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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

CARTEIRA RECOMENDADA

Última chamada do ano para maiores retornos na renda fixa: carteira de dezembro vai de CRAs da Minerva a CDB prefixado de 14% ao ano

BTG Pactual, BB Investimentos, Itaú BBA e XP recomendam aproveitar as rentabilidades enquanto a taxa de juros segue em 15% ao ano

Monique Lima
Monique Lima
8 de dezembro de 2025
14:58 - atualizado às 15:59
Relógio com gráfico de cotações da bolsa e moedas; B3
Relógio com gráfico de cotações da bolsa e moedas - Imagem: Freepik

Dezembro chegou e a chance de cravar rentabilidades recordes de títulos de renda fixa está diminuindo. Em sua carteira recomendada do mês, o Itaú BBA destaca que o consenso sobre um início de corte na taxa de juros (Selic) em janeiro está consolidado.  

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Segundo os analistas do banco, esse movimento foi rapidamente precificado em novembro. Na prática, isso significa que os agentes do mercado financeiro atribuíram valores menores para a Selic na curva de juros — que reúne as expectativas para as taxas dos títulos de renda fixa em diferentes prazos.  

Nos prazos intermediários e longos da curva de juros, as quedas são próximas de 20 pontos-base, segundo o relatório do Itaú. Com isso, os prêmios dos títulos prefixados e IPCA+ encontrados nas plataformas de investimentos diminuíram ao longo de novembro.  

Ao final do mês passado, as taxas prefixadas fecharam em todos os prazos, com destaque para o vencimento em dois anos, que saiu de 13,26% para 12,88% ao ano. Os papéis indexados ao IPCA tiveram o mesmo comportamento: a taxa real de cinco anos fechou para 7,61%, de 7,85% ao ano ao final de outubro.  

O que isso significa para os investimentos em renda fixa?   

Esse movimento é extremamente importante para o investidor. No mercado de renda fixa, as taxas dos títulos não diminuem apenas quando os juros caem. Os agentes financeiros antecipam esses cortes e os retornos começam a cair muito antes.  

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Em setembro, por exemplo, os títulos prefixados de um ano estavam oferecendo taxas de 14,30% ao ano. Ao final de novembro, o retorno nesse prazo estava em 13,66% ao ano. Por isso, os analistas falam em última chamada para travar seu dinheiro em rentabilidades mais altas. Isso porque, a partir do momento que a Selic cair mesmo, esses recuos nos rendimentos vão se intensificar.  

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Para os analistas do Itaú, o momento é de “diversificação e captura de prêmios em renda fixa”. Há produtos diferentes recomendados de acordo com o prazo para o investimento.  

O banco recomenda os prefixados de três anos “para quem busca capturar potenciais cortes de juros futuros”. Eles afirmam que as taxas ainda estão atrativas, acima de 12% ao ano para esse prazo.  

Já os títulos IPCA+ são a escolha dos analistas para prazos acima de cinco anos, para “proteger o poder de compra e, ao mesmo tempo, capturar o processo de desinflação”.

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As taxas seguem acima de 7% ao ano em prazos até dez anos, o que ainda é uma oportunidade de travar juros historicamente altos para um futuro relevante.  

Por fim, sobre os pós-fixados, o Itaú afirma que “são a melhor alternativa defensiva para horizontes de até dois anos”. Mesmo diante do possível corte da Selic em janeiro, o nível de 15% ao ano ainda é muito elevado e não deve diminuir drasticamente, mas aos poucos.  

Crédito privado: CRA da Minerva é destaque pelo 2° mês consecutivo 

Minerva segue como a grande recomendação de renda fixa nas carteiras de dezembro. No mês passado, a empresa apareceu em três dos quatro bancos acompanhados pelo Seu Dinheiro: XP, BTG Pactual e Itaú BBA.  

Em dezembro, no entanto, o BTG retirou a recomendação por redução dos títulos disponíveis no mercado secundário — que são as plataformas de compra e venda das corretoras.

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Por outro lado, o Itaú BBA dobrou a recomendação. Selecionou Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da Minerva para o público geral e outro para o público qualificado — o que fez a empresa ser mencionada três vezes de qualquer forma.  

A Minerva é uma emissora com classificação máxima de crédito (AAA) pelas agências Fitch e a S&P. A XP destaca o fato de a empresa ser a maior exportadora de carne bovina da América do Sul e sua liquidez de caixa como pontos positivos para o investimento.  

Além disso, em novembro, os EUA retiraram a tarifa adicional de 40% sobre as proteínas do Brasil, o que deve favorecer os negócios da Minerva.

• O Itaú BBA selecionou dois CRAs da Minerva: o CRA021000RY para o público em geral e o CRA0220073P para investidores qualificados. O primeiro tem vencimento em 2031 e paga a correção da inflação mais 8% de juro real ao ano (IPCA + 8%).  

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• Já a XP recomendou o mesmo título que o BBA, para qualificados: o CRA da Minerva CRA0220073P. O título vence em 2029, com um retorno de IPCA + 8,2% ao ano.  

Tesouro Direto para todos os vencimentos  

O Tesouro Selic 2028 — principal título pós-fixado disponível na plataforma do Tesouro Direto — segue na recomendação dos analistas para a reserva de emergência ou alocações de até dois anos.   

Para prazos intermediários — entre três e cinco anos — a recomendação do Itaú BBA é o Tesouro Prefixado. O relatório indica o Tesouro Prefixado 2028, que atualmente paga uma taxa de 12,71% ao ano.

