Última chamada do ano para maiores retornos na renda fixa: carteira de dezembro vai de CRAs da Minerva a CDB prefixado de 14% ao ano
BTG Pactual, BB Investimentos, Itaú BBA e XP recomendam aproveitar as rentabilidades enquanto a taxa de juros segue em 15% ao ano

Dezembro chegou e a chance de cravar rentabilidades recordes de títulos de renda fixa está diminuindo. Em sua carteira recomendada do mês, o Itaú BBA destaca que o consenso sobre um início de corte na taxa de juros (Selic) em janeiro está consolidado.
Segundo os analistas do banco, esse movimento foi rapidamente precificado em novembro. Na prática, isso significa que os agentes do mercado financeiro atribuíram valores menores para a Selic na curva de juros — que reúne as expectativas para as taxas dos títulos de renda fixa em diferentes prazos.
Nos prazos intermediários e longos da curva de juros, as quedas são próximas de 20 pontos-base, segundo o relatório do Itaú. Com isso, os prêmios dos títulos prefixados e IPCA+ encontrados nas plataformas de investimentos diminuíram ao longo de novembro.
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Ao final do mês passado, as taxas prefixadas fecharam em todos os prazos, com destaque para o vencimento em dois anos, que saiu de 13,26% para 12,88% ao ano. Os papéis indexados ao IPCA tiveram o mesmo comportamento: a taxa real de cinco anos fechou para 7,61%, de 7,85% ao ano ao final de outubro.
O que isso significa para os investimentos em renda fixa?
Esse movimento é extremamente importante para o investidor. No mercado de renda fixa, as taxas dos títulos não diminuem apenas quando os juros caem. Os agentes financeiros antecipam esses cortes e os retornos começam a cair muito antes.
Em setembro, por exemplo, os títulos prefixados de um ano estavam oferecendo taxas de 14,30% ao ano. Ao final de novembro, o retorno nesse prazo estava em 13,66% ao ano. Por isso, os analistas falam em última chamada para travar seu dinheiro em rentabilidades mais altas. Isso porque, a partir do momento que a Selic cair mesmo, esses recuos nos rendimentos vão se intensificar.
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Para os analistas do Itaú, o momento é de “diversificação e captura de prêmios em renda fixa”. Há produtos diferentes recomendados de acordo com o prazo para o investimento.
O banco recomenda os prefixados de três anos “para quem busca capturar potenciais cortes de juros futuros”. Eles afirmam que as taxas ainda estão atrativas, acima de 12% ao ano para esse prazo.
Já os títulos IPCA+ são a escolha dos analistas para prazos acima de cinco anos, para “proteger o poder de compra e, ao mesmo tempo, capturar o processo de desinflação”.
As taxas seguem acima de 7% ao ano em prazos até dez anos, o que ainda é uma oportunidade de travar juros historicamente altos para um futuro relevante.
Por fim, sobre os pós-fixados, o Itaú afirma que “são a melhor alternativa defensiva para horizontes de até dois anos”. Mesmo diante do possível corte da Selic em janeiro, o nível de 15% ao ano ainda é muito elevado e não deve diminuir drasticamente, mas aos poucos.
Crédito privado: CRA da Minerva é destaque pelo 2° mês consecutivo
Minerva segue como a grande recomendação de renda fixa nas carteiras de dezembro. No mês passado, a empresa apareceu em três dos quatro bancos acompanhados pelo Seu Dinheiro: XP, BTG Pactual e Itaú BBA.
Em dezembro, no entanto, o BTG retirou a recomendação por redução dos títulos disponíveis no mercado secundário — que são as plataformas de compra e venda das corretoras.
Por outro lado, o Itaú BBA dobrou a recomendação. Selecionou Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da Minerva para o público geral e outro para o público qualificado — o que fez a empresa ser mencionada três vezes de qualquer forma.
A Minerva é uma emissora com classificação máxima de crédito (AAA) pelas agências Fitch e a S&P. A XP destaca o fato de a empresa ser a maior exportadora de carne bovina da América do Sul e sua liquidez de caixa como pontos positivos para o investimento.
Além disso, em novembro, os EUA retiraram a tarifa adicional de 40% sobre as proteínas do Brasil, o que deve favorecer os negócios da Minerva.
• O Itaú BBA selecionou dois CRAs da Minerva: o CRA021000RY para o público em geral e o CRA0220073P para investidores qualificados. O primeiro tem vencimento em 2031 e paga a correção da inflação mais 8% de juro real ao ano (IPCA + 8%).
• Já a XP recomendou o mesmo título que o BBA, para qualificados: o CRA da Minerva CRA0220073P. O título vence em 2029, com um retorno de IPCA + 8,2% ao ano.
Tesouro Direto para todos os vencimentos
O Tesouro Selic 2028 — principal título pós-fixado disponível na plataforma do Tesouro Direto — segue na recomendação dos analistas para a reserva de emergência ou alocações de até dois anos.
Para prazos intermediários — entre três e cinco anos — a recomendação do Itaú BBA é o Tesouro Prefixado. O relatório indica o Tesouro Prefixado 2028, que atualmente paga uma taxa de 12,71% ao ano.
