Renda fixa para novembro: CRAs da Minerva e CDB que paga IPCA + 8,8% são as estrelas das recomendações do mês
BTG Pactual, BB Investimentos, Itaú BBA e XP recomendam aproveitar as rentabilidades enquanto a taxa de juros segue em 15% ao ano

Outubro foi um mês de altos e baixos para os preços dos títulos de renda fixa. O mês começou com a discussão sobre tributação dos títulos isentos de imposto de renda em meio à análise da Medida Provisória 1.303/25. Por fim, o texto perdeu a validade sem que nada mudasse — títulos isentos seguem isentos e os tributados continuam igual.
Além disso, Brasília manteve os analistas atarefados com as discussões sobre a isenção de IR para salários até R$ 5 mil e novas avaliações sobre aumento de gastos.
O resultado para os títulos de renda fixa foi aumento nos prêmios de risco, especialmente nos vértices intermediários e longos da curva de juros. Sem a MP 1.303/25, a demanda pelos títulos isentos diminuiu frente à corrida anterior — isso derrubou preços e aumentou os retornos.
- VEJA TAMBÉM: O Seu Dinheiro conversou com especialistas do mercado para conhecer as melhores oportunidades de investimento para novembro
Ao final de outubro, as taxas prefixadas de um ano cederam 28 pontos-base (de 14,28% para 14,00%), enquanto a de cinco anos ficaram estáveis, em 13,53%, indicando que o prêmio de médio prazo segue condicionado ao cenário fiscal.
O de curto prazo se move em linha com as expectativas em relação à taxa básica de juros. O mercado mantém a projeção de uma Selic alta por mais tempo, mas já começa a precificar cortes futuros, caso o ambiente fiscal melhore e a inflação siga comportada.
No curto prazo, a precificação de inflação caiu de 4,37% para 4,15% em 1 ano, mas ficou estável no longo (de 5,28% para 5,26% em 5 anos).
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O que isso significa para os investimentos em renda fixa?
Para o investidor pessoa física, o relatório do Itaú BBA afirma que carregar os títulos até o vencimento é a melhor estratégia neste momento. “As oportunidades em prefixados e IPCA+ continuam abertas, principalmente nos prazos intermediários e longos”, diz o relatório.
Para o banco, o movimento de fechamento das taxas deve continuar até o fim do ano, à medida que o mercado ganha confiança na possibilidade de corte da Selic no início de 2026.
Em outras palavras, isso significa que as taxas que os títulos de renda fixa estão oferecendo agora devem diminuir com o passar dos meses. Por isso, a estratégia de travar as rentabilidades elevadas agora é a mais recomendada.
Os títulos prefixados são os mais sensíveis a reprecificação no ciclo da taxa de juros. Para o médio prazo, são os papéis que mais oferecem oportunidade de ganhos e são “uma boa porta de entrada”, na avaliação do BBA.
Já os papéis IPCA+ são “a principal forma de proteger o poder de compra e, ao mesmo tempo, capturar o processo de desinflação”, diz o relatório. As taxas oferecidas seguem em níveis históricos e são oportunidade de manter alta rentabilidade no longo prazo, quando as taxas devem voltar para níveis médios.
Crédito privado: CRA da Minerva quase gabaritou
Minerva foi a grande recomendação de renda fixa nas carteiras de novembro. De quatro bancos acompanhados pelo Seu Dinheiro, a empresa apareceu em três relatórios: da XP, do BTG Pactual e do Itaú BBA.
A rara (quase) unanimidade reforça a avaliação da companhia, que tem apresentado resultados recordes e avança na integração de novos ativos na América Latina. Os analistas ainda apontam a diversificação geográfica da produção como ponto positivo e a liquidez confortável para o pagamento de passivos financeiros.
A Minerva é uma emissora com classificação máxima de crédito (AAA) pelas agências Fitch e a S&P.
A recomendação de crédito privado da Minerva ainda contou com outro aspecto inusitado: cada banco sugeriu uma estratégia de indexação diferente.
- O Itaú BBA selecionou um CRA da Minerva (CRA021000RY) atrelado à inflação, com taxa de IPCA + 8% e vencimento em 2031.
- O BTG Pactual recomendou um título (CRA025005V8) prefixado, com taxa de 14,24% ao ano e vencimento em 2035.
- Já a XP incluiu um CRA da Minerva (CRA02400AYL) indexado aos juros básicos. Com vencimento em 2029, o papel paga 97% do CDI.
Tesouro Direto para todos os vencimentos
Com a Selic fixada em 15% ao ano por mais algum tempo, o Tesouro Selic 2028 — principal título disponível na plataforma do Tesouro Direto — segue na recomendação dos analistas para a reserva de emergência ou alocações de curto prazo.
Para prazos intermediários — de até três anos — a recomendação do Itaú BBA é o Tesouro Prefixado. O relatório indica o Tesouro Prefixado 2028, com taxa de 13,14% ao ano. Segundo os analistas, ao travar essa remuneração, o investidor pode se beneficiar do possível corte de juros a partir de 2026.
