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BYE-BYE, AZUL4

AZUL4 já era: por que a Azul acabou com essas ações, e o que muda para o acionista

A companhia aérea conseguiu maioria em assembleias simultâneas para acabar com as suas ações preferenciais, em um movimento que faz parte do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos

Avião da companhia de aviação Azul decolando, com torre de comando ao fundo
Imagem: Divulgação

A Azul (AZUL53) conseguiu a aprovação para acabar com as ações preferenciais da empresa (AZUL4) e transformar todo o capital da empresa em ações ordinárias, como parte do processo de recuperação judicial que a empresa enfrenta nos EUA (Chapter 11). 

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De acordo com a ata da primeira assembleia, foi aprovada a conversão 724,76 bilhões de ações preferenciais em ações ordinárias. Assim, foram extintas as preferenciais. 

O objetivo é que cada ação preferencial (AZUL4) seja convertida em 75 ações ordinárias (AZUL3). A proporção foi estabelecida pela administração com base na relação econômica existente entre as ações preferenciais e as ações ordinárias.  

Cabe lembrar que desde o final de dezembro, a companhia vem sendo negociada na bolsa em lotes de 10 mil papéis, sob o ticker AZUL54 e AZUL53. Isso faz parte de uma operação que transforma dívida da empresa em capital e também faz parte do processo de recuperação judicial nos EUA.  

A principal diferença entre os dois tipos é que a preferencial concede direito de preferência no recebimento de dividendos, enquanto a ordinária dá direito a voto em assembleias. Com a proposta, a Azul visa ter seu capital completamente composto por ações ordinárias.

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Por que a Azul quis fazer isso?  

Essa é uma parte essencial para o fim do processo de recuperação judicial nos EUA, que visa simplificar a estrutura de capital da empresa, segundo o advogado Fábio Percegoni de Andrade, sócio da BVZ Advogados. 

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Ter duas classes de ações cria camadas diferentes de direitos — voto, prioridade, tratamento econômico — e isso complica negociações com credores, novos investidores e potenciais financiadores. 

Na prática, ações preferenciais não dão direito a voto, o que as torna pouco atrativas em um momento em que a empresa precisa trazer novos investidores dispostos a participar das decisões estratégicas.  

É o caso dos seus credores, que receberam participação na empresa em troca de dívidas. Em um processo de reestruturação, quem entra quer influência e isso só vem com ações ordinárias. 

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“Quando você tem direito de voto no conselho, passa a ter mais controle sobre a companhia. Por isso, para o credor que está recebendo ações e pretende participar de fato da empresa — especialmente em um processo de recuperação — é muito mais interessante ter ações ordinárias do que preferenciais”, conta Matheus Cabral, private banker da Guardian Capital. 

Outro ponto é a prolongada seca de dividendos. A legislação brasileira prevê hipóteses em que a companhia é obrigada a converter ações preferenciais em ordinárias — sendo a principal delas a ausência de distribuição de dividendos por três exercícios (anos) consecutivos. 

“A lógica da ação preferencial é compensar a falta de direito a voto com alguma vantagem econômica, normalmente o recebimento prioritário de dividendos. Se essa vantagem deixa de existir, o acionista passa a ter, ao menos, o direito de participar da gestão da companhia, ainda que de forma limitada”, explica o advogado Fernado Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em direito empresarial. 

O que muda para o acionista da Azul? 

Devido à conversão, o capital social da Azul, no valor de R$ 14,57 bilhões, passará a ser representado por 55,08 trilhões de ações ordinárias. 

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De acordo com o comunicado da Azul quando convocou as assembleias, não há direito de retirada para os acionistas que discordam. O mecanismo permite que o acionista minoritário se retire da companhia e receba o valor de suas ações em momentos de mudanças substanciais na empresa. 

No entanto, mesmo que esse direito esteja previsto em estatuto, a determinação é de que o valor de reembolso deve ser calculado com base no menor valor entre o valor econômico e o valor patrimonial contábil. 

“Considerando que o valor patrimonial contábil atual das ações da companhia é – e permanecerá, na data da conversão – um valor negativo, o direito de retirada dos acionistas titulares de ações preferenciais da companhia não será aplicável no âmbito da conversão”, disse a Azul. 

Caso contrário, qualquer acionista que optasse por se retirar da companhia nessas circunstâncias teria direito a um valor de reembolso equivalente a zero real por ação preferencial, abrindo mão de eventual valor residual atrelado à sua participação na Azul. 

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Para os atuais detentores de ações ordinárias, a concretização do plano de conversão irá resultar em uma diluição do poder de voto, uma vez que a consequência será um aumento expressivo no número de ações com esse direito em circulação. 

Com informações do Money Times

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