Em relatório, a XP também recomenda o Tesouro IPCA + 2029 que, pela data de vencimento, entra no prazo intermediário. O título, disponível na plataforma do Tesouro Direto, está oferecendo IPCA + 7,81% para um prazo de três anos e meio.
Acima de cinco anos, a prioridade deve ser a proteção do poder de compra. Para essa função, o Tesouro IPCA+ longo é a recomendação das carteiras de renda fixa.
O relatório da XP também indica o Tesouro IPCA+ 2032. No entanto, esse papel só está disponível no mercado secundário, com uma remuneração de IPCA + 7,15% ao ano.
O Itaú BBA, por sua vez, estica sua recomendação para o Tesouro IPCA+ 2040, com pagamento da correção da inflação mais 6,82% de taxa real.
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Títulos bancários: entre isentos e tributados
No universo da renda fixa bancária, a única carteira com sugestões foi a da XP. A corretora indicou duas opções de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e uma Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Os CDBs foram do Agibank e do Banco Paraná, enquanto a LCA foi da Sicoob.
O CDB do Agibank vence em 2027 e remunera IPCA + 8,55% ao ano. O banco tem uma avaliação de crédito de AA pelo S&P 500. Já o CDB do Banco Paraná é prefixado, com taxa de 14,05% ao ano e vencimento em 2027 também. A classificação de crédito do banco é de AA-, pela Fitch.
A opção isenta de imposto de renda, LCA da Sicoob, tem um vencimento mais alongado, para 2030, e uma remuneração de 92% do CDI. O rating do emissor é AAA, pela Fitch.
Vale acrescentar que as três opções recomendadas pela XP têm a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil, por CPF e emissor.
Veja a carteira de renda fixa de cada instituição em dezembro:
BTG Pactual
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Debênture Intervias (IVIAA0) | 15/05/2038 | IPCA + 7,57% | AAA |
| CRI Direcional (25G0658368) | 16/07/2035 | ND | AAA |
| Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS15) | 15/02/2044 | IPCA + 8,52% | AAA |
| Debênture MetrôRio (MGPRA0)* | 15/03/2042 | IPCA + 7,45% | AAA |
| Debênture Rialma (RALM11) | 15/12/2048 | IPCA + 7,44% | AAA |
| CRA 3Tentos (CRA025008N8) | 15/10/2030 | ND | AA |
| CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) | 22/09/2033 | CDI + 0,65% | AA |
| Debênture Vero (VERO15)* | 15/07/2032 | 14,76% a.a. | A+ |
| CRA Eldorado (CRA025007KK)* | 15/09/2032 | 14,04% a.a. | AA+ |
*Título para investidor profissional e/ou qualificado.
ND: título não disponível na plataforma no momento da consulta.
Fonte: BTG Pactual
Itaú BBA
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| CRA Minerva (CRA021000RY) | 15/04/2031 | IPCA + 8,0% | AAA |
| Debênture PRIO (PEJA22) | 15/02/2034 | IPCA + 6,7% | AA+ |
| CPR-F Suzano (25I02598074) | 15/09/2037 | IPCA + 6,7% | AAA |
| CRA Minerva (CRA0220073P)* | 16/07/2029 | IPCA + 8,2% | AAA |
| CRA BRF (CRA0250020C)* | 16/04/2035 | IPCA + 7,6% | AAA |
| CRA Seara (JBS) (CRA0240086L)* | 15/09/2044 | IPCA + 7,4% | AAA |
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,05% | - |
| Tesouro Prefixado 2028 | 01/01/2028 | 12,71% | - |
| Tesouro IPCA+ 2040 | 15/08/2040 | IPCA + 6,82% | - |
*Título para investidor qualificado.
Fonte: Itaú BBA.
XP Investimentos
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,01% | - |
| CDB Agibank | 26/11/2027 | IPCA + 8,55% | AA- |
| CDB Banco Paraná | 26/11/2027 | 14,05% a.a. | AA- |
| LCA Sicoob | 31/10/2030 | 92% CDI | AAA |
| Tesouro IPCA+ 2029 | 15/05/2029 | IPCA + 7,40% | - |
| Tesouro IPCA+ 2032 | 15/08/2032 | IPCA + 7,15% | - |
| CRA São Martinho (CRA025003PD)* | 15/06/2032 | 98,50% CDI | AAA |
| CRA Minerva (CRA0220073P)* | 16/07/2029 | IPCA + 8,50% | AAA |
| CRI Moura Dubeux (25G5313879)* | 15/07/2030 | 101% do CDI | AA |
| CPR-F Suzano (25I02597637) | 15/09/2035 | IPCA + 6,7% | AAA |
*Título para investidor profissional e/ou qualificado.
Fonte: XP Investimentos
BB Investimentos
| Título | Data de vencimento | Rating local |
|---|---|---|
| Debênture Neoenergia - Celpe (CEPEB7) | 15/08/2040 | AAA |
| Debênture CPFL Energia (PALFB3) | 15/10/2035 | AAA |
| Debênture Sabesp (SBSPF3) | 15/01/2040 | AAA |
| Debênture Isa Energia (TRPLB4) | 15/10/2038 | AAA |
| Debênture Vale (VALEC1) | 15/05/2035 | AAA |
Conteúdo Empiricus
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