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Bruno Henriques, head de análise de renda variável do BTG Pactual, fala no podcast Touros e Ursos sobre a sua perspectiva para as ações brasileiras neste ano
O Ibovespa vive um momento histórico, mas o rali é impulsionado majoritariamente pelo capital vindo do exterior. Mesmo com uma valorização de 12% somente em janeiro, o investidor brasileiro ainda observa o movimento de longe.
Bruno Henriques, head de análise de renda variável do BTG Pactual, acredita que existe uma distinção clara entre os investidores locais e os estrangeiros. Enquanto os locais olham para o cenário interno — juros, fundamento das empresas e condições da economia como um todo —, os estrangeiros têm um olhar mais global.
“É um investidor mais agnóstico. Ele está olhando oportunidades no mundo, então a discussão é se eu vou colocar dinheiro no Brasil ou se eu vou colocar dinheiro, sei lá, na Índia ou Tailândia”, disse em participação no podcast Touros e Ursos.
Para ele, o gatilho necessário para o retorno do capital brasileiro ao Ibovespa é a materialização da queda de juros, prevista para começar em março. Henriques afirma que, embora o mercado antecipe os cortes, muitos investidores esperam por um catalisador concreto para ganhar mais convicção e, enfim, voltar para a bolsa.
Segundo o especialista, a divergência entre o investidor local e o estrangeiro é explicada, em grande parte, pelo "viés de residência".
Enquanto o brasileiro está imerso no ruído político e fiscal doméstico, dando mais peso às incertezas locais, o estrangeiro tem um olhar mais distante, focado em avaliar as oportunidades de investimento do país.
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Além disso, neste momento, o investidor local está “confortável" na renda fixa, segundo o analista, aproveitando a rentabilidade dos juros em 15% ao ano.
Somente com cortes significativos nos juros que o investidor local deve começar a se mover, na opinião de Henriques. Quem deve receber esse fluxo são principalmente as empresas ligadas ao mercado interno.
Já entre os estrangeiros, o Brasil se destaca no cenário de mercados emergentes por seus temas estruturais de peso. Henriques afirma no podcast que o estrangeiro foca em setores em que o país possui vantagens competitivas claras, como agronegócio e infraestrutura.
Segundo o analista, o olhar externo é pragmático: "O Brasil é um mercado super relevante quando você pensa em mercado consumidor. Temos vários gargalos estruturais que se tornam oportunidades", disse.
Com o Ibovespa nas máximas, a bolsa brasileira deixou de ser uma "pechincha" para negociar próxima à sua média histórica, de 10 a 11 vezes o preço sobre o lucro (P/L).
Henriques alerta que a seletividade se tornou a ferramenta essencial para o investidor, já que a margem de entrada em muitas das grandes empresas diminuiu.
Entre os setores mais promissores, o analista destaque os serviços básicos, favoritos do BTG devido à sua resiliência e vantagem competitiva. Os nomes escolhidos foram Copel (CPLE3), Sanepar (SAPR11) e Equatorial (EQTL3).
O setor financeiro e de saúde também figuram como as principais escolhas do BTG Pactual. O analista ainda aponta o setor de construção civil focado em baixa renda como uma opção interessante, visto que o Minha Casa Minha Vida é um benefício menos sensível a oscilações eleitorais.
Para Henriques, mesmo após a forte alta, ainda existem oportunidades em empresas que negociam a múltiplos baixos, na faixa de seis vezes o preço sobre lucro, e que oferecem um retorno atrativo via proventos.
No bloco final do programa, os convidados elegem os touros e ursos da semana, expressão que dá nome ao podcast. Nesta semana, o dólar global voltou a figurar como um dos ursos (destaque negativo), diante da sua trajetória de enfraquecimento à medida que investidores buscam diversificação em outras moedas e ativos ao redor do mundo.
A Fictor também ocupou o posto negativo após o pedido de recuperação judicial de suas subsidiárias em meio à inadimplência nos dividendos e resgates de seus contratos SCPs (entenda aqui).
Em contrapartida, o Copom apareceu como o grande touro (destaque positivo) da semana devido à sinalização clara de que o ciclo de cortes na Selic terá início em março. Essa clareza na comunicação trouxe o alívio necessário para planejamento nos negócios e nas finanças pessoais.
E não podia faltar o fluxo de capital estrangeiro para países emergentes como um touro, visto que continua surpreendendo positivamente em 2026, com o Brasil captando mais de R$ 26 bilhões em um único mês.
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