Por que o Zagros Renda (GGRC11) segue descontado mesmo perto dos R$ 4 bilhões? CEO manda recado ao mercado e indica os próximos passos do FII
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Pedro Van den Berg, CEO da gestora Zagros Capital, conta a estratégia para elevar a cota do FII e impulsionar os dividendos

Os cotistas do fundo imobiliário Zagros Renda (GGRC11) viveram um semestre agitado, com aquisições de seis ativos e uma captação recorde de R$ 1,48 bilhão. As operações levaram o FII a alcançar R$ 3,9 bilhões em patrimônio líquido e a ingressar em dois índices globais: o FTSE EPRA Nareit Global Emerging e o Global Extended.
Ainda assim, o GGRC11 é negociado com desconto na bolsa de valores (B3). As cotas estão sendo precificadas em cerca de R$ 9,90, 10% abaixo do valor patrimonial de R$ 11,03.
Foi aí que a Zagros Capital, gestora do ativo, decidiu mandar um recado para os investidores por meio de um mecanismo recente no mercado de FIIs: a recompra de cotas. O GGRC11 anunciou um programa para adquirir cerca de 10% do total de papéis emitidos pelo fundo, o equivalente a 34.115.118 cotas.
Vale lembrar que o mecanismo de recompra de papéis é recente no universo dos fundos imobiliários, embora seja bem comum entre as empresas listadas na B3.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) só passou a autorizar a operação para FIIs em maio de 2025, após a forte depreciação das cotas no fim de 2024 colocar o debate de volta no radar da autarquia.
O recado do CEO para o mercado
“A recompra de cotas foi uma sinalização da gestão ao mercado, e não uma tentativa de influenciar o preço, até porque o GGRC11 tem uma liquidez diária muito elevada”, afirmou Pedro Van den Berg, CEO da Zagros, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Leia Também
A Selic estacionou, e este é o fundo imobiliário mais indicado por analistas para surfar a pausa
A guerra no Irã vai acabar? O que as eleições nos EUA podem mudar no preço do petróleo
De acordo com dados da B3, o GGRC11 foi o oitavo FII mais negociado no mês de junho. Além disso, a base de investidores superou 372 mil cotistas, colocando o ativo entre os dez maiores fundos do mercado em número de investidores e liquidez no mercado secundário.
“Na nossa avaliação, as cotas estão excessivamente depreciadas. Considerando esse desconto, faz mais sentido comprar cotas do GGRC11 do que adquirir outro ativo”, completou.
Apesar da recompra de cotas, o FII segue sendo negociado com deságio na bolsa.
O desconto dos GGRC11 na tela
Com tantos recordes conquistados pelo GGRC11 no último semestre, fica a questão: por que o mercado ainda não comprou a tese do FII?
O primeiro motivo vem de um antigo inimigo da renda variável: os juros em níveis elevados.
No início do ano, os participantes do mercado apostavam em uma trajetória de queda dos juros. No entanto, uma série de eventos — como a guerra entre Estados Unidos e Irã, o novo tarifaço de Donald Trump contra o Brasil e o cenário eleitoral — elevou as incertezas, pressionou as expectativas de inflação e reduziu as apostas de cortes na taxa básica de juros.
Esse cenário costuma reduzir o apetite dos investidores por ativos de risco, enquanto a renda fixa ganha destaque. E é o que vem acontecendo no universo dos fundos imobiliários. O IFIX, índice de referência dos FIIs, encerrou o último mês com queda acumulada de 0,77%.
Além disso, o CEO da Zagros destaca que a alta da Selic também pressiona a precificação patrimonial dos fundos imobiliários. Atualmente, essa avaliação é feita pelo método do Fluxo de Caixa Descontado (DCF, na sigla em inglês).
O problema é que a metodologia utiliza a Selic como taxa de desconto para calcular o custo de oportunidade do investimento. “Essas questões macroeconômicas são estruturais e atingem o mercado como um todo”, Van den Berg.
Uma nova estratégia para o GGRC11
Apesar do cenário desafiador para a renda variável, o segmento de galpões logísticos apresenta o menor desconto entre as principais classes de FIIs. No acumulado do primeiro semestre, esses fundos eram negociados, em média, com desconto de cerca de 6% em relação ao valor patrimonial, segundo levantamento do Itaú BBA.
Porém, no caso do GGRC11, o portfólio foi composto por ativos industriais durante muito tempo. Desde 2024, a gestão vem recalibrando a carteira, com foco em ativos logísticos. Após a 11ª emissão, o fundo passou a ter 75,36% da carteira em galpões.