Por fim, para o longo prazo, acima de cinco anos, a prioridade deve ser a proteção do poder de compra. Para essa função, o Tesouro IPCA+ é a recomendação das carteiras de renda fixa. Os prazos de vencimento, entretanto, divergem nas recomendações dos analistas.
O relatório da XP indica títulos mais intermediários — Tesouro IPCA+ 2029 e Tesouro IPCA+ 2032 —, enquanto o Itaú BBA estica sua recomendação para o Tesouro IPCA+ 2040.
Independentemente do prazo, no entanto, em ambos os relatórios os analistas destacam as taxas reais historicamente altas, que são uma oportunidade de garantir renda real acima da inflação por muitos anos.
- Vale destacar que o Tesouro IPCA+ 2032, recomendado pela XP, não está disponível na plataforma do Tesouro Direto, apenas na plataforma da corretora, para negociação via mercado secundário.
Um título bancário
No universo da renda fixa bancária, a única carteira que trouxe uma sugestão de CDB (Certificados de Depósito Bancário) foi a da XP.
O CDB escolhido foi o do Agibank, indexado ao IPCA, com um juro real de 8,8% e vencimento em 2027. Para os analistas, trata-se de uma alternativa defensiva para investidores com horizonte de até dois anos, oferecendo alto rendimento, liquidez e previsibilidade.
O Agibank tem uma classificação de risco A+ pela S&P, e os CDBs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), cobrindo até R$ 250 mil (principal + juros) por CPF em caso de inadimplência do emissor.
Veja a carteira de renda fixa de cada instituição:
BTG Pactual
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Debênture Intervias (IVIAA0) | 15/05/2038 | IPCA + 7,81% | AAA |
| CRA Eldorado (CRA0250080X) | 17/09/2035 | IPCA + 7,71% | AA+ |
| Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS15)* | 15/02/2044 | IPCA + 8,26% | AAA |
| Debênture MetrôRio (MGPRA0) | 15/03/2042 | IPCA + 7,71% | AAA |
| Debênture Rialma (RALM11) | 15/12/2048 | IPCA + 7,70% | AAA |
| CRA 3Tentos (CRA025008N8) | 15/10/2030 | 105,25% do CDI | AA |
| CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) | 22/09/2033 | CDI + 0,65% | AA |
| Debênture Vero (VERO15)* | 15/07/2032 | 14,77% a.a. | A+ |
| CRA Minerva (CRA025005V8) | 16/07/2035 | 14,24% a.a. | AAA |
*Título para investidor profissional e/ou qualificado.
Fonte: BTG Pactual
Itaú BBA
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| CRA Minerva (CRA021000RY) | 15/04/2031 | IPCA + 8,0% | AAA |
| CRA BRF (CRA0250066B) | 15/06/2034 | IPCA + 7,7% | AAA |
| CRI Klabin (25H04002165) | 15/08/2035 | IPCA + 6,8% | AAA |
| CRI Grupo Mateus (22C1362141)* | 17/07/2034 | IPCA + 8,0% | AAA |
| CRA BRF (CRA0220079D)* | 15/07/2032 | IPCA + 7,6% | AAA |
| CRI Rede D’Or (21K0001807)* | 15/12/2036 | IPCA + 7,0% | AAA |
| Tesouro Selic 2028 | 01/03/2028 | Selic + 0,05% | - |
| Tesouro Prefixado 2028 | 01/01/2028 | 13,14% | - |
| Tesouro IPCA+ 2040 | 15/08/2040 | IPCA + 7,29% | - |
*Título para investidor qualificado.
Fonte: Itaú BBA.
XP Investimentos
| Título | Data de vencimento | Retorno | Rating local |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | 01/09/2028 | Selic + 0,01% | - |
| CDB Agibank | 27/10/2027 | IPCA + 8,8% | A+ |
| Tesouro IPCA+ 2029 | 15/05/2029 | IPCA + 7,5% | - |
| Tesouro IPCA+ 2032 | 15/08/2032 | IPCA + 7,3% | - |
| CRI Moura Dubeux (25G5313879)* | 15/07/2030 | 101% do CDI | AA |
| CRA Minerva (CRA02400AYP) | 16/11/2029 | 97% do CDI | AAA |
| CRA Cocal (CRA025008HN)* | 15/09/2031 | 13,10% | AA+ |
| CPR-F Suzano (25I02597637) | 15/09/2035 | IPCA + 6,7% | AAA |
*Título para investidor profissional e/ou qualificado.
Fonte: XP Investimentos
BB Investimentos
| Título | Data de vencimento | Rating local |
|---|---|---|
| Debênture Eletrobras - Chesf (CHSF13) | 15/06/2031 | AAA |
| Debênture CPFL Energia (CPFPA9) | 15/02/2035 | AAA |
| Debênture CPFL Energia (PALFB3) | 15/10/2035 | AAA |
| Debênture Sabesp (SBSPF3) | 15/01/2040 | AAA |
| Debênture Isa Energia (TRPLB4) | 15/10/2038 | AAA |
| Debênture Vale (VALEC1) | 15/05/2035 | AAA |
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