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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

ONDE INVESTIR

Onde investir em abril? Os ativos para se proteger do risco geopolítico e ainda ganhar dinheiro; Petrobras (PETR4) se destaca com dividendos no radar

Confira as recomendações da Empiricus Research em abril para ações, dividendos, fundos imobiliários, ações internacionais e criptomoedas

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
3 de abril de 2026
7:01 - atualizado às 14:38

O rali que impulsionou o Ibovespa no início de 2026 encontrou um freio em março. Após sete meses consecutivos de valorização, o principal índice da bolsa fechou o período em queda de 0,70% — pressionado pela escalada da guerra no Oriente Médio e a disparada do petróleo.

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O barril do Brent (referência global) saiu da faixa dos US$ 72 antes do conflito para US$ 105 ao fim de março, acumulando alta próxima de 50% no mês. No pico, chegou a US$ 119, níveis não vistos desde 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Enquanto empresas ligadas à commodity viveram um momento de forte valorização, o restante do mercado sofreu com o aumento da aversão ao risco, inflação potencialmente mais alta e expectativas de juros elevados por mais tempo.

Apesar da turbulência, o final do mês trouxe uma mudança de tom, que se refletiu em uma redução dos preços do petróleo — atualmente negociados na casa dos US$ 100.

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sinais de abertura do Irã para negociações trouxeram algum alívio aos mercados, mesmo com restrições ainda no Estreito de Ormuz.

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O que esperar em abril

Para abril, a leitura dos especialistas é que o conflito no Oriente Médio seguirá como principal vetor para o Ibovespa, mantendo os mercados sensíveis a qualquer nova sinalização geopolítica.

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“O mercado tem reagido diretamente às novidades da guerra, seja um discurso de Trump, ou sinais de avanço (ou recuo) nas negociações. É isso que tem determinado os movimentos da bolsa”, afirma Ruy Hungria analista da Empiricus Research, no programa “Onde Investir”, do Seu Dinheiro.

Segundo ele, essa dinâmica deve se manter ao longo do mês. Isso, no entanto, não implica necessariamente um cenário negativo.

“Abril continuará sendo guiado pelo noticiário da guerra, mas isso não significa apenas notícias ruins. Um eventual acordo ou desescalada pode aliviar os ativos e melhorar as expectativas para os juros”, diz.

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Em meio a um cenário volátil e repleto de incertezas, surge a dúvida inevitável: como posicionar os investimentos agora?

Para ajudar nessa decisão, o “Onde Investir” de abril reúne as principais recomendações em ações, dividendos, fundos imobiliários (FIIs), ativos internacionais e criptomoedas — e ainda traz a estreia de um novo quadro, o “Renda Extra”. Confira:

Ações e dividendos

Apesar da forte alta recente das ações de petróleo e gás, a avaliação de Ruy Hungria é de que os papéis ainda não estão excessivamente caros. Isso porque a valorização veio acompanhada pela alta do petróleo, que também impulsiona os lucros das companhias.

Desta maneira, a estratégia recomendada pelo estrategista é de manutenção de exposição — ainda que moderada — às petroleiras, como Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3).

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A justificativa está na capacidade dessas empresas de continuar gerando caixa e distribuindo dividendos, mesmo em cenários de preços do petróleo um pouco mais baixos.

“Com o petróleo próximo dos US$ 100, começamos a ter uma perspectiva de ver a Petrobras voltando a pagar dividendos na casa de dois dígitos”, diz.

Além disso, a volatilidade abriu espaço para entradas pontuais em nomes considerados de maior qualidade ou que sofreram quedas além do justificável.

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É o caso de Itaú (ITUB4), visto pelo analista da Empiricus como um ativo defensivo, capaz de navegar bem tanto em ambientes de juros altos quanto baixos, apoiado por uma execução consistente.

Fundos imobiliários

Com projeções inflacionárias mais elevadas, cresce também a percepção de que o ciclo de queda da Selic pode ser mais lento — ou menos intenso — do que se imaginava anteriormente.

Esse ajuste de cenário tende a aumentar a volatilidade, especialmente entre ativos de risco ligados à economia local, como os fundos imobiliários.

Diante disso, a preferência, neste momento, migra parcialmente dos fundos de “tijolo” para os fundos de “papel” — especialmente os de crédito, de acordo com o analista da Empiricus, Caio Araújo.

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A leitura é de que, com uma inflação projetada mais elevada, ativos atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tendem a oferecer um carrego mais interessante no curto prazo.

