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ENTRE A CRUZ E A ESPADA

Selic com freio de mão puxado? A mensagem do IPCA-15 e das projeções de inflação do BC sobre o corte de juros

O IPCA-15 de março, o relatório trimestral do BC e o conflito no Oriente Médio dão sinais aos investidores sobre o que esperar na próxima reunião do Copom; confira

nuvens escuras representando dúvida sobre a política monetária e a palavra selic escrita em branco ao centro
Selic - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/iStock/Andrey Shadrin

O IPCA-15 atropelou as expectativas do mercado: subiu 0,44% em março ante projeção de 0,29%. O número é indigesto, mas se você está com receio de o Banco Central (BC) puxar o freio de mão dos cortes da Selic agora, respire: a queda dos juros deve continuar, mas o calibre está ficando mais caro — e a culpa, em parte, vem de longe. 

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Não houve um único grupo de produtos que tenha dado trégua em março. Todos os nove subiram, mas a maior pressão veio de dois lugares que o brasileiro conhece bem: a comida e o aeroporto. 

O grupo alimentação e bebidas subiu 0,88%, com itens como feijão, batata e carnes pesando mais. Já as passagens aéreas avançaram 5,94% — o mercado esperava um refresco após o salto de fevereiro, mas não veio. 

Segundo Alexandre Maluf, a leitura do IPCA-15 foi muito forte e deve contaminar o IPCA fechado do mês.  

Além dos alimentos, o economista da XP diz que a leitura fechada do IPCA de março deverá mostrar com ainda mais evidência os efeitos da guerra entre Irã, EUA e Israel sobre os preços domésticos.  

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Um dos destaques, segundo ele, deverá ser a gasolina que, devido à janela de coleta, teve deflação no IPCA-15 de março, mas, nos cálculos da XP, deverá subir entre 3,5% e 4% no final do mês. 

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“Estamos com projeção para o IPCA de março em torno de 0,70%. Antes do conflito a gente projetava algo em torno de 0,30%, então já temos uma surpresa em poucas semanas de 0,40 ponto no IPCA”, afirma. 

Mas nem tudo é tragédia. No Itaú BBA e no Inter, os economistas notaram que alguns núcleos de serviços e itens como seguros e higiene pessoal vieram melhores que o esperado — um sinal de que o processo de desinflação ainda respira. 

Selic vai cair, mas quanto? 

Se o IPCA-15 não muda o jogo para a Selic — pelo menos por enquanto — o conflito no Oriente Médio pode ditar o ritmo da política monetária daqui para frente.  

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O mercado não está confiando em um acordo entre Washington e Teerã que possa colocar um fim imediato à guerra, por isso, já começou a ajustar as apostas: a maioria dos analistas, incluindo os do Inter, Daycoval e XP, acredita que o BC vai manter o ritmo de corte em 0,25 ponto percentual (pp) na reunião de abril. 

O motivo? O conflito no Estreito de Ormuz ameaça não só o preço da gasolina — que a XP já projeta subir até 4% no fechado de março —, mas também o custo de logística dos alimentos.  

“O BC deve seguir no curto prazo cortando os juros em 0,25 ponto, embora seja forte a incerteza sobre até quando ele pode cortar. Esse é o ponto. Cada vez mais o mercado tem subido as expectativas para a Selic deste ano, isso deve continuar se a guerra também persistir”, afirma Maluf.  

A XP projeta, por ora, Selic de 12,75% no final do ano. 

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“Esperamos que o Copom siga cortando a Selic, com magnitude dependendo da evolução do conflito. Por ora, esperamos uma redução de 0,25 pp na próxima reunião”, disse o economista sênior do Inter, André Valério.  

A meta que não chega 

Para fechar o quadro, o Banco Central soltou nesta quinta-feira (26) o Relatório de Política Monetária do primeiro trimestre de 2026, e mandou um recado claro: a batalha contra a inflação não vai acabar agora.  

No documento, o BC prevê que o IPCA vai ficar acima do centro da meta de 3% pelos próximos dois anos. A projeção indica 3,9% ao final de 2026. 

A inflação deve recomeçar uma trajetória de queda apenas em 2027, mas ainda terminando o terceiro trimestre de 2028 em 3,1% — permanecendo 0,1 ponto percentual acima do alvo central. 

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"Nas projeções do cenário de referência, a inflação passa a subir até o fim de 2026, recomeçando trajetória de queda até o horizonte relevante, mas permanecendo acima da meta", afirma o Banco Central no relatório. 

O que isso significa para o seu bolso? Que a Selic deve continuar caindo se o cenário atual não mudar, mas de forma muito cautelosa.  

Vale lembrar que o BC está em modo vigilância, e qualquer escalada no preço do petróleo lá fora ou na batata aqui dentro pode fazer o ciclo de quedas terminar antes do que o investidor mais otimista gostaria. 

“Na nossa leitura, esse conjunto de informações do relatório trimestral — ainda passível de mudanças em função do contexto geopolítico — reduz o espaço para uma aceleração do ritmo de afrouxamento monetário na reunião de abril”, diz o time do BBA em relatório.  

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