Se todo mundo acha que é uma bolha, não é: veja motivos pelos quais o BTG acredita que a escalada da IA é real
Banco aponta fundamentos sólidos e ganhos de produtividade para justificar alta das empresas de tecnologia, afastando o risco de uma nova bolha

A escalada das empresas de tecnologia na bolsa está assustando investidores pelo mundo. E cada vez mais gestores se preocupam com uma nova bolha, receosos com o fantasma das companhias pontocom, que terminou com a quebra de mais de 500 empresas e fez as companhias do Nasdaq Composite perderem em média 75% do seu valor.
Mas afinal, esse receio é exagerado ou há um risco real? Um relatório recente do BTG Pactual afirma que, quando o medo de uma valorização excessiva se torna consenso, o risco dela diminui. Isso porque as altas exageradas vêm da euforia e, com medo, investidores se tornam mais cautelosos e criteriosos com seu dinheiro.
Esse é um dos motivos para dizer que não há uma bolha no valor das empresas de tecnologia no momento, pelo menos não como no mesmo modelo da crise há 25 anos, segundo o BTG. Veja abaixo mais motivos selecionados pelo banco para corroborar essa tese.
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Ganho de produtividade alto com capex trilionário
A IA pode trazer um ganho de produtividade amplo e duradouro para a economia. Na média dos estudos avaliados, o ganho é de 1,3 ponto percentual, o equivalente a mais de US$ 1,5 trilhão de produção global extra anualmente, considerando o PIB atual.
Para chegar a esse ponto, ainda é necessário investir muito, com investimentos em capex de US$ 1,2 trilhão por ano.
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Mas os retornos esperados são gigantescos. Há uma oportunidade de aumentar as receitas em US$ 1,8 trilhão a partir de 2032, cerca de 15% de todas as despesas em tecnologia da informação. Isso porque as receitas da IA generativa devem crescer a uma taxa anual de 30% de 2024 a 2032.
Empresas mais robustas
As 10 maiores empresas do S&P 500, que reúne as 500 maiores dos Estados Unidos, têm margens maiores hoje do que na última bolha de tecnologia.
Nem todas elas são do setor de tecnologia, mas o segmento é maioria entre as gigantes. São elas: Nvidia, Apple, Microsoft, Google (Alphabet), Amazon, Meta Platforms, Broadcom, Tesla, Berkshire Hathaway e Eli Lilly.
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Hoje, a margem operacional é de 39%, contra 25% em 1999, e a margem líquida é atualmente de cerca de 32%, contra 17% em 1999.
Elas também geram muito mais caixa que há 25 anos. A mediana das companhias do S&P 500 ainda apresenta uma média de caixa livre de cerca de 3,5% — quase três vezes o nível de 1,2% registrado em 2000-2001.
Isso indica que o crescimento do mercado está sendo patrocinado pela geração robusta de caixa, e não por pressão nas margens e nos balanços. E nem todo o caixa está sendo alocado nesses investimentos. Apenas 46% da geração de caixa foi alocada para capex, contra 75% em 2001. Desde 1991, a média é de 52%.
Empresas mais baratas
Os múltiplos estão mais baixos que na bolha das pontocom. Apesar da recente expansão de múltiplos, o índice P/L (preço/lucro) é de cerca de 29 a 30 vezes, contra 44 vezes no pico de 1999 e 89 vezes em 2000. Essa é a média do Nasdaq 100.
E essa comparação é verdade mesmo entre as campeãs de valorização, as sete magníficas (Nvidia, Microsoft, Google, Meta, Amazon, Tesla, Apple). Mesmo com valuations trilionários, elas estão relativamente mais baratas que as gigantes dos anos 2000.
Hoje, as maiores companhias estão negociando a um múltiplo de preço sobre lucro de 27 a 30 vezes. Já no ciclo de 1997-2000, os “Quatro Cavaleiros” (Cisco, Microsoft, Intel, Dell) negociavam a cerca de 52-67 vezes preço da ação sobre os lucros, com nomes como Qualcomm a cerca de 173x o P/L.
Mesmo com a escalada das empresas em bolsa, há pouco espaço para novas entrantes. Na bolha das pontocom, houve 881 IPOs entre 1999 e 2001. Já nos últimos quatro anos, foram apenas 167 no mundo.
Segundo o BTG, ainda estamos no início do ciclo da IA. A adoção ainda é parcial — cerca de 65% das grandes empresas testam a IA generativa, mas apenas cerca de 10% a 15% têm implantações em escala, de acordo com a McKinsey.
Porém, com o potencial da IA, haverá uma adoção em massa e ganho de produtividade e crescimento.
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