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A agência de risco de crédito defende que as vendas de ativos podem ser um ponto de esperança para a recuperação da CSN

A situação não está nada boa para uma das maiores siderúrgicas do país. Enquanto o mercado ainda está sensível com casos recentes de calotes de outras empresas, a CSN (CSNA3) entra na mira da Fitch Ratings. A agência de classificação de risco de crédito rebaixou a nota da companhia brasileira de B para CCC+ — que representa um pé atrás elevado sobre a chance de inadimplência.
E como se já não bastasse a redução do rating, a expectativa também segue negativa. A Fitch também mantém a observação negativa, que indica que a nota pode piorar ainda mais em breve.
Embora o sinal de alerta dado à siderúrgica não signifique, necessariamente, que a companhia está prestes a dar um calote no mercado, é um indicador de que a situação financeira da empresa está bastante delicada.
Segundo a análise da Fitch, os problemas da CSN permanecem os mesmos que já estão perturbando os investidores há algum tempo: endividamento elevado e queima contínua de caixa.
“As elevadas despesas com juros, os altos investimentos, a estrutura de capital desequilibrada e os riscos de refinanciamento persistentemente elevados então em linha com a categoria ‘CCC’”, afirma a agência.
O pessimismo já ronda a siderúrgica há algum tempo. Desde o início do ano, as ações CSNA3 despencam 44,3% e, para a Fitch, a empresa brasileira ainda tem um longo caminho para melhorar.
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Às 11h47 desta segunda-feira (3), os papéis registravam queda de 8,06% e lideravam a ponta negativa do Ibovespa, principal índice de ações da bolsa.
A CSN tem sido percebida com cautela pelo mercado principalmente após o resultado do quarto trimestre do ano passado. Em março, a siderúrgica divulgou um prejuízo líquido 748% maior que o mesmo período do ano anterior — números impulsionados pela alta da alavancagem e pela queima de caixa.
Desde então, esses temas estão sendo acompanhados de perto pelos investidores.
O resultado do segundo trimestre de 2026 só será publicado na próxima semana, na quarta-feira (12). Mas a companhia já está preparando o mercado para números ainda difíceis.
Na última quinta-feira (30), a CSN divulgou resultados preliminares do primeiro semestre. Segundo a companhia, o prejuízo líquido deve ficar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão, um aumento de 62% em comparação com o semestre anterior.
Já o nível de endividamento também deve piorar, com um aumento na dívida bruta e dívida líquida ajustada para R$ 54 bilhões e R$ 44 bilhões, respectivamente.
Esses números também entraram no radar da Fitch, que acredita que o nível de alavancagem da companhia está insustentavelmente alto.
Segundo as projeções da Fitch, a dívida total ajustada da CSN deve ultrapassar os R$ 60 bilhões em 2026 e 2027.
A expectativa é que os indicadores de alavancagem permaneçam em níveis considerados elevados para a companhia. A Fitch projeta que a dívida da siderúrgica será equivalente a quase seis vezes o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2026.
Na prática, isso significa que a companhia precisaria de vários anos de resultados operacionais para quitar o endividamento.
“A elevada carga de juros e o acesso a linhas de crédito mais restritivas pressionam ainda mais a flexibilidade financeira da CSN”, explica a agência.
Além da dívida preocupante, a geração de caixa é outro fator que segue pressionado.
A Fitch espera que o fluxo de caixa livre permaneça negativo pelos próximos três anos, em meio a investimentos elevados, custos financeiros altos e um cenário ainda desafiador para os mercados de minério de ferro e aço.
Outro dado que chamou atenção da agência é que aproximadamente 40% do Ebitda da CSN é consumido pelo pagamento de juros.
A Fitch explica que, para que a nota de crédito da CSN melhore daqui para frente, a siderúrgica terá que arrumar a casa para colocar em prática o plano de desalavancagem. Hoje, a empresa negocia desinvestimentos em algumas operações para reforçar o caixa e reduzir a pressão sobre o balanço.
Em junho, a companhia avançou na venda da CSN Cimentos. Quatro companhias — duas brasileiras e duas chinesas — avançaram para a próxima fase do processo e devem encaminhar uma proposta vinculante até o dia 7 de agosto.
Além disso, tem sido discutida a venda de ativos de infraestrutura. No pacote estão terminais portuários no Rio de Janeiro, a participação na empresa de transporte ferroviário de carga MRS e a recém-comprada Tora, de logística.
Segundo cálculos da Fitch, a venda de 100% da operação de cimento e de uma participação de 25% dos ativos de infraestrutura poderia gerar aproximadamente R$ 16,2 bilhões.
Em um cenário traçado pela agência, esse movimento reduziria a dívida total para cerca de R$ 37 bilhões e derrubaria os indicadores de alavancagem para níveis significativamente menores.
O problema é que essas operações ainda não foram concluídas.
Por isso, a Fitch preferiu não considerar os recursos dessas vendas para estabelecer a nota de risco atual. Ou seja, o cenário ainda considera o endividamento alto.
Outra medida tomada pela CSN recentemente foi o adiamento do vencimento de parte da dívida internacional da companhia, aprovada pelo conselho de administração na quinta (30).
A empresa recebeu sinal verde para realizar uma oferta de troca de bonds com vencimento em 2028 emitidos pela subsidiária CSN Inova.
Os títulos de dívidas existentes contam com juros de 6,75% ao ano. Porém, eles poderão ser trocados por novas notes colocadas no exterior com remuneração de taxa fixa de 11% ao ano e vencimento em 2030, no valor de até US$ 970 milhões.
Além disso, a CSN se comprometeu a pagar até US$ 330 milhões em dinheiro.
A oferta será destinada para investidores institucionais qualificados, residentes e domiciliados nos Estados Unidos, assim como para investidores em outros mercados internacionais.
A oferta teve início no mesmo dia e está prevista para encerrar em 10 de agosto, com liquidação prevista em 12 de agosto.
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