De olho em possível rali eleitoral, investidores poderiam ‘comprar bolsa de olhos vendados’ nos patamares atuais, apontam analistas; entenda
Analistas da Empiricus afirmam que patamar atual do Ibovespa é historicamente descontado, e rali eleitoral está ‘subprecificado’ em meio a ceticismo do mercado com ativos brasileiros

Em julho até aqui, o Ibovespa se manteve em um patamar entre 170 e 175 mil pontos, sem viés claro de alta ou de baixa – a chamada “lateralização”. Para quem viu o índice quase tocar os 200 mil pontos em abril, os preços atuais podem até parecer uma consolidação natural.
Porém, para os analistas da Empiricus, isso pode indicar desconto na bolsa brasileira, especialmente considerando as chances de um novo rali que pode vir ainda em 2026.
Em relatório da última sexta-feira (24), os analistas apontam que, em termos de valuation, o Ibovespa atualmente negocia em cerca de 10 vezes a razão do preço sobre lucros (P/L) esperados para os próximos 12 meses. O múltiplo atual está abaixo da média histórica de cerca de 12,2 vezes dos últimos 20 anos.

E o que isso significa, exatamente? Bom, para a Empiricus, isso é um valor descontado em meio a um ceticismo do mercado com a bolsa, e deveria significar atratividade de entrada para investidores.
“Historicamente, bolsa brasileira negociando a 10x lucros é quase sempre um exercício de comprar com os olhos vendados, buscando upsides ‘ordinários’ entre +25% e +50%”, afirmam. Porém, no momento, esse movimento não tem sido detectado.
“Mesmo a pequena onda de euforia que nos acometeu entre o fim de 2025 e o início de 2026 veio desprovida de gatilhos específicos, baseando-se puramente em fluxo gringo. Agora, porém, finalmente temos uma temática própria capaz de carregar o Ibovespa nas costas, e nem assim o mercado está topando acordar... o que está acontecendo?”
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Qual seria essa “temática própria”? A resposta é simples: as eleições presidenciais de outubro, que já estão batendo às portas. De olho na corrida eleitoral, os analistas entendem que os números do Ibovespa já deveriam estar dançando ao ritmo dessa pauta.
“Não somos prepotentes a ponto de questionar a sabedoria coletiva do mercado. No entanto, desconfiamos que a hipótese de um rali eleitoral no Brasil está largamente subprecificada”.
Eleições podem ser gatilho de alta do Ibovespa; mas por quê?
Para alguns investidores, pode ser que a relação entre eleições e alta do Ibovespa não seja diretamente perceptível, mas não é difícil de explicar.
O mercado aguarda pela possível eleição de um candidato cujo posicionamento seja mais “pró-mercado”. Isto é, alguém disposto a tocar um ajuste fiscal com mais convicção e andar em sinergia com o Banco Central em suas medidas de combate à inflação.
“Para o mercado, três perguntas serão decisivas: quem pode vencer, quem conseguirá governar e qual ajuste fiscal terá condições de entregar. A eleição ocorrerá apenas em outubro, mas sua influência sobre os ativos brasileiros já começou.”
Na visão dos analistas, “ajustes fiscais costumam ser mais fáceis de anunciar na oposição do que de executar no governo”. Ou seja: por ora, a maior aposta do mercado é de que ele encontre lar em uma candidatura que não seja a de Lula.
Por mais que a “leitura hegemônica” seja de que Lula continua líder nas últimas pesquisas de intenção de voto, uma possível intercorrência na candidatura de Flávio Bolsonaro pode fazer com que o atual presidente entre “em maus lençóis”, segundo os analistas.
Paradoxalmente, “Lula é muito forte contra candidatos fracos, mas teria uma batalha difícil contra algum outro candidato capaz de aglutinar a massa de eleitores de centro-direita que não são casados com o clã Bolsonaro”, afirmam.
Pesquisas recentes, como a Nexus/BTG Pactual da última segunda-feira (27), mostram Lula perdendo força em cenários de segundo turno contra candidatos alternativos a Flávio, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Um cenário no qual um candidato “alternativo” vença Lula parece distante, mas a possibilidade já deveria ser suficiente para precificar retomadas na bolsa.
“Até o momento, essa ultrapassagem parece impossível, pois a dicotomia Lula x Flávio nos coloca em um estado de anestesia. Mas felizmente, eventos de ímpeto podem nos forçar a entrar no navio de volta à boa vida”, afirmam.
Dito isso, vale ressaltar que, apesar de o mercado trabalhar em cima de expectativas, não é possível saber o que as eleições reservam. Portanto, é necessário estar preparado para qualquer cenário.
Empiricus+: saiba como posicionar sua carteira com eleições no radar
O conceito de “comprar de olhos vendados” diz respeito a estar ou não exposto a ativos de risco, mas ainda se faz necessária uma diligência na hora de montar uma carteira de ações completa, com ativos selecionados e o devido nível de exposição.
Os analistas da Empiricus têm trabalhado com a proposta de encontrar os ativos mais promissores em diferentes cenários do período eleitoral.
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