Em relatório, a XP também recomenda o Tesouro IPCA + 2029 que, pela data de vencimento, entra no prazo intermediário. O título, disponível na plataforma do Tesouro Direto, está oferecendo IPCA + 7,81% para um prazo de três anos e meio.  

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Acima de cinco anos, a prioridade deve ser a proteção do poder de compra. Para essa função, o Tesouro IPCA+ longo é a recomendação das carteiras de renda fixa.

O relatório da XP também indica o Tesouro IPCA+ 2032. No entanto, esse papel só está disponível no mercado secundário, com uma remuneração de IPCA + 7,15% ao ano.  

O Itaú BBA, por sua vez, estica sua recomendação para o Tesouro IPCA+ 2040, com pagamento da correção da inflação mais 6,82% de taxa real.  

Títulos bancários: entre isentos e tributados  

No universo da renda fixa bancária, a única carteira com sugestões foi a da XP. A corretora indicou duas opções de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e uma Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Os CDBs foram do Agibank e do Banco Paraná, enquanto a LCA foi da Sicoob.  

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O CDB do Agibank vence em 2027 e remunera IPCA + 8,55% ao ano. O banco tem uma avaliação de crédito de AA pelo S&P 500. Já o CDB do Banco Paraná é prefixado, com taxa de 14,05% ao ano e vencimento em 2027 também. A classificação de crédito do banco é de AA-, pela Fitch.  

A opção isenta de imposto de renda, LCA da Sicoob, tem um vencimento mais alongado, para 2030, e uma remuneração de 92% do CDI. O rating do emissor é AAA, pela Fitch.  

Vale acrescentar que as três opções recomendadas pela XP têm a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil, por CPF e emissor.  

Veja a carteira de renda fixa de cada instituição em dezembro:  

BTG Pactual 

Título  Data de vencimento Retorno Rating local 
Debênture Intervias (IVIAA0) 15/05/2038 IPCA + 7,57% AAA 
CRI Direcional (25G0658368) 16/07/2035  ND AAA 
Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS15) 15/02/2044  IPCA + 8,52% AAA 
Debênture MetrôRio (MGPRA0)* 15/03/2042 IPCA + 7,45% AAA 
Debênture Rialma (RALM11) 15/12/2048 IPCA + 7,44% AAA 
CRA 3Tentos (CRA025008N8) 15/10/2030  ND AA 
CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) 22/09/2033  CDI + 0,65% AA 
Debênture Vero (VERO15)* 15/07/2032 14,76% a.a. A+ 
CRA Eldorado (CRA025007KK)* 15/09/2032 14,04% a.a. AA+  
Retorno verificado na plataforma do BTG no dia 08 de dezembro de 2025.  
*Título para investidor profissional e/ou qualificado.  
ND: título não disponível na plataforma no momento da consulta.  
Fonte: BTG Pactual

Itaú BBA  

Título  Data de vencimento Retorno Rating local 
CRA Minerva (CRA021000RY) 15/04/2031 IPCA + 8,0% AAA 
Debênture PRIO (PEJA22) 15/02/2034 IPCA + 6,7% AA+ 
CPR-F Suzano (25I02598074) 15/09/2037 IPCA + 6,7% AAA 
CRA Minerva (CRA0220073P)* 16/07/2029 IPCA + 8,2% AAA 
CRA BRF (CRA0250020C)* 16/04/2035 IPCA + 7,6% AAA 
CRA Seara (JBS) (CRA0240086L)* 15/09/2044 IPCA + 7,4% AAA 
Tesouro Selic 2028 01/03/2028  Selic + 0,05% 
Tesouro Prefixado 2028  01/01/2028 12,71% 
Tesouro IPCA+ 2040 15/08/2040 IPCA + 6,82% 
Retorno indicado pelo Itaú em relatório.  
*Título para investidor qualificado. 
Fonte: Itaú BBA. 

XP Investimentos  

Título  Data de vencimento Retorno Rating local 
Tesouro Selic 2028 01/03/2028 Selic + 0,01%  
CDB Agibank 26/11/2027 IPCA + 8,55% AA- 
CDB Banco Paraná 26/11/2027 14,05% a.a. AA- 
LCA Sicoob  31/10/2030 92% CDI AAA 
Tesouro IPCA+ 2029 15/05/2029 IPCA + 7,40% 
Tesouro IPCA+ 2032 15/08/2032 IPCA + 7,15% 
CRA São Martinho (CRA025003PD)* 15/06/2032 98,50% CDI AAA 
CRA Minerva (CRA0220073P)* 16/07/2029   IPCA + 8,50% AAA 
CRI Moura Dubeux (25G5313879)* 15/07/2030 101% do CDI AA 
CPR-F Suzano (25I02597637) 15/09/2035 IPCA + 6,7% AAA 
Retorno indicado pela XP em relatório.  
*Título para investidor profissional e/ou qualificado.  
Fonte: XP Investimentos

BB Investimentos  

Título  Data de vencimento Rating local 
Debênture Neoenergia - Celpe (CEPEB7) 15/08/2040  AAA 
Debênture CPFL Energia (PALFB3) 15/10/2035  AAA 
Debênture Sabesp (SBSPF3) 15/01/2040 AAA 
Debênture Isa Energia (TRPLB4) 15/10/2038 AAA 
Debênture Vale (VALEC1) 15/05/2035 AAA 
Fonte: BB Investimentos 

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