Nesse cenário, ganha destaque o Clave Índices de Preços (CLIN11), um fundo de crédito atrelado ao IPCA com retorno próximo de IPCA +10% ao ano.

Outra adição foi o Vinci Logística FII (VILG11), um nome já consolidado no segmento logístico. Após um movimento relevante de alienação de portfólio no fim do ano passado, o fundo passou a contar com uma posição de caixa mais robusta.

“O fundo hoje está com bastante caixa, tende a aumentar esse volume, e agora parte para as alocações. Além disso, está com um dividend yield elevado, próximo de dois dígitos”, afirma Araújo. “Então, acredito que ali tenha uma grande oportunidade de ganho de capital”, completa.

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Ações internacionais

Após um período mais turbulento em Wall Street, com o S&P 500 registrando o pior desempenho trimestral desde 2022, os ativos norte-americanos passaram por um ajuste relevante.

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Para Enzo Pacheco, analista da Empiricus, isso trouxe os preços para um patamar mais equilibrado. “Não é um mercado barato, mas a relação entre risco e retorno ficou mais interessante”, afirma.

Nesse contexto, a casa incluiu a Nvidia (BRD: NVDC34) em sua carteira de abril. Segundo Pacheco, a companhia passou a negociar em níveis mais próximos da média do índice, mesmo com crescimento e qualidade acima dos pares.

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Ele ressalta que a gigante de tecnologia atualmente é negociada a cerca de 16 a 17 vezes o lucro projetado — múltiplo que, segundo Pacheco, começa a parecer mais atrativo diante do ritmo de expansão esperado.

“Já conseguimos enxergar um ponto de entrada interessante para a maior empresa do mundo hoje. É uma oportunidade que não dá para ignorar”, diz o analista.

Criptomoedas

Depois de tombar com força em janeiro (-13,86%) e fevereiro (-16,41%), o bitcoin (BTC) ensaiou uma recuperação em março. A criptomoeda se manteve próxima dos US$ 68 mil e encerrou o mês com alta de 1,88%.

Ainda assim, o saldo de 2026 segue negativo: queda acumulada de 26,64%.

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Para abril, o cenário permanece desafiador. Segundo Valter Rebelo, analista da Empiricus, o bitcoin atravessa um período prolongado de consolidação — fase que costuma anteceder movimentos mais bruscos, os chamados “breakouts”, que podem ocorrer tanto para cima quanto para baixo.

No curto prazo, porém, o pano de fundo macro pesa contra. A combinação de inflação mais persistente, em meio aos efeitos indiretos da guerra, e juros elevados tende a pressionar ativos de risco, elevando a probabilidade de uma ruptura negativa.

Nesse contexto, o analista destaca a Hyperliquid (HYPE), ligada a uma exchange descentralizada de derivativos que “vem ganhando espaço frente a concorrentes centralizados, como Binance e Coinbase”.

O diferencial apontado por Rebelo está no modelo econômico do token, mais próximo de uma lógica de “equity”: parte relevante das receitas da plataforma é destinada a recompras (buybacks), o que gera pressão compradora recorrente e um potencial efeito deflacionário sobre o ativo.

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Renda extra

Na estreia do bloco “Renda Extra”, o “Onde Investir” convidou o estrategista Matheus Spiess para apresentar a carteira de renda extra da Empiricus, voltada à geração de renda passiva.

Na leitura do analista, a correção de março — pressionada pelo cenário externo e pela guerra — reabriu oportunidades, com ativos brasileiros voltando a negociar a preços mais atrativos.

VEJA TAMBÉM: Quer descobrir qual o investimento “obrigatório” para ter na carteira em tempo de tensões geopolíticas? Veja como se posicionar em ativos que podem ganhar mais força agora 

“Para quem ficou de fora da primeira perna de alta, o momento pode representar um ponto de entrada mais interessante”, afirma.

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Entre os destaques da carteira, Spiess cita o ETF AREA11, lançado pela BTG Asset Management, que investe em títulos públicos atrelados à inflação e distribui rendimentos mensais.

O portfólio também combina exposição ampla via ETFs de dividendos com posições mais concentradas em nomes de alta convicção, como o Itaú Unibanco, além de incluir fundos de infraestrutura e fundos imobiliários.

“É uma carteira diversificada, pensada para ser completa”, resume o estrategista.

Onde Investir em abril

Para conferir tudo o que foi dito sobre cenário e bons ativos para o mês de abril, confira a íntegra do programa no vídeo abaixo:

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