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Recurso pode levar o caso ao Tribunal do Cade, após aprovação “sem restrições” pela superintendência
A Petlove entrou com um novo recurso para impedir que a fusão entre Petz (PETZ3) e Cobasi aconteça. Entre atingir ou não seu objetivo, a concorrente das duas gigantes do setor conseguiu pelo menos adiar o encerramento do processo.
A fusão vai passar por uma segunda análise pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) devido ao recurso.
A operação já tinha sido aprovada sem restrições pela Superintendência-Geral (SG) do Cade no início de junho, mas a concorrente Petlove apresentou o recurso nesta segunda-feira (23), solicitando reanálise no último dia disponível para o pedido.
A fusão entre Cobasi e Petz visa criar uma gigante do varejo pet com faturamento estimado em R$ 7 bilhões.
A Petlove, em seu recurso, argumenta que a decisão técnica da superintendência do Cade não abordou preocupações concorrenciais relevantes, alegando que a fusão resultaria em monopólio em centenas de mercados físicos e alta concentração online.
Além disso, a Petlove critica a definição de mercado relevante adotada na decisão. "A Superintendência-Geral ignorou as diferenças de escala entre as megastores de Petz e Cobasi e os pequenos pet shops de bairro, o que resulta em diferenças de preços, portfólio de produtos e estratégias competitivas."
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A empresa sustenta que o parecer do Cade usou uma definição “excessivamente abrangente” para o varejo pet, sem adotar critérios como tamanho de lojas e distinção de canais de atendimento — online ou presencial —, que são comuns em decisões do Cade para setores análogos.
Em nota ao Seu Dinheiro, a Petlove argumenta que a junção das duas empresas pode ter impactos significativos para os consumidores. "Uma vez eliminada a concorrência entre as duas empresas, elas ficarão livres para aumentar preços e poderão pressionar fornecedores em benefício próprio e não em benefício dos consumidores."
A empresa termina sua nota dizendo que uma eventual aprovação da fusão exigiria um pacote "robusto e extenso de remédios, estruturais e comportamentais", suficientes para criar um rival efetivo à empresa fusionada.
Segundo o Valor Econômico, anos atrás, a Petlove teria tentado uma fusão com cada uma das empresas em separado. Primeiro com a Cobasi e depois com a Petz. Mas nenhum dos negócios foi para a frente por divergências entre os administradores.
Em nota assinada por ambas as empresas, Petz e Cobasi afirmam que "recebem com tranquilidade” o recurso da Petlove.
As empresas dizem confiar na decisão dos conselheiros e nos estudos feitos pela Superintendência-Geral do Cade, “que aprovou a operação sem restrições por não haver qualquer risco concorrencial em um mercado pulverizado e competitivo".
O recurso da Petlove pode levar o caso ao Tribunal do Cade e, no mínimo, atrasar os planos de fusão entre Petz e Cobasi.
A operação, anunciada em agosto de 2024, prevê que a Petz se torne subsidiária integral da Cobasi. Com isso, os acionistas da Petz devem receber 52,6% das ações da nova empresa, e os da Cobasi, 47,4%.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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