Tesouro Direto: prefixado curto dá adeus aos 13% ao ano — atrelados à inflação começam a perder taxa de 7%
Surpresa da divulgação do IPCA de outubro foi gatilho para taxas do Tesouro Direto se afastaram dos níveis mais altos nesta terça-feira (11)

Há meses os analistas de renda fixa tocam a música de uma nota só: “taxas do Tesouro Direto estão em níveis históricos, aproveite, uma hora vai cair”. Eis que essa hora chegou — e até que demorou.
Nesta terça-feira (11), a taxa do Tesouro Prefixado mais curto, com vencimento em 2028, caiu para menos de 13% ao ano pela primeira vez desde o lançamento do título, em fevereiro.
Quando lançado, o título público oferecia 14,6% de juro. Hoje, a taxa prefixada paga pelo governo é de 12,86% ao ano.
Os prefixados intermediários — 2032 e 2035 — mantêm prêmios nos níveis de 13%, respectivamente 13,41% e 13,56%. Mas pode ser uma questão de tempo.
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Os títulos prefixados do Tesouro Direto são os mais sensíveis aos indicadores da economia, como os juros e a inflação. Nesta terça, os dois assuntos entraram no noticiário de economia.
Gatilhos para o Tesouro Direto
Ata do Copom
A primeira notícia com potencial de derrubar as taxas dos títulos do Tesouro Direto veio do Banco Central. A autoridade divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
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Na semana passada, o Copom optou por manter os juros básicos em 15% ao ano, e soltou um comunicado considerado duro. Manteve a prerrogativa de juros altos por bastante tempo e a indicação de aumentar a Selic caso fosse necessário.
Já a ata de hoje amenizou um pouco essa dureza. O tópico que mais chamou a atenção do mercado foi a sinalização de confiança na estratégia dos 15% ao ano por tempo prolongado.
Até setembro, o Copom avaliava se o nível de juro atual seria suficiente para conduzir a inflação de volta à meta de 3% ao ano. Neste começo de novembro, os diretores avaliaram que sim, essa estratégia vai dar certo — é só uma questão de tempo.
Outro ponto considerado importante foi a confirmação da inclusão da isenção do imposto de renda para salários até R$ 5 mil no cenário-base de inflação futura. Isso significa que não há risco de revisão altista das projeções que estão próximas do centro da meta e devem ser o gatilho do corte nos meses a seguir.
- LEIA MAIS: Copom diz que Selic em 15% ao ano por ‘período prolongado’ é suficiente para fazer inflação convergir à meta
IPCA de outubro
Enquanto o mercado digeria essas notícias positivas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números da inflação oficial de outubro.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,09% no mês passado — o menor resultado para o mês desde 1998, quando registrou 0,02%.
Nos últimos 12 meses, o índice recuou para 4,68%, ante 5,17% nos 12 meses imediatamente anteriores. Uma desaceleração bastante significativa, que aproxima o IPCA do topo da meta do ano (de 4,5%) e da projeção do BC para 2025.
Na ata, as projeções de inflação acumulada em 12 meses pelo Copom foram de:
- 4,6% para 2025;
- 3,6% para 2026; e
- 3,3% para 2027 (no segundo trimestre).
Tesouro Direto indexado à inflação
Além dos prefixados, os títulos públicos atrelados à inflação também tiveram suas taxas revistas nesta terça-feira (11).
A taxa do Tesouro IPCA+ de vencimento mais curto, em 2029, caiu para 7,76% ante o último fechamento de 7,89%. Há poucos dias, o título público estava nas máximas históricas, de 8,08%.
No entanto, essa sustentação de taxas mais altas está concentrada nos prazos curtos. Os vencimentos mais longos começaram a se aproximar — e perder — do patamar de 7%.
O Tesouro IPCA+ 2040 teve a taxa revista para 7,14%, enquanto o vencimento de 2050 caiu para 6,86%.
Nos papéis do Tesouro Renda+, títulos atrelados à inflação para a aposentadoria, todos os vencimentos acima de 2040 também perderam o patamar de 7%.
Conforme a inflação básica arrefece e as projeções futuras melhoram, o mercado ajusta as apostas de juros e inflação no futuro. Com isso, os investidores passam a pedir remunerações menores.
Como a tendência é de inflação ainda menor e corte de juros em 2026, as taxas de 7% podem estar com os dias contados — e os prefixados de 12% podem não durar muito também.
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