Além disso, após passar por turbulências devido à crise da Lojas Americanas, que era responsável por 19,5% da receita do GGRC11, Van den Berg avalia que a gestão aprendeu a lição. “Um fundo seguro tem que ter um portfólio bem diversificado", afirmou.
Com isso, o FII passou a ter uma nova meta: não ter nenhum inquilino ou ativo que represente mais do que 10% da receita. O objetivo também foi alcançado com a última emissão de cotas.
A redução da alavancagem foi outra prioridade do GGRC11. O fundo reduziu esse indicador de quase 15% em 2025 para 9,30% em junho deste ano. Segundo o gestor, a menor alavancagem amplia a capacidade de realizar novas aquisições sem comprometer a saúde financeira do FII.
Apesar das mudanças, Van den Berg enxerga que o mercado ainda não colocou as melhorias do portfólio na ponta do lápis. Ele avalia que o maior desafio da gestão agora é conscientizar o investidor que o desconto está elevado para, assim, a cota refletir o valor justo.
Parte desse trabalho, segundo o gestor, veio justamente através do programa de recompra de cotas aprovado neste mês.
‘Pacman dos FIIs’ em fase de digestão
As mudanças no portfólio do GGRC11 também não passaram despercebidas pelo mercado. O FII chegou a ganhar o apelido de ‘Pacman dos FIIs’, em referência ao volume de aquisições feitas ao longo de 2025.
Agora, no entanto, Van den Berg brinca que “o Pacman dos FIIs está fazendo a digestão”. Embora ainda receba ofertas de imóveis para aquisição, ele reforça que a prioridade é acomodar o novo portfólio adquirido com a última emissão de cotas.
Além disso, o FII tem um novo desafio: aumentar os rendimentos para os cotistas. Em junho, o GGRC11 distribuiu R$ 0,10 por cota, o que corresponde a um dividend yield (taxa de retorno de dividendos) mensal de 1,01%, equivalente a 12,13% ao ano.
Para conseguir elevar o pagamento de dividendos, o CEO avalia que será necessário seguir com a reciclagem do portfólio, substituindo ativos mais antigos por mais modernos e logísticos, em busca de ganho de capital.
REFORÇO NO CAIXA
Fundo imobiliário pode embolsar R$ 160 milhões com venda de fatias de shoppings; veja ganho por cota
5 de novembro de 2026 - 9:15REAÇÃO AO RESULTADO
Nem todo mundo quer comprar Itaú: por que ITUB4 ainda não convenceu todos os analistas após o 3T26
4 de novembro de 2026 - 16:23VIRADA HISTÓRICA
‘Onda azul’ faz Wall Street disparar, mas vitória democrata pode trazer nova dor de cabeça para Trump
4 de novembro de 2026 - 14:01VISÃO DO GESTOR
O mercado desistiu do Brasil? Gestores reduzem apostas em bolsa e reforçam dólar antes do Copom
4 de novembro de 2026 - 13:15CHAVES NA MÃO
Fundo imobiliário BTLG11 embolsa R$ 56 milhões com venda de fatia de galpão; veja lucro por cota e detalhes da operação
4 de novembro de 2026 - 9:56BOLSA SOB PRESSÃO
Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir
3 de novembro de 2026 - 14:02SD ENTREVISTA
Dólar dispara, bolsa cai e Itaú muda a estratégia: chefe de recomendações do banco diz onde investir após as eleições
3 de novembro de 2026 - 13:29REDUÇÃO DA ALAVANCAGEM
Alívio na dívida? CSN (CSNA3) sobe 4% com avanço na venda da divisão de cimentos — mas ainda há desafios no radar
3 de novembro de 2026 - 12:49EX-PACMAN DOS FIIS?
Após onda de compras, ‘Pacman dos FIIs’ coloca imóveis à venda por R$ 530 milhões; veja lucro por cota
3 de novembro de 2026 - 9:39FIM DA GUERRA?
Petróleo fecha em queda de mais de 7% com expectativa de acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
2 de novembro de 2026 - 16:19TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre
31 de outubro de 2026 - 13:15ENTRE MORTOS E FERIDOS
Sangria na bolsa deixa varejo e construção civil entre os setores mais castigados, mostra EQI
31 de outubro de 2026 - 9:15SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?
Uma semana muda tudo: BTG (BPAC11) devolve ganhos do ano e tem recomendação rebaixada — vale comprar após o tombo?
30 de outubro de 2026 - 13:11FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA