Investidores sentem breve alívio com apoio dos EUA à Argentina, mas crise está longe do fim; quais os próximos passos de Milei?
Linha de swap cambial anunciada pelos EUA pode ajudar Milei e seus aliados, que correm contra o tempo para ocupar mais cadeiras no Congresso argentino

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta semana que vai apoiar economicamente a Argentina. A fala foi confirmada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ontem (24). Ele afirmou que os países negociam uma linha de swap de US$ 20 bilhões.
O swap cambial é uma troca temporária de moedas entre duas nações. O processo ajuda a reforçar as reservas internacionais e dá mais estabilidade à economia local.
Após o anúncio da ação de resgate dos EUA, os ativos financeiros argentinos saíram da sequência de quedas acentuadas que enfrentaram nas semanas anteriores. O alívio, porém, foi breve. Nesta quinta-feira (25), o Merval, principal índice da bolsa da Argentina, voltou a cair. Por volta das 15h, o recuo era de 4,43%.
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Os motivos que justificam a operação da “patrulha salvadora” são as reservas internacionais baixas dos hermanos e a manutenção de um câmbio oficial artificialmente valorizado, que colocaram a economia argentina em estado crítico.
Trump tenta limpar a imagem de Javier Milei, que, além de uma economia tumultuada, enfrenta alegações de corrupção contra a irmã e conselheira mais próxima, Karina Milei. Esses fatores causaram uma liquidação cambial antes das eleições nacionais de meio de mandato.
Como analistas financeiros enxergam a ajuda
Em relatório, o banco BTG Pactual destacou que essa é a maior assistência de crédito direto a um país estrangeiro por meio do Fundo de Estabilização Cambial do Tesouro dos EUA da história.
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O valor também está acima do que era esperado por analistas do mercado financeiro. A ajuda estimada era de quase US$ 10 bilhões. A projeção se baseou na sinalização do governo dos EUA, que prometeu “garantir” os pagamentos da dívida de janeiro e julho, que somam pouco mais de US$ 8 bilhões.
Com a ajuda norte-americana, as preocupações do mercado com os pagamentos de dívidas argentinas de 2026 e, possivelmente, de 2027 tendem a diminuir. Afinal, a Argentina não vai precisar tanto de financiamento para pagá-las, assumindo que o país não recupere acesso ao mercado.
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“Não está claro quais serão os termos da linha de swap”, dizem os analistas Sofia Ordonez e Andres Borenstein. “Ainda assim, as declarações de apoio de Bessent foram firmes, sinalizando que o compromisso do governo americano em ajudar a Argentina é sólido”.
A gestora de ativos Janus Henderson alerta que “é altamente provável que os EUA exijam algo em troca de qualquer apoio que forneçam”.
Thomas Haugaard, gestor de portfólio de dívida de mercados emergentes em moedas fortes da Janus Henderson, acredita que isso pode ocorrer na frente política e em algumas parcerias estratégicas em setores-chave da economia argentina.
O que esperar das eleições das casas legislativas na Argentina
Esse valor inédito de swap é uma surpresa positiva para os aliados de Milei, do partido La Libertad Avanza, que não foram bem nas eleições de parlamentares regionais de Buenos Aires.
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Neste ano, as eleições de deputados e senadores locais aconteceram mais cedo na província de Buenos Aires. Esses candidatos eleitos vão trabalhar apenas em leis dessa província específica, algo similar ao que acontece nas câmaras de vereadores e de deputados estaduais.
As eleições gerais para as casas legislativas das outras províncias e para definir os legisladores que representarão Buenos Aires a nível nacional no Congresso e no Senado serão no dia 26 de outubro.
O BTG acredita que os anúncios de Bessent, junto à redução de impostos sobre exportação do setor agrícola, devem aumentar as chances dos aliados do presidente de vencerem.
Mas a instituição financeira reconheceu que as eleições provinciais de Buenos Aires “não são um bom preditor dos resultados de outubro” para Milei. “O governo deve melhorar seu desempenho nessa província, onde os indicadores de confiança sugerem menor popularidade em comparação com o restante do país”, afirmam os analistas.
Esse é um teste importante para o governo de Milei, segundo analistas do BTG. Caso os candidatos do partido La Libertad Avanza tenham muitas derrotas, isso indicará aos EUA que ajudar o governo Milei e a Argentina não dará os frutos políticos e comerciais esperados.
O BTG projeta que é pouco provável que a percepção dos eleitores mude muito até 26 de outubro, mesmo com a ajuda, devido ao tempo apertado.
A gestora Janus Henderson, por outro lado, acredita que Milei pode conseguir eleger aliados suficientes nas eleições nacionais do Congresso. “Não se prevê uma mudança de regime e esperamos ver Milei como presidente nos próximos dois anos, com uma governabilidade não muito diferente da deste ano”, afirma.
Para que possa continuar suas políticas econômicas e impedir a anulação dos seus vetos, o presidente argentino precisa do apoio de ao menos 33% dos parlamentares do Congresso nacional.
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