Trump promete força total na guerra contra o Irã e espalha medo, mas Ibovespa consegue se segurar, enquanto petróleo dispara
Em discurso à nação na ultima quarta-feira (1), Trump prometeu "levar o Irã de volta a Idade da Pedra". Com isso, os futuros do Brent dispararam, mas bolsas ao redor do mundo conseguiram conter as quedas. Ibovespa encerrou o dia com leve alta de 0,05%, a 188.052,02 pontos

Se os mercados globais estavam esperando uma desescalada na guerra entre EUA e Irã, o presidente Donald Trump garantiu justamente o contrário em um discurso à nação ontem (1). O chefe da Casa Branca prometeu atingir o Irã com força total nas próximas semanas e “levar o país para a Idade da Pedra, onde eles pertencem”.
Segundo o presidente, o Estreito de Ormuz, o principal foco de tensão da guerra já que é a principal passagem para boa parte do petróleo global, “se abriria naturalmente” quando o conflito terminasse.
Do outro lado, o comandante-chefe do Exército do país persa, Amir Hatami, afirmou que o quartel-general operacional do Irã precisa monitorar “os movimentos do inimigo com o máximo de pessimismo e precisão” e estar pronto para combater qualquer método de ataque.
Assim, os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, para junho fecharam com salto de 7,77%, a US$ 109,03 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Já o óleo cru (WTI), padrão nos EUA, teve a maior alta desde 2020, com a pandemia, ao acelerar mais de 11%, a US$111,54.
Embora a tensão tenha espalhado medo pelos mercados e provocado a queda das bolsas no mundo inteiro pela manhã, os temores foram dissipando ao longo do dia. O Ibovespa, que chegou a cair mais de 1%, encerrou o dia em leve alta de 0,05%, aos 188.052,02 pontos. O dólar à vista, por sua vez, terminou as negociações a R$ 5,1599, com leve alta de 0,06%.
Com Petrobras (PETR4), Ibovespa consegue se segurar firme
O principal índice de ações da B3 sentiu o alívio com pesos-pesados avançando durante o pregão. A Petrobras (PETR4) recuperou parte das perdas da véspera com a disparada do petróleo. O papel PETR4 foi o mais negociada da bolsa, com 63,9 mil negócios e giro financeiro de R$ 1,745 bilhão, a ação encerrou com alta de 1,65%, a R$ 48,15. PETR3 terminou o dia com avanço de 2,25%, a R$ 53,10.
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Diante desse cenário, cresce cada vez mais a preocupação de que uma disparada nos preços da energia possa contaminar a inflação global e dificultar o trabalho dos bancos centrais.
Em Wall Street, o medo também se espalhou no começo do dia, mas arrefeceu ao longo do dia. Veja o desempenho das bolsas:
- Dow Jones: -0,13%, aos 45.504,67 pontos;
- S&P 500: +0,11%, aos 6.582,691 pontos;
- Nasdaq: +0,18%, aos 21.879,18 pontos.
Amanhã (3), os mercados permanecerão fechados em razão da Sexta-Feira Santa.
Em que pé está a guerra de Trump contra o Irã
Analistas afirmam que os EUA e Israel alcançaram sucesso tático militar no Irã, atingindo mais de 12,3 mil alvos, com 155 embarcações afundadas e figuras importantes mortas, como o líder supremo aiatolá Ali Khamenei.
Mas o conflito que já dura um mês também trouxe reveses estratégicos: o Irã reforçou seu controle sobre o Estreito de Ormuz, o regime já linha-dura em Teerã se voltou ainda mais contra Washington e as ambições nucleares do país ainda não foram completamente neutralizadas.
Nesse contexto, cresce a relevância das fortificações iranianas em pequenas ilhas ao redor do estreito, que ampliam a capacidade de Teerã de controlar essa rota vital.
Ilhas como Kharg, Qeshm e Abu Musa passaram ao centro das atenções à medida que o Irã intensificou o bloqueio de petroleiros, agravando uma crise econômica global.
Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo bruto negociado no mundo passava pelo Estreito de Ormuz — fluxo que, desde o início da ofensiva aérea de EUA e Israel em 28 de fevereiro, praticamente secou.
Os destaques do Ibovespa
Com a disparada do petróleo, petroleiras da bolsa fazem a festa no início do pregão de hoje, com destaque para a Prio (PRIO3), que encerrou o dia em alta de 5,68%. Veja as maiores valorizações de hoje:
| Ação | Preço | Variação (%) |
|---|---|---|
| PRIO3 | 67,77 | +5,68 |
| AURE3 | 12,57 | +4,49 |
| BRAV3 | 20,47 | +3,28 |
| PETR3 | 53,10 | +2,25 |
| SLCE3 | 18,47 | +1,65 |
| PETR4 | 48,15 | +1,65 |
Já na ponta negativa, RD Saúde (RADL3) teve a maior desvalorização, com queda de 3,95%, a R$ 21,86. Veja as maiores quedas do dia:
| Ação | Preço | Variação (%) |
|---|---|---|
| RADL3 | 21,86 | -3,95 |
| CYRE3 | 27,52 | -3,51 |
| CYRE4 | 25,58 | -3,44 |
| YDUQ3 | 11,72 | -2,58 |
| IGTI11 | 27,77 | -2,39 |
| SUZB3 | 50,85 | -2,38 |
Com informações Wall Street Journal
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