator chave. Em segundo lugar do pódio, com 43% de indicações, está uma boa remuneração. Já em terceiro, 31% apontaram para um ambiente de trabalho que parece agradável.
Rodrigo Dib, superintendente de Institucional do CIEE, defende que esses números desmentem um argumento popular no mercado de trabalho sobre a geração Z só pensar no modelo de trabalho home office e recusar empregos presenciais.
Isso porque a flexibilidade de trabalho só aparece em quinto lugar da lista, com 20% dos jovens indicando como um fator decisivo.
“O jovem de hoje quer um ambiente de trabalho saudável, bom clima, lugar que respeite quem ele é, que se preocupe com ele, com ele crescendo e se desenvolvendo e tudo que tem a ver com isso, ele valoriza”, explica Dib.
Outra visão que, segundo o superintendente, é derrubada com a pesquisa se refere à ideia de que o jovem já não quer mais um trabalho tradicional.
Com o “boom” tecnológico e o surgimento de diferentes profissões digitais, Dib defende que existem muitas possibilidades de renda na internet.
No entanto, elas funcionam como um trabalho informal — que não é uma prática nova na economia — que acaba recebendo mais repercussão.
Ainda assim, ele discorda que os jovens não valorizam mais o trabalho em empresas comuns. Para isso, ele se baseia em um outro número da pesquisa: em quarto lugar na lista de prioridades para escolher um emprego, 24% das respostas citaram o renome e tradição da companhia.
A preocupação com a saúde mental se tornou um tema indispensável nas discussões sobre o mercado de trabalho. Cabe lembrar que o tópico virou até lei com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 para incluir riscos psicossociais entre as avaliações de saúde trabalhista.
Ou seja, é um fator que tem sido comentado em todos os contextos profissionais.
Entre os jovens, isso também aparece como uma prioridade. O estudo diz que 98% concordam que é muito importante poder trabalhar em uma empresa que valoriza a saúde mental.
De olho nesses dados, Dib defende que as companhias que quiserem desenvolver e reter bons talentos logo cedo precisam se desvincular do senso comum.
“É preciso olhar para cada colaborador como único, entender quem são, o que os motiva e que cada um é diferente do outro. Quem fizer isso e ao mesmo tempo garantir remuneração justa, vai fidelizar. Porque o jovem quer estar onde ele acima de tudo se sinta bem. Se deixar no automático, o jovem vai se desconectar, desengajar e sair”, explica.
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