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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

MERCADOS HOJE

Petróleo dispara com guerra no Oriente Médio, volta aos US$ 100 e coloca mercados em alerta; Focus prevê Selic mais alta no Brasil

Alta da commodity chegou a superar 25% durante a madrugada, empurrou investidores para ativos de proteção e reacendeu temores de inflação e juros altos — inclusive no Brasil

Camille Lima
Camille Lima
9 de março de 2026
9:37 - atualizado às 9:39
Barril de petróleo sobre dólares
Imagem: DALL-E/ChatGPT

petróleo voltou aos três dígitos — e os mercados globais sentem o impacto. Depois de mais de três anos e meio longe desse patamar, o barril da commodity ultrapassou novamente a marca de US$ 100, impulsionado pela escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que já chega ao décimo dia.  

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Em determinados momentos da madrugada, as cotações chegaram a saltar mais de 25%, se aproximando de US$ 120 por barril

A reação nos mercados financeiros foi dura. O dólar se fortaleceu, investidores buscaram proteção e os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano subiram, com a Treasury de 10 anos atingindo o nível mais alto em mais de um mês. 

Ao mesmo tempo, o VIX, índice conhecido como o “termômetro do medo” de Wall Street, avançou para o maior nível desde abril de 2025. 

A volta do petróleo aos três dígitos 

Logo na reabertura das negociações internacionais, o mercado de petróleo reagiu com força. O barril do Brent, referência no mercado internacional, subia 11,19% por volta das 9h17, a US$ 103,06. 

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Já o WTI, referência nos Estados Unidos, era negociado perto de US$ 100,94, avanço de mais de 11% no mesmo horário. 

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O movimento prolonga uma disparada que já vinha se acumulando nos últimos dias. Na semana passada, o WTI subiu 36% e o Brent avançou 28%, em meio à deterioração do cenário geopolítico. 

A última vez que o petróleo havia superado os US$ 100 foi em 2022, quando a guerra na Ucrânia provocou um choque semelhante no mercado de energia. 

O que faz o petróleo subir tanto? 

Por trás dessa escalada está um temor que o mercado conhece bem: um choque de oferta global de energia. No centro dessa preocupação está o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de petróleo. 

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Cerca de 15 milhões de barris de petróleo por dia — aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo — passam pelo estreito, segundo estimativas da consultoria Rystad Energy. 

O estreito conecta produtores-chave do Golfo Pérsico — como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos — aos mercados globais. 

Porém, nos últimos dias, a ameaça de ataques com mísseis e drones iranianos praticamente paralisou o tráfego de petroleiros na região. Com a dificuldade de escoar a produção, alguns países já começaram a sentir os efeitos logísticos. 

Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos reduziram a produção, à medida que os tanques de armazenamento se aproximam da capacidade máxima. 

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Ao mesmo tempo, o próprio conflito aumentou os riscos para a infraestrutura energética da região. Irã, Israel e Estados Unidos já atingiram instalações de petróleo e gás desde o início da guerra, ampliando os temores sobre o abastecimento global. 

Além disso, no domingo (8), o Irã anunciou que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khameneiassumirá o posto de líder supremo após a morte do pai em um ataque ocorrido na primeira semana da guerra. 

A nomeação foi interpretada como um sinal de continuidade da ala mais linha-dura do regime iraniano, o que reduz expectativas de uma desescalada rápida do conflito. 

Para Felipe Sant'Anna, especialista em ações da Axia Investing, a ascensão de Mojtaba à líder supremo do Irã pode ser um "endurecimento" da linha política estabelecida por seu pai. Integrado há anos aos círculos mais conservadores do regime e com forte ligação com a Guarda Revolucionária, ele é frequentemente descrito como representante da ala mais rígida do establishment iraniano.

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"Diante do atual cenário de confrontos militares envolvendo o país e da morte de seu pai em uma operação militar, a tendência pode ser de manutenção ou até intensificação dessa postura", disse Sant'Anna.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar mais retaliações se o nome escolhido não tivesse a sua aprovação prévia. "Se não tiver nossa aprovação, não vai durar muito tempo", afirmou Trump à ABC News.

Israel já afirmou que qualquer novo líder iraniano poderá se tornar alvo militar.

Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, afirmou que os impactos da guerra sobre o setor petrolífero podem entrar em uma “espiral”, tornando cada vez mais difícil produzir e exportar petróleo. 

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Hoje, o Irã exporta cerca de 1,6 milhão de barris por dia, grande parte destinada à China. Caso esse fluxo seja interrompido, Pequim poderá precisar recorrer a outros fornecedores — um movimento que tende a pressionar ainda mais os preços globais. 

Petróleo mais caro e o fantasma da inflação 

A volta do petróleo aos três dígitos reacende um debate que parecia mais distante nos últimos meses: até que ponto a economia global consegue absorver energia mais cara. 

Desde que Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, em 1º de março, a escalada do petróleo já começou a reverberar nos preços de combustíveis. 

Se o petróleo permanecer acima dos US$ 100 por barril por um período prolongado, analistas temem que os custos mais altos de energia reacendam pressões inflacionárias e reduzam o consumo. 

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Custos mais altos de energia tendem a pressionar cadeias produtivas, elevar o preço de combustíveis e reduzir o consumo das famílias — um cenário que dificulta o trabalho dos bancos centrais no combate à inflação. 

Nos Estados Unidos, a situação já se torna delicada. A combinação de atividade mais fraca com energia mais cara pode colocar o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) em uma posição complicada, dificultando o caminho para cortes nas taxas de juros. 

A próxima decisão de política monetária do banco central norte-americano está marcada para 18 de março, e os mercados já praticamente precificam a expectativa de manutenção das taxas. 

Juros e inflação também entram no radar do Brasil 

Os efeitos do petróleo mais caro também começam a aparecer nas expectativas para a economia brasileira.  

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Economistas ouvidos pelo Banco Central elevaram a projeção para a Selic em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (9). A estimativa para a taxa básica de juros passou de 12% para 12,13%. 

Já as projeções para a inflação medida pelo IPCA permaneceram em 3,91% para 2026, após a divulgação de um IPCA-15 mais forte do que o esperado. Para 2027, houve leve ajuste para cima, de 3,79% para 3,80%. 

No câmbio, a expectativa é de um dólar a R$ 5,41 ao fim de 2026, levemente abaixo dos R$ 5,42 projetados anteriormente. A previsão para o crescimento do PIB brasileiro permaneceu estável.  

O mercado agora aguarda os dados do IPCA de fevereiro, que serão divulgados na quinta-feira (12). A expectativa é elevada após o IPCA-15 registrar alta de 0,84%, acima das estimativas do mercado.  

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Veja as projeções do Relatório Focus de hoje: 

Inflação 

  • 2026: permanece em 3,91% 
  • 2027: de 3,79% para 3,80% 
  • 2028: permanece em 3,50% 
  • 2029: permanece em 3,50% 

PIB 

  • 2026: permanece em 1,82% 
  • 2027: permanece em 1,80% 
  • 2028: permanece em 2% 
  • 2029: permanece em 2% 

Selic 

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  • 2026: de 12% para 12,13% 
  • 2027: permanece em 10,50% 
  • 2028: permanece em 10% 
  • 2029: permanece em 9,50% 

Dólar 

  • 2026: de R$ 5,42 para R$ 5,41 
  • 2027: permanece em R$ 5,50 
  • 2028: permanece em R$ 5,50 
  • 2029: permanece R$ 5,50 

Wall Street e bolsas globais sentem o choque do petróleo 

A disparada do petróleo rapidamente se refletiu nos mercados financeiros. Os futuros dos índices de Wall Street recuavam mais de 1% nesta segunda-feira (9), pressionados tanto pela escalada da commodity quanto pela deterioração do cenário geopolítico. 

Veja o desempenho dos índices futuros dos EUA por volta das 9h20: 

  • Dow Jones: -1,19%  
  • S&P 500: -1,06%  
  • Nasdaq: -1,09%  

Na Europa, o movimento também foi de queda. O Euro Stoxx 50 caía 1,68% no mesmo horário, acumulando o terceiro pregão consecutivo de perdas. Em uma semana, a queda supera os 6%. 

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Além da geopolítica, os investidores também reagiram a dados fracos da economia alemã. A produção industrial da Alemanha caiu 0,5% em janeiro, contrariando expectativas de crescimento de 1%. Na comparação anual, a produção recuou 1,2%. 

Confira a performance das principais bolsas europeias hoje: 

  • Londres: -1,06% 
  • Paris: -1,87% 
  • Frankfurt: -1,27% 

Os mercados asiáticos também sentiram com força o impacto do petróleo mais caro, dada a dependência da região de importação da commodity.  

A Bolsa de Tóquio despencou mais de 5% nesta segunda-feira, refletindo o temor de que a alta da energia pressione economias altamente dependentes da importação de combustíveis fósseis. O índice Nikkei caiu 5,2%. 

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Outras bolsas da região acompanharam o movimento: 

  • Kospi (Coreia do Sul): -5,96% 
  • Taiex (Taiwan): -4,43% 
  • Hang Seng (Hong Kong): -1,35% 

*Com informações de Estadão Conteúdo e do Money Times. 

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