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PERSPECTIVA NEGATIVA

CSN (CSNA3) pode dar calote? Fitch deu sinal de alerta para a siderúrgica e ações lideram perdas do Ibovespa

A agência de risco de crédito defende que as vendas de ativos podem ser um ponto de esperança para a recuperação da CSN

Logo da CSN e, ao fundo, trabalhadores em uma indústria siderúrgica
CSN (CSNA3) - Imagem: iStock/FG Trade/Divulgação - Montagem: Giovanna Figueredo

A situação não está nada boa para uma das maiores siderúrgicas do país. Enquanto o mercado ainda está sensível com casos recentes de calotes de outras empresas, a CSN (CSNA3) entra na mira da Fitch Ratings. A agência de classificação de risco de crédito rebaixou a nota da companhia brasileira de B para CCC+ — que representa um pé atrás elevado sobre a chance de inadimplência.

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E como se já não bastasse a redução do rating, a expectativa também segue negativa. A Fitch também mantém a observação negativa, que indica que a nota pode piorar ainda mais em breve.

Embora o sinal de alerta dado à siderúrgica não signifique, necessariamente, que a companhia está prestes a dar um calote no mercado, é um indicador de que a situação financeira da empresa está bastante delicada.

Segundo a análise da Fitch, os problemas da CSN permanecem os mesmos que já estão perturbando os investidores há algum tempo: endividamento elevado e queima contínua de caixa.

“As elevadas despesas com juros, os altos investimentos, a estrutura de capital desequilibrada e os riscos de refinanciamento persistentemente elevados então em linha com a categoria ‘CCC’”, afirma a agência.

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O pessimismo já ronda a siderúrgica há algum tempo. Desde o início do ano, as ações CSNA3 despencam 44,3% e, para a Fitch, a empresa brasileira ainda tem um longo caminho para melhorar.

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Números difíceis no primeiro semestre

A CSN tem sido percebida com cautela pelo mercado principalmente após o resultado do quarto trimestre do ano passado. Em março, a siderúrgica divulgou um prejuízo líquido 748% maior que o mesmo período do ano anterior — números impulsionados pela alta da alavancagem e pela queima de caixa.

Desde então, esses temas estão sendo acompanhados de perto pelos investidores.

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O resultado do segundo trimestre de 2026 só será publicado na próxima semana, na quarta-feira (12). Mas a companhia já está preparando o mercado para números ainda difíceis.

Na última quinta-feira (30), a CSN divulgou resultados preliminares do primeiro semestre. Segundo a companhia, o prejuízo líquido deve ficar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão, um aumento de 62% em comparação com o semestre anterior.

Já o nível de endividamento também deve piorar, com um aumento na dívida bruta e dívida líquida ajustada para R$ 54 bilhões e R$ 44 bilhões, respectivamente.

Esses números também entraram no radar da Fitch, que acredita que o nível de alavancagem da companhia está insustentavelmente alto.

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Dívida acima de R$ 60 bilhões assusta

Segundo as projeções da Fitch, a dívida total ajustada da CSN deve ultrapassar os R$ 60 bilhões em 2026 e 2027.

A expectativa é que os indicadores de alavancagem permaneçam em níveis considerados elevados para a companhia. A Fitch projeta que a dívida da siderúrgica será equivalente a quase seis vezes o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2026.

Na prática, isso significa que a companhia precisaria de vários anos de resultados operacionais para quitar o endividamento.

“A elevada carga de juros e o acesso a linhas de crédito mais restritivas pressionam ainda mais a flexibilidade financeira da CSN”, explica a agência.

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Além da dívida preocupante, a geração de caixa é outro fator que segue pressionado.

A Fitch espera que o fluxo de caixa livre permaneça negativo pelos próximos três anos, em meio a investimentos elevados, custos financeiros altos e um cenário ainda desafiador para os mercados de minério de ferro e aço.

Outro dado que chamou atenção da agência é que aproximadamente 40% do Ebitda da CSN é consumido pelo pagamento de juros.

Venda de ativos é o que pode recuperar

A Fitch explica que, para que a nota de crédito da CSN melhore daqui para frente, a siderúrgica terá que arrumar a casa para colocar em prática o plano de desalavancagem. Hoje, a empresa negocia desinvestimentos em algumas operações para reforçar o caixa e reduzir a pressão sobre o balanço.

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Em junho, a companhia avançou na venda da CSN Cimentos. Quatro companhias — duas brasileiras e duas chinesas — avançaram para a próxima fase do processo e devem encaminhar uma proposta vinculante até o dia 7 de agosto.

Além disso, tem sido discutida a venda de ativos de infraestrutura. No pacote estão terminais portuários no Rio de Janeiro, a participação na empresa de transporte ferroviário de carga MRS e a recém-comprada Tora, de logística. 

Segundo cálculos da Fitch, a venda de 100% da operação de cimento e de uma participação de 25% dos ativos de infraestrutura poderia gerar aproximadamente R$ 16,2 bilhões.

Em um cenário traçado pela agência, esse movimento reduziria a dívida total para cerca de R$ 37 bilhões e derrubaria os indicadores de alavancagem para níveis significativamente menores.

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O problema é que essas operações ainda não foram concluídas.

Por isso, a Fitch preferiu não considerar os recursos dessas vendas para estabelecer a nota de risco atual. Ou seja, o cenário ainda considera o endividamento alto.

Renegociação de dívidas

Outra medida tomada pela CSN recentemente foi o adiamento do vencimento de parte da dívida internacional da companhia, aprovada pelo conselho de administração na quinta (30).

A empresa recebeu sinal verde para realizar uma oferta de troca de bonds com vencimento em 2028 emitidos pela subsidiária CSN Inova.

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Os títulos de dívidas existentes contam com juros de 6,75% ao ano. Porém, eles poderão ser trocados por novas notes colocadas no exterior com remuneração de taxa fixa de 11% ao ano e vencimento em 2030, no valor de até US$ 970 milhões.

Além disso, a CSN se comprometeu a pagar até US$ 330 milhões em dinheiro.

A oferta será destinada para investidores institucionais qualificados, residentes e domiciliados nos Estados Unidos, assim como para investidores em outros mercados internacionais.

A oferta teve início no mesmo dia e está prevista para encerrar em 10 de agosto, com liquidação prevista em 12 de agosto.

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