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Como EUA e Irã mudaram a perspectiva do petróleo — o futuro da oferta global e o que importa para quem investe

BTG Pactual aponta que eventual alívio de sanções ao Irã dentro de um acordo que pare a guerra pode adicionar mais barris ao mercado global no curto prazo; banco também fez uma varredura nas empresas do setor

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Imagem: theasis/ iStock

O mercado internacional de petróleo voltou a níveis anteriores ao pico recente de tensões globais recentes, com o Brent — referência global — cotado na casa de US$ 80 por barril, o menor patamar desde o início da escalada envolvendo Estados Unidos e Irã. O movimento, segundo o BTG Pactual, reflete a crescente precificação de um aumento gradual da oferta no Oriente Médio após o acordo preliminar entre Washington e Teerã.

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O movimento de desaquecimento do mercado de petróleo vem na esteira de um memorando que prevê um período de negociação de 60 dias, passagem sem tarifas pelo Estreito de Ormuz e normalização gradual da capacidade de navegação em até 30 dias.

O acordo também abre espaço para um eventual alívio de sanções, com potencial reinserção do petróleo iraniano no mercado global.

Além disso, inclui a suspensão imediata de sanções relacionadas às exportações de petróleo iraniano, com efeitos diretos sobre serviços bancários, de transporte e seguros.

Na avaliação dos analistas, a possibilidade de liberação de mais de 100 milhões de barris atualmente estocados ou em trânsito reforça o cenário de aumento relevante da oferta no curto prazo.

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Nesta sexta-feira (19), os preços do petróleo voltaram a subir após o cancelamento das negociações previstas entre Estados Unidos e Irã, que seriam realizadas na Suíça.

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Apesar da recuperação pontual, o petróleo ainda permanece abaixo das máximas superiores a US$ 100 registradas nas semanas anteriores e caminha para uma queda semanal.

Além das perspectivas para o mercado de petróleo, o BTG Pactual também detalha os principais desdobramentos recentes das empresas do setor — e que podem mexer com o bolso de quem investe

Petrobras: R$ 11,6 bilhões a receber

No cenário doméstico, a Petrobras (PETR4) recebeu a primeira parcela do programa de subsídio de combustível do governo, no valor de R$ 752 milhões, referente a diesel acumulado em março.

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O BTG Pactual estima que a companhia ainda possui cerca de R$ 12,4 bilhões em recebíveis ligados ao programa no período entre meados de março e o fim de junho. Desse total, R$ 10,6 bilhões referem-se ao diesel e R$ 1 bilhão à gasolina.

Com o pagamento realizado, o banco calcula que ainda restam aproximadamente R$ 11,6 bilhões a receber do governo federal.

O BTG também destaca que os valores pendentes após junho são corrigidos pela taxa CDI, o que adiciona uma compensação financeira pelo atraso no repasse.

Brava: avanço no Cade, arbitragem em Atlanta

A Brava Energia (BRAV3) informou o início de um processo de arbitragem pela Westlawn, que detém 20% do campo de Atlanta, alegando que a transação com a Ecopetrol poderia acionar direito de preferência para aquisição da participação.

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A companhia afirma que as alegações não têm base jurídica e não considera o caso material.

Paralelamente, o BTG destaca como ponto mais relevante a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a aquisição de controle pela Ecopetrol, o que representa mais um passo relevante para o fechamento da operação.

Na visão do banco, a arbitragem não deve afetar o cronograma do negócio, enquanto a aprovação regulatória reduz o risco de execução da transação.

Ultrapar: recompra e reforço no caixa

A Ultrapar (UGPA3) aprovou um programa de recompra de até 18 milhões de ações ordinárias, equivalente a 1,6% do total de papéis em circulação, com execução prevista ao longo dos próximos 12 meses.

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Para o BTG Pactual, a iniciativa não altera de forma estrutural a base acionária, mas tem relevância dentro da política de retorno ao acionista.

O banco avalia que o movimento reforça a forte geração de caixa da companhia e indica que a administração considera o atual nível de preço das ações excessivamente deprimido.

Braskem: resistência de credores na reestruturação

A Braskem (BRKM5) e seu controlador IG4 Capital ainda não conseguiram apoio suficiente para avançar com a recuperação extrajudicial planejada, que exige adesão mínima de um terço dos credores.

De acordo com o BTG, credores têm questionado a proposta por conta de assimetrias de tratamento entre diferentes grupos. Além disso, segundo o banco, existem preocupações sobre qualidade das garantias, ausência de conversão de dívida em ações e falta de entrada de novo capital.

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OceanPact: julgamento no STJ e litígio com Petrobras

A empresa brasileira de serviços marítimos OceanPact (OPCT3) teve sua ação contra a Petrobras relacionada à plataforma UP Coral marcada para julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 6 de agosto, com valor bruto atualizado de aproximadamente R$ 700 milhões.

Segundo o BTG, o caso é o principal entre os litígios da companhia contra a Petrobras e deve, após decisão, avançar para a definição do valor efetivamente devido. A Petrobras tende a depositar a parcela não contestada, enquanto a disputa sobre o restante pode continuar.

O banco vê o julgamento como um potencial catalisador positivo para a ação, destacando que o conjunto das disputas judiciais representa cerca de 20% do valor de mercado da OceanPact.

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