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A companhia deve investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026 e cerca de US$ 6 bilhões em 2027. Até o fim deste ano, os aportes devem chegar a US$ 5,5 bilhões; confira os detalhes.

Há quem prefira o frio ou o quente ao morno — que é exatamente o que está acontecendo com as ações da Vale (VALE3) nesta terça-feira (2). A mineradora apresentou o plano de investimentos para os próximos anos, e a reação do mercado é branda: os papéis passaram boa parte do dia próximos da estabilidade e só perto da última hora do pregão ganharam um pouco de tração.
“A reação do mercado explica muito do plano: alguns pontos vieram piores do que o mercado esperava, mas a redução do capex compensou, de alguma maneira”, diz Ruy Hungria, analista da Empiricus Research.
Mais cedo, a Vale informou que deve investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026 e cerca de US$ 6 bilhões em 2027. Até o fim deste ano, os aportes devem chegar a US$ 5,5 bilhões.
Os recursos, de acordo com a mineradora, serão aplicados em medidas para crescimento e em manutenção, que neste ano estão divididos da seguinte forma:
Em 2026, a divisão prevista é de US$ 1,1 bilhão para crescimento e US$ 4,5 bilhões em manutenção. Já em 2027, serão aplicados US$ 1,4 bilhão para crescimento e US$ 4,5 bilhões para manutenção.
Em relação ao investimento de capital por negócio, a Vale espera aplicar em soluções para minério de ferro:
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Já na Vale Base Metals (VBM), os aportes previstos são:
A mineradora também estima que os gastos fixos na operação de Soluções de Minério de Ferro devem girar entre US$ 5,8 bilhões em 2025 e US$ 5,7 bilhões em 2026.
Segundo o Itaú BBA, a projeção atualizada da Vale enfatiza o foco da nova gestão na alocação de capital, com redução na estimativa de despesas de capital.
Em relatório, os analistas Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza e Marcelo Furlan Palhares esperam sólido desempenho operacional, sustentado por melhorias contínuas na produção de minério de ferro e de metais básicos, e por custos relativamente estáveis.
O trio acrescenta que o avanço operacional deve compensar a inflação em 2026.
"Os novos valores para 2026 estão ligeiramente abaixo das nossas estimativas oficiais, enquanto os valores para 2027 e anos seguintes estão em linha com as expectativas", afirmam.
O Itaú BBA mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para a Vale, com preço-alvo de R$ 75 ao fim de 2026, o que representa potencial de valorização de 10,4% em relação ao último fechamento.
As novas projeções da Vale não contemplam apenas investimentos. A mineradora também traçou uma meta de produção até 2030.
Segundo a companhia, no próximo ano serão produzidas entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro. No fim do ano passado, a expectativa para 2026 era de 340 milhões a 360 milhões de toneladas. Já em 2030, a estimativa foi mantida em torno de 360 milhões de toneladas.
Neste ano, a Vale deve fechar com produção de 335 milhões de toneladas da principal matéria-prima do aço.
“A redução da produção para 2026 se deve principalmente por conta de pelotas, mas não é uma grande surpresa já que a Vale havia fechado plantas para a manutenção”, disse Hungria, da Empiricus.
Em minérios e aglomerados, a projeção da Vale é de uma produção de 31 milhões de toneladas este ano, de 30 milhões a 34 milhões de toneladas em 2026 e entre 60 milhões e 70 milhões de toneladas em 2030. Já na produção de minério de ferro a partir de rejeitos, a estimativa da companhia é de cerca de 30 milhões de toneladas daqui a cinco anos.
No cobre, a meta é chegar a 370 mil toneladas este ano, entre 350 mil e 380 mil toneladas em 2026, de 420 mil a 500 mil toneladas em 2030 e cerca de 700 mil toneladas em 2035.
Em 2025, a mineradora espera vender cerca de 3,8 mil toneladas de cobre equivalente e, em 2026, em torno de 4,3 mil toneladas.
Já em níquel, a projeção da mineradora é de uma produção de cerca de 175 mil toneladas este ano, de 175 mil a 200 mil toneladas em 2026 e entre 210 mil e 250 mil toneladas em 2035.
O volume de vendas estimado para os produtos de minério de ferro de Carajás Médio Teor - 65% de concentração de ferro e de Pellet Feed China (PFC) é, neste ano, de 33 milhões de toneladas e 26 milhões de toneladas, respectivamente. Já em 2026 os volumes devem alcançar 50 milhões de toneladas para o Carajás Médio Teor e 40 milhões de toneladas em PFC.
Com isso, o custo C1 — da mina ao porto sem frete — para o minério de ferro deve chegar a US$ 21,30 por tonelada este ano e entre US$ 20 a US$ 21,50 por tonelada em 2026.
Já o custo all-in, que inclui royalties e frete, está estimado em cerca de US$ 55 a tonelada até o final deste mês e de US$ 52 a US$ 56 por tonelada no próximo ano.
No cobre, o custo all-in estimado pela Vale é de cerca de US$ 1 mil a tonelada este ano e de US$ 1 mil a US$ 1,5 mil a tonelada em 2026.
Já em níquel, a mineradora espera que o indicador chegue a US$ 13 mil por tonelada este ano e entre US$ 12 mil e US$ 13,5 mil/tonelada em 2026.
“O grande destaque é a queda no custo all-in do cobre, mas que havia sido anunciada em outubro deste ano”, acrescenta Hungria.
A Vale estima compromissos totais com descaracterização de minas e com os acordos decorrentes das tragédias de Brumadinho e Samarco, além de despesas incorridas, de US$ 4,2 bilhões em 2025 e cifra menor, de US$ 2,6 bilhões, em 2026.
Segundo a mineradora, o valor deve cair para US$ 1,9 bilhão em 2027 e US$ 1,3 bilhão em 2028. Em 2029, o valor volta a subir, para US$ 1,5 bilhão em 2029, chegando a US$ 800 milhões em 2